A empresa nasceu em Tubarão, no sul de Santa Catarina, e quebrou o paradigma do energético em latinha ao apostar em garrafa PET. Hoje fatura R$ 1,8 bilhão e mira 1 bilhão de litros produzidos em 2026. O novo parque ocupará o antigo terreno da Alliance One, processadora de tabaco que deixou a região após décadas de operação.
A Baly, fabricante catarinense que ultrapassou Red Bull e Monster e assumiu a liderança do mercado brasileiro de energéticos em dezembro de 2025, avança com a nova fábrica de Araranguá, no Extremo Sul de Santa Catarina. A unidade está prevista para gerar mais de mil empregos diretos e indiretos e começar a operar no segundo semestre de 2026, ampliando ainda mais a capacidade de produção da companhia.
O anúncio mais recente sobre o cronograma foi feito em 26 de maio de 2026 pelo portal catarinense 4oito. Segundo a empresa, o planejamento está na etapa de finalização dos projetos técnicos e das licenças, e a próxima etapa é a desocupação total da área pela Alliance One, processadora de tabaco que ainda ocupa o terreno e deve deixá-lo em julho. Depois disso, começam as obras principais da primeira fase, com foco na instalação das linhas de produção.
A escala da liderança em números

Segundo o levantamento ScannShare, da Scanntech, citado por publicações como Exame, IstoÉ Dinheiro e Painel Político, em dezembro de 2025 a Baly atingiu 34,9% de participação no mercado brasileiro de energéticos, contra 30,3% da Monster e cerca de 13% da Red Bull. É importante notar, no entanto, que a Baly liderou o ano em quatro meses (março, abril, julho e dezembro), enquanto superou a Red Bull em todos os meses de 2025.
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Entre 2022 e 2025, segundo a NielsenIQ, a empresa cresceu 42%, mais do que o dobro da expansão do mercado brasileiro de energéticos no mesmo período, estimado em 21%. O faturamento de 2025 ficou em torno de R$ 1,8 bilhão, e a meta para 2026, segundo a IstoÉ Dinheiro, é chegar a R$ 2,5 bilhões e ultrapassar pela primeira vez 1 bilhão de litros produzidos no ano, contra 205 milhões em 2024. Os números mostram um crescimento agressivo, ainda que parte dessa liderança siga oscilando com a Monster ao longo dos meses.
De Tubarão ao Extremo Sul de SC
A Baly nasceu em Tubarão, cidade de cerca de 115 mil habitantes no sul catarinense, e construiu sua história em uma virada estratégica: a aposta no energético em garrafa PET, lançada durante o Carnaval de 2009. A inovação, segundo a diretora comercial e de marketing Dayane Titon Cardoso, em entrevista à Exame, “democratizou a bebida entre novos consumidores, especialmente nos grupos de amigos e famílias”, e mudou a forma como o produto era consumido em bares, supermercados e atacarejos.
Hoje a empresa tem quatro unidades estratégicas em Santa Catarina, incluindo parques fabris em Tubarão e Treze de Maio, e o complexo administrativo e logístico também em Tubarão. Com a chegada da fábrica de Araranguá, a unidade de Tubarão passará a se concentrar nos destilados da marca, como vodka e gin, enquanto Treze de Maio segue dedicada à cerveja Baly Bier. Já a expansão internacional inclui distribuição em Uruguai, Paraguai, México, Chile e Estados Unidos.
O que muda em Araranguá
A nova planta no Extremo Sul catarinense ocupará uma área total de 500 mil metros quadrados, com cerca de 100 mil metros quadrados de área construída. O espaço foi adquirido da Alliance One Brasil, uma das maiores processadoras de tabaco do mundo, que vinha reduzindo operações no país nos últimos anos. A reativação do complexo industrial é vista como um movimento importante para a economia da região, que recebe uma operação industrial de grande porte logo após a saída de outra.
