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A ciência explica como a mulher mais velha do mundo conseguiu viver 30 anos além da média com o colesterol perfeito e quase nenhuma inflamação

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 03/01/2026 às 00:42
Estudo com a mulher mais velha do mundo revela genética que evitou câncer e garantiu 117 anos de vida saudável.
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Pesquisas com amostras da mulher mais velha do mundo indicam que sua longevidade de 117 anos foi impulsionada por genética rara, proteção contra câncer via erosão de telômeros e um sistema imunológico que se comportava como se fosse muito mais jovem.

Cientistas na Espanha analisaram amostras biológicas de Maria Branyas, a mulher mais velha do mundo, e descobriram variantes genéticas ligadas à longevidade. O estudo do Instituto Josep Carreras, publicado em 2025, oferece novas perspectivas sobre o envelhecimento saudável.

Uma avaliação completa da saúde de uma das pessoas mais velhas do mundo, Maria Branyas, sugere que ela viveu até os 117 anos por possuir um genoma excepcionalmente jovem.

Cientistas liderados pelo Instituto de Pesquisa da Leucemia Josep Carreras realizaram a análise detalhada. Os resultados baseiam-se em amostras de sangue, saliva, urina e fezes fornecidas antes do falecimento em 2024.

A equipe descobriu que Branyas tinha células que se comportavam como se fossem muito mais jovens. Ela ultrapassou a expectativa média de vida das mulheres na Catalunha em mais de 30 anos.

Os pesquisadores afirmam que estão usando essas descobertas para fornecer uma nova perspectiva sobre a biologia. O objetivo é sugerir biomarcadores para um envelhecimento saudável e estratégias para aumentar a expectativa de vida.

Indicadores de saúde cardiovascular e perfil imunológico excepcional

Branyas apresentava um bom estado geral de saúde em sua idade avançada, segundo os cientistas. O quadro clínico era caracterizado por excelente saúde cardiovascular e níveis muito baixos de inflamação sistêmica.

O sistema imunológico e a microbiota intestinal apresentavam marcadores compatíveis com indivíduos muito mais jovens. Ela também possuía níveis extremamente baixos de colesterol ruim e triglicerídeos, além de alto colesterol bom.

Todos esses fatores biológicos podem ajudar a explicar sua excelente saúde e extrema longevidade. Os pesquisadores notam que a idade avançada e a saúde precária não estão intrinsecamente ligadas neste caso.

A longevidade extrema apresenta um paradoxo na compreensão do envelhecimento para a ciência atual. Apesar da idade avançada, supercentenários como Branyas mantêm uma saúde relativamente boa em comparação aos outros humaos.

Variantes genéticas raras e a função dos telômeros

Algumas das raras variantes genéticas encontradas em Branyas estão ligadas diretamente à longevidade. Essas variantes também influenciam positivamente a função imunológica e a saúde vital do coração e do cérebro.

Curiosamente, os cientistas notaram uma enorme erosão nos telômeros presentes nas amostras de Branyas. Essas estruturas delimitam as extremidades dos cromossomos e protegem o material genético fundamental das células do corpo.

Telômeros mais curtos estão geralmente associados a um maior risco de morte em humanos. No entanto, estudos recentes sugerem que eles não são um biomarcador útil de envelhecimento entre idosos longevos.

Ter telômeros muito curtos pode ter dado a Branyas uma vantagem biológica contra doenças graves. A curta vida útil das células pode ter impedido hipoteticamente que o câncer se proliferasse.

Influência do estilo de vida e dados demográficos

Branyas teve uma vida mental, social e fisicamente ativa durante toda a sua existência. Além desses hábitos saudáveis, ela também teve sorte com a genética para alcançar tal idade avançada.

Uma dieta mediterrânea rica em iogurte pode ter contribuído para sua vida excepcionalmente longa. Contudo, a longevidade extrema provavelmente é influenciada por uma ampla gama de variáveis genéticas e ambientais combinadas.

Os centenários representam atualmente o grupo demográfico que cresce mais rapidamnete em todo o mundo. Apesar disso, apenas uma em cada dez pessoas que chegam aos 100 anos vive até a próxima década.

Limitações da pesquisa e publicação dos resultados

A pesquisa sobre uma única pessoa limita o que pode ser revelado para a população geral. Os cientistas na Espanha reconhecem que são necessárias coortes maiores para extrapolar seus resultados específicos.

O quadro que emerge do estudo deriva apenas deste indivíduo excepcional e suas particularidades. Ainda assim, o caso mostra caminhos biológicos possíveis que tornam viável uma longevidade humana considerada extrema.

Estudos mais amplos comparam pessoas longevas com seus pares de vida mais curta. Eles encontraram biomarcadores que diferenciam alguns seres humanos, incluindo características únicas que ajudam a resistir a doenças graves.

O que Branyas proporcionou aos pesquisadores foi uma rara oportunidade de estudo científico profundo. O trabalho completo da equipe foi publicado oficialmente na revista científica especializada Cell Reports Medicine.

Este artigo foi elaborado com base nas informações do estudo científico publicado na revista Cell Reports Medicine, conduzido pelos pesquisadores Eloy Santos-Pujol e Aleix Noguera-Castells, do Instituto de Pesquisa da Leucemia Josep Carreras, na Espanha.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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