Naufrágio de corsário berbere achado a 900 metros no Mediterrâneo revela armas, objetos de três continentes e vestígios preservados após 260 anos
A descoberta de um navio pirata a 900 metros de profundidade no Mediterrâneo revelou um corsário berbere afundado por volta de 1760, com armas pesadas, objetos de três continentes e casco preservado, ampliando o entendimento sobre ataques que espalharam medo pela região.
Descoberta inesperada no fundo do Mediterrâneo
A Odyssey Marine Exploration procurava, em 2005, o HMS Sussex, navio de guerra inglês de 80 canhões perdido em 1694 entre a Espanha e Marrocos.
Na busca, o veículo operado remotamente registrou quatro canhões alinhados, uma luneta e objetos espalhados pelo sedimento no fundo do mar.
-
Helicóptero despeja 180 toneladas de areia e cascalho sobre rio da Suécia para tentar ressuscitar leito destruído por décadas de exploração, recriar berçários aquáticos e transformar pedras lançadas do céu em obra de recuperação ambiental
-
Empresa desenvolve smartphone retrô: traz câmera de 48 MP, tela de 3,25 polegadas desligada por padrão, teclado T9, áudio sem perdas e botão de privacidade para atrair quem deseja usar WhatsApp, mapas e transporte sem cair nas redes sociais
-
Sem diploma, fazendeiro chinês juntou chapas de aço, uma bateria e um motor usado, passou dez anos soldando nas madrugadas até lançar no rio da província de Anhui o Big Black Fish, um submarino artesanal de 5 toneladas capaz de mergulhar 8 metros com dois passageiros a bordo.
-
Adeus às tomadas e cabos: tecnologia de indução invisível transmite energia sem fio para liquidificadores, cafeteiras e airfryers, desliga os aparelhos automaticamente ao serem movidos e pode se tornar padrão nas cozinhas em apenas 2 anos
Entre os itens estavam potes, garrafas e tigelas de chá de origens diferentes, vindas de três continentes, algo que não combinava com o alvo da expedição.
O local não guardava o navio inglês. O que apareceu diante da equipe era menor, estava em águas mais profundas e revelava um passado perigoso.
Os pesquisadores identificaram o naufrágio como o primeiro navio pirata de Argel reconhecido nessas águas. A descoberta ficou em sigilo por quase duas décadas e foi publicada recentemente na Wreckwatch.

Um pequeno navio com grande poder de ataque
A embarcação tinha 45 pés de comprimento e foi classificada como uma tartana, tipo de navio com velas triangulares e remos, útil para manobras em águas costeiras estreitas.
Seu formato lembrava barcos de pesca, o que permitia aos corsários se aproximarem de navios mercantes sem despertar suspeitas.
A carga escondida sob o convés mostrava outra realidade. Inspeções remotas encontraram quatro canhões de porte, dez canhões giratórios e mosquetes para cerca de vinte homens.
Os canhões giratórios eram montados em trilhos e podiam ser apontados para a mastreação inimiga ou para conveses cheios, sendo usados em combates próximos.
Sean Kingsley afirmou à Newsweek que a combinação entre armamento pesado e carga variada ajuda a definir um navio pirata, já que comerciantes comuns não transportavam esse tipo de arsenal.
Objetos de vários lugares ajudaram na identificação
Os artefatos encontrados no naufrágio vieram de diferentes regiões. Havia garrafas de licor de vidro soprado produzidas na Bélgica ou na Alemanha.
Também foram localizadas tigelas de chá queimadas na Turquia Otomana e uma luneta europeia, item raro em meados do século XVIII, provavelmente tomado de um navio capturado.
Entre os objetos mais reveladores estavam panelas e frigideiras fabricadas em Argel. Esses utensílios sugerem que a tripulação reforçava o disfarce de um navio mercante pacífico.
A cerâmica foi ligada a fornos escavados anos antes sob a Praça dos Mártires, em Argel. Esses fornos produziam peças idênticas às encontradas ao lado dos canhões.
Kingsley observou no Live Science que essa coleção eclética fazia o naufrágio parecer diferente de um navio mercante típico do Mediterrâneo.
Como os corsários berberes espalharam medo
Os corsários berberes atuavam de forma diferente dos piratas caribenhos. Enquanto nomes como Barba Negra ameaçavam navios isolados, Argel representava risco para populações costeiras inteiras.
Kingsley descreveu Argel como uma cidade de 60.000 pessoas que viviam pela espada desde o início do século XVI até a conquista francesa em 1830.
Os grupos de saqueadores alcançavam o sul da Inglaterra e a Irlanda, além do norte da Inglaterra. Cada navio capturado no Atlântico ou no Mediterrâneo gerava lucro.
Moradores levados em desembarques noturnos podiam render resgate ou escravidão. Mercadores ocidentais que cruzavam a região corriam risco de captura em toda viagem.
Data do afundamento e preservação
O naufrágio identificado afundou por volta de 1760. Garrafas achadas no local foram produzidas, no máximo, nessa década.
As tigelas de chá otomanas encontradas junto ao navio deixaram de ser fabricadas na Turquia por volta de 1755.
Uma tempestade repentina provalvemente afundou a pequena embacação antes de alcançar águas rasas ou um porto seguro.
A profundidade extrema ajudou a proteger parte do navio pirata. O terço inferior do casco segue intacto, enterrado sob sedimentos onde os teredos não conseguiram chegar.
As partes superiores, expostas acima do fundo do mar, foram consumidas por moluscos bivalves que devoram madeira exposta em todo o Mediterrâneo.
Nenhum barco de pesca passou pelo local e nenhum mergulhador perturbou a área. O naufrágio permanece como se tivesse acabado de se assentar no fundo.
Greg Stemm, diretor da Seascape Artifact Exhibits Inc., definiu o achado como um precioso eco de um dos grandes horrores marítimos do Mediterrâneo Ocidental.
Com informações de Daily Galaxy.


-
-
-
-
-
-
44 pessoas reagiram a isso.