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A China lançou novos satélites pra testar tecnologia que pode levar internet direto pro celular, sem torre no caminho: o foguete Longa Marcha-2D decolou de Xichang, em Sichuan, com a missão de validar a banda larga entre satélite e telefone

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 07/05/2026 às 19:50
Atualizado em 07/05/2026 às 19:52
China lançou satélites para testar internet direto no celular sem torre. Longa Marcha-2D decolou de Xichang na 639ª missão. Entenda a tecnologia.
China lançou satélites para testar internet direto no celular sem torre. Longa Marcha-2D decolou de Xichang na 639ª missão. Entenda a tecnologia.
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A China lançou novos satélites de teste a bordo do foguete Longa Marcha-2D a partir do Centro de Lançamento de Xichang, em Sichuan, para validar tecnologia de internet via conexão direta de banda larga entre satélite e telefone celular, sem necessidade de torres terrestres, na 639ª missão da série Longa Marcha.

A China colocou em órbita um novo conjunto de satélites projetados para testar tecnologia que pode mudar a forma como bilhões de pessoas acessam a internet. O foguete Longa Marcha-2D decolou às 14h35 (horário de Pequim) do Centro de Lançamento de Satélites de Xichang, na província de Sichuan, e colocou os satélites nas órbitas predefinidas com sucesso.

A missão tem objetivo específico: validar a conectividade direta de banda larga entre satélite e telefone celular. Se a tecnologia funcionar em escala, permitirá que aparelhos comuns recebam internet diretamente do espaço, sem depender de torres de celular ou antenas terrestres.

Os satélites também vão testar a integração entre redes espaciais e terrestres. Essa combinação é o que permitiria a um celular alternar automaticamente entre sinal de torre e sinal de satélite, garantindo conexão em áreas rurais, oceanos, desertos e regiões montanhosas onde a infraestrutura terrestre não chega.

O lançamento marcou a 639ª missão dos foguetes da série Longa Marcha, família de veículos que sustenta o programa espacial chinês há décadas.

O que significa conectar internet direto do satélite ao celular sem torre

China lançou satélites para testar internet direto no celular sem torre. Longa Marcha-2D decolou de Xichang na 639ª missão. Entenda a tecnologia.

A tecnologia que a China testa com esses satélites elimina o intermediário entre o espaço e o bolso do usuário. Hoje, a internet móvel depende de uma cadeia: o sinal vai do satélite para estações terrestres, das estações para torres de celular e só então chega ao aparelho.

Na conexão direta satélite-telefone, o celular se comunica com o satélite sem precisar de torre no caminho. Isso transforma qualquer ponto do planeta com visão do céu em área de cobertura potencial.

O impacto prático é enorme. Estima-se que cerca de 3 bilhões de pessoas no mundo vivem em regiões sem cobertura de internet móvel confiável. Áreas rurais de países em desenvolvimento, comunidades ribeirinhas, regiões polares e embarcações em alto-mar são exemplos de locais onde torres de celular simplesmente não existem.

A internet via satélite direto no celular resolveria esse problema sem exigir construção de infraestrutura terrestre, investimento que em muitos casos é economicamente inviável pela baixa densidade populacional das regiões não atendidas.

Quem mais está na corrida pela internet via satélite direto no celular

China lançou satélites para testar internet direto no celular sem torre. Longa Marcha-2D decolou de Xichang na 639ª missão. Entenda a tecnologia.

A China não está sozinha nessa disputa. A corrida pela conexão direta satélite-celular envolve empresas e governos de vários países.

A SpaceX já testa o serviço Direct to Cell com a constelação Starlink, em parceria com a T-Mobile nos Estados Unidos. A Apple integrou comunicação via satélite de emergência nos iPhones desde o modelo 14. A AST SpaceMobile, empresa americana, lançou satélites comerciais para oferecer banda larga via celular comum.

Na Europa, a Agência Espacial Europeia financia projetos de conectividade híbrida. A Qualcomm, maior fabricante de chips para celulares, já desenvolveu modem compatível com sinal de satélite integrado a processadores Snapdragon.

O diferencial do teste chinês está na escala que o país pode alcançar. A China tem a maior população de usuários de internet móvel do mundo e uma indústria de fabricação de satélites que produz em ritmo industrial, combinação que permite testar e implantar a tecnologia mais rápido do que concorrentes menores.

O que falta para a internet via satélite funcionar no celular do dia a dia

A validação tecnológica que os satélites lançados de Xichang vão realizar é etapa necessária antes de qualquer operação comercial. Vários desafios técnicos ainda precisam ser resolvidos.

O principal é a velocidade de transmissão. Satélites em órbita baixa se movem a milhares de quilômetros por hora em relação ao solo, e manter conexão estável com um celular que tem antena pequena e potência limitada exige engenharia de sinal que ainda está sendo aperfeiçoada.

A latência (tempo entre enviar e receber dados) também é fator. Mesmo em órbita baixa, a distância entre satélite e celular adiciona milissegundos que em aplicações como videochamadas e jogos online fazem diferença perceptível.

Outro desafio é a capacidade de atender milhões de usuários simultaneamente. Uma torre de celular atende centenas de aparelhos ao mesmo tempo. Um satélite cobrindo área de milhares de quilômetros quadrados precisaria atender milhões, e a banda disponível por usuário diminui conforme o número de conexões aumenta.

Os testes que a China realiza agora servem exatamente para medir esses limites e definir o que é viável para operação comercial e o que ainda precisa de desenvolvimento.

Por que a integração entre rede espacial e terrestre é a chave da internet do futuro

Os satélites lançados de Xichang não testam apenas conexão direta. Testam também a integração entre redes espaciais e terrestres, conceito que especialistas consideram mais realista do que substituição completa das torres.

Na prática, o celular usaria a torre quando disponível e alternaria para o satélite quando fora de cobertura terrestre. A transição seria automática, sem que o usuário perceba que mudou de rede.

Esse modelo híbrido aproveita o melhor dos dois mundos. Torres de celular oferecem alta velocidade e baixa latência em áreas urbanas. Satélites garantem cobertura universal em áreas onde construir torres não faz sentido econômico.

A integração exige padronização que órgãos internacionais como a 3GPP (responsável pelos padrões 4G e 5G) já estão desenvolvendo. O padrão Release 17 do 5G incluiu especificações para comunicação via satélite com redes terrestres.

A China testa essa integração com os satélites lançados de Xichang para validar se a tecnologia funciona na prática, não apenas em simulações de laboratório. Os resultados definirão o ritmo de implantação comercial de um serviço que, se funcionar em escala, pode conectar à internet os 3 bilhões de pessoas que hoje ficam fora da cobertura móvel.

E você, usaria internet via satélite direto no celular? Acha que a tecnologia vai chegar ao Brasil? Deixe sua opinião nos comentários.

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Nilson Aquino Carvalho
Nilson Aquino Carvalho
10/05/2026 00:25

Não entendo de tecnologia,mas eu acredito que vai ser muito ulti para todos,tomara que nosBrasileiros,sejamos providenciados por essa nova tecnologia.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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