Com 100% da nova unidade dedicada à produção de energéticos, a Baly amplia também o leque de novas categorias previstas para o portfólio. Em entrevista recente à Rádio Som Maior, Dayane Titon Cardoso afirmou que a empresa planeja lançar águas saborizadas, águas proteicas e águas vitaminadas, dentro de uma linha de produtos funcionais. “É uma fábrica bem moderna e altamente sustentável”, afirmou a diretora, justificando o investimento em maquinário de última geração.
Mais de mil empregos e impacto regional
Segundo a empresa, a nova fábrica de Araranguá deve gerar mais de mil postos de trabalho diretos e indiretos, em uma cidade que vive um momento de crescimento populacional e econômico no Extremo Sul de Santa Catarina. Atualmente, a Baly emprega cerca de 1.500 pessoas diretamente em suas operações no estado, o que mostra o peso da expansão para o mercado regional de trabalho.
A movimentação atrai atenção das prefeituras da região e do próprio governo do estado, especialmente porque ocupa um espaço que estava sendo deixado pela Alliance One, evitando o vazio econômico em uma cidade muito ligada à indústria. Para o sul catarinense, é mais um capítulo de fortalecimento industrial, em um ano em que outras grandes empresas também anunciam aportes na região.
O contexto do crescimento dos energéticos
O sucesso da Baly se insere em uma onda maior. O mercado brasileiro de energéticos vem crescendo de forma consistente nos últimos anos, impulsionado por consumidores mais jovens, novos sabores, embalagens PET e expansão para fora dos grandes centros urbanos. A linha de produtos sem açúcar, por exemplo, foi uma das que mais avançaram, e a Baly se posiciona como líder também nesse recorte específico.
É importante registrar, no entanto, que entidades de saúde, como a Organização Mundial da Saúde e órgãos brasileiros, alertam para os riscos do consumo excessivo de energéticos, sobretudo entre adolescentes, por causa do alto teor de cafeína e açúcar nas versões tradicionais. Esse debate, que não diminui o feito empresarial da Baly, costuma vir junto da expansão da categoria, e deve ganhar mais espaço à medida que o consumo continua crescendo no país.
A virada de uma marca nacional
O simbolismo da liderança em um mercado historicamente dominado por multinacionais não escapou ao próprio fundador da empresa, Mário Cardoso, que descreveu o momento como a prova de que uma marca nacional pode competir e liderar frente a grandes nomes globais. A Baly mostra como uma empresa do interior catarinense, com inovação em embalagem, distribuição agressiva e leitura do consumidor, conseguiu mudar o tabuleiro de um setor altamente competitivo.
O próximo capítulo, com a nova fábrica em Araranguá, vai testar se essa liderança se sustenta e amplia em meses seguintes, ou se será disputada novamente com Monster e Red Bull ao longo de 2026. Para o consumidor catarinense, a história tem um sabor extra: ver uma marca da sua própria região disputando, em pé de igualdade, com gigantes da Áustria e dos Estados Unidos, e construindo uma rede industrial dentro do próprio estado.
A trajetória da Baly resume um momento raro do empresariado brasileiro: uma empresa nascida em uma cidade de pouco mais de 100 mil habitantes que, por meio de inovação e estratégia comercial, virou líder nacional em um setor dominado por multinacionais. A nova fábrica de Araranguá amplia essa história, gerando empregos, ampliando o portfólio e levando o nome de Santa Catarina ainda mais longe. Resta acompanhar como a empresa vai lidar com a concorrência acirrada e com o crescente debate sobre o consumo de energéticos no país.
E você, já tinha ouvido falar que a líder do mercado brasileiro de energéticos é uma empresa catarinense? Acredita que a Baly consegue manter a liderança sobre Monster e Red Bull em 2026? Deixe seu comentário, conte qual marca de energético você prefere e compartilhe a matéria com quem se interessa por economia, indústria e o sucesso de empresas nascidas no Brasil.

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