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Maior esconderijo de queijo do mundo: 600 milhões de quilos de queijo em cavernas subterrâneas: o que levou os EUA a criar esse sistema de armazenamento digno de filme?

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 30/10/2025 às 15:14
Assista o vídeoReserva subterrânea nos EUA guarda mais de 600 milhões de quilos de queijo em antigas minas de calcário — entenda o porquê e os impactos.
Reserva subterrânea nos EUA guarda mais de 600 milhões de quilos de queijo em antigas minas de calcário — entenda o porquê e os impactos.
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Em antigas minas de calcário no Missouri, os Estados Unidos mantêm centenas de milhões de quilos de queijo guardados sob a terra. O sistema, criado há décadas, virou símbolo da política agrícola do país e ainda desperta curiosidade.

Em antigas minas de calcário no estado do Missouri, nos Estados Unidos, repousam mais de 600 milhões de quilos de queijo armazenados em condições controladas.

As cavernas subterrâneas, mantidas a temperaturas estáveis e frias, abrigam parte do maior estoque de laticínios do país.

O sistema, criado há décadas, é resultado de políticas agrícolas que buscavam equilibrar a produção e o consumo de leite.

Origem do sistema de estocagem

O armazenamento de grandes volumes de queijo começou nos anos 1970, período em que os Estados Unidos enfrentavam escassez de laticínios e alta inflação.

Segundo registros históricos, o então presidente Jimmy Carter implementou uma política de apoio à indústria leiteira, com subsídios e incentivos financeiros para produtores.

A medida aumentou a produção, mas também gerou um excedente.

O governo, responsável por comprar o que não era absorvido pelo mercado, passou a acumular manteiga, leite em pó e queijo em grandes depósitos.

Em 1981, as reservas chegaram a 227 milhões de quilos, distribuídos por mais de 150 armazéns no território norte-americano.

pilhas de blocos de queijo estocados em antigas minas de calcário como parte de estoque alimentar estratégico dos EUA. (Imagem: Brown Political Review)
pilhas de blocos de queijo estocados em antigas minas de calcário como parte de estoque alimentar estratégico dos EUA. (Imagem: Brown Political Review)

Críticas e mudanças de estratégia

O acúmulo de produtos perecíveis gerou preocupação com o desperdício e o custo de manutenção dos estoques.

À época, famílias em situação de vulnerabilidade questionavam o fato de o governo manter toneladas de queijo armazenadas enquanto parte da população enfrentava dificuldades para se alimentar.

Com a chegada do presidente Ronald Reagan à Casa Branca, em 1981, o programa foi reavaliado.

O governo lançou uma iniciativa para distribuir o excedente de queijo a famílias de baixa renda e instituições de caridade.

A medida ajudou a reduzir o estoque e encerrou o impasse, mas manteve a questão central: a superprodução no setor leiteiro.

Cavernas de queijo e controle de temperatura

O aumento cíclico da produção de leite ao longo das décadas seguintes levou à criação de novas estratégias de armazenamento.

Para evitar perdas e reduzir custos energéticos, foram adaptadas antigas minas de calcário no Missouri e em outros estados.

Nessas cavernas, o clima naturalmente frio ajuda a conservar o queijo sem necessidade de refrigeração intensa.

Reserva subterrânea de queijo nos EUA mantém milhões de blocos de queijo prontos em cavernas de calcário como estoque alimentar estratégico. (Imagem: USDA)
Reserva subterrânea de queijo nos EUA mantém milhões de blocos de queijo prontos em cavernas de calcário como estoque alimentar estratégico. (Imagem: USDA)

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), essas instalações fazem parte de um sistema mais amplo de reserva alimentar estratégica, criado para garantir o abastecimento em períodos de crise ou flutuação de preços.

O volume atual, estimado em 635 milhões de quilos de queijo, reflete a capacidade de estocagem alcançada pelo país.

Custos e impacto ambiental

Especialistas em economia agrícola apontam que a manutenção das cavernas exige investimento contínuo em controle de temperatura e segurança alimentar.

Segundo analistas, embora o método seja eficiente para evitar desperdícios, ele também representa um custo elevado em um momento de menor demanda por laticínios.

Pesquisadores ligados a universidades norte-americanas afirmam que a pecuária leiteira, base dessa cadeia produtiva, tem impactos ambientais significativos, devido às emissões de metano e ao uso intensivo de recursos naturais.

Por isso, há debate dentro do próprio setor sobre o equilíbrio entre produção, consumo e sustentabilidade.

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Debate sobre subsídios e mercado

Economistas consultados por veículos locais afirmam que o volume de estoques é consequência direta das políticas de subsídios agrícolas.

Esses incentivos mantêm o nível de produção mesmo quando a demanda não acompanha o ritmo.

Segundo esses especialistas, essa lógica faz com que o governo atue como comprador e armazenador de excedentes, interferindo na dinâmica do mercado.

Representantes da indústria de laticínios, por outro lado, defendem que o sistema de estocagem garante estabilidade econômica ao setor e protege produtores de perdas financeiras em períodos de queda de consumo.

Para eles, os estoques ajudam a manter empregos e a estrutura da cadeia produtiva.

Um sistema que reflete a política agrícola dos EUA

Atualmente, os Estados Unidos continuam liderando a produção mundial de queijo.

Parte do volume armazenado pode ser destinada a programas de assistência alimentar ou exportações emergenciais, conforme as variações do mercado.

O sistema de cavernas, embora desperte curiosidade, é considerado uma extensão da política agrícola norte-americana que busca preservar a autossuficiência e reduzir riscos de desabastecimento.

Nas minas do Missouri, blocos de cheddar, mozzarella e outros tipos permanecem empilhados sob temperