A China lançou novos satélites de teste a bordo do foguete Longa Marcha-2D a partir do Centro de Lançamento de Xichang, em Sichuan, para validar tecnologia de internet via conexão direta de banda larga entre satélite e telefone celular, sem necessidade de torres terrestres, na 639ª missão da série Longa Marcha.
A China colocou em órbita um novo conjunto de satélites projetados para testar tecnologia que pode mudar a forma como bilhões de pessoas acessam a internet. O foguete Longa Marcha-2D decolou às 14h35 (horário de Pequim) do Centro de Lançamento de Satélites de Xichang, na província de Sichuan, e colocou os satélites nas órbitas predefinidas com sucesso.
A missão tem objetivo específico: validar a conectividade direta de banda larga entre satélite e telefone celular. Se a tecnologia funcionar em escala, permitirá que aparelhos comuns recebam internet diretamente do espaço, sem depender de torres de celular ou antenas terrestres.
Os satélites também vão testar a integração entre redes espaciais e terrestres. Essa combinação é o que permitiria a um celular alternar automaticamente entre sinal de torre e sinal de satélite, garantindo conexão em áreas rurais, oceanos, desertos e regiões montanhosas onde a infraestrutura terrestre não chega.
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O lançamento marcou a 639ª missão dos foguetes da série Longa Marcha, família de veículos que sustenta o programa espacial chinês há décadas.
O que significa conectar internet direto do satélite ao celular sem torre

A tecnologia que a China testa com esses satélites elimina o intermediário entre o espaço e o bolso do usuário. Hoje, a internet móvel depende de uma cadeia: o sinal vai do satélite para estações terrestres, das estações para torres de celular e só então chega ao aparelho.
Na conexão direta satélite-telefone, o celular se comunica com o satélite sem precisar de torre no caminho. Isso transforma qualquer ponto do planeta com visão do céu em área de cobertura potencial.
O impacto prático é enorme. Estima-se que cerca de 3 bilhões de pessoas no mundo vivem em regiões sem cobertura de internet móvel confiável. Áreas rurais de países em desenvolvimento, comunidades ribeirinhas, regiões polares e embarcações em alto-mar são exemplos de locais onde torres de celular simplesmente não existem.
A internet via satélite direto no celular resolveria esse problema sem exigir construção de infraestrutura terrestre, investimento que em muitos casos é economicamente inviável pela baixa densidade populacional das regiões não atendidas.
Quem mais está na corrida pela internet via satélite direto no celular

A China não está sozinha nessa disputa. A corrida pela conexão direta satélite-celular envolve empresas e governos de vários países.
A SpaceX já testa o serviço Direct to Cell com a constelação Starlink, em parceria com a T-Mobile nos Estados Unidos. A Apple integrou comunicação via satélite de emergência nos iPhones desde o modelo 14. A AST SpaceMobile, empresa americana, lançou satélites comerciais para oferecer banda larga via celular comum.
Na Europa, a Agência Espacial Europeia financia projetos de conectividade híbrida. A Qualcomm, maior fabricante de chips para celulares, já desenvolveu modem compatível com sinal de satélite integrado a processadores Snapdragon.
O diferencial do teste chinês está na escala que o país pode alcançar. A China tem a maior população de usuários de internet móvel do mundo e uma indústria de fabricação de satélites que produz em ritmo industrial, combinação que permite testar e implantar a tecnologia mais rápido do que concorrentes menores.
O que falta para a internet via satélite funcionar no celular do dia a dia
A validação tecnológica que os satélites lançados de Xichang vão realizar é etapa necessária antes de qualquer operação comercial. Vários desafios técnicos ainda precisam ser resolvidos.
O principal é a velocidade de transmissão. Satélites em órbita baixa se movem a milhares de quilômetros por hora em relação ao solo, e manter conexão estável com um celular que tem antena pequena e potência limitada exige engenharia de sinal que ainda está sendo aperfeiçoada.
A latência (tempo entre enviar e receber dados) também é fator. Mesmo em órbita baixa, a distância entre satélite e celular adiciona milissegundos que em aplicações como videochamadas e jogos online fazem diferença perceptível.
Outro desafio é a capacidade de atender milhões de usuários simultaneamente. Uma torre de celular atende centenas de aparelhos ao mesmo tempo. Um satélite cobrindo área de milhares de quilômetros quadrados precisaria atender milhões, e a banda disponível por usuário diminui conforme o número de conexões aumenta.
Os testes que a China realiza agora servem exatamente para medir esses limites e definir o que é viável para operação comercial e o que ainda precisa de desenvolvimento.
Por que a integração entre rede espacial e terrestre é a chave da internet do futuro
Os satélites lançados de Xichang não testam apenas conexão direta. Testam também a integração entre redes espaciais e terrestres, conceito que especialistas consideram mais realista do que substituição completa das torres.
Na prática, o celular usaria a torre quando disponível e alternaria para o satélite quando fora de cobertura terrestre. A transição seria automática, sem que o usuário perceba que mudou de rede.
Esse modelo híbrido aproveita o melhor dos dois mundos. Torres de celular oferecem alta velocidade e baixa latência em áreas urbanas. Satélites garantem cobertura universal em áreas onde construir torres não faz sentido econômico.
A integração exige padronização que órgãos internacionais como a 3GPP (responsável pelos padrões 4G e 5G) já estão desenvolvendo. O padrão Release 17 do 5G incluiu especificações para comunicação via satélite com redes terrestres.
A China testa essa integração com os satélites lançados de Xichang para validar se a tecnologia funciona na prática, não apenas em simulações de laboratório. Os resultados definirão o ritmo de implantação comercial de um serviço que, se funcionar em escala, pode conectar à internet os 3 bilhões de pessoas que hoje ficam fora da cobertura móvel.
E você, usaria internet via satélite direto no celular? Acha que a tecnologia vai chegar ao Brasil? Deixe sua opinião nos comentários.

Não entendo de tecnologia,mas eu acredito que vai ser muito ulti para todos,tomara que nosBrasileiros,sejamos providenciados por essa nova tecnologia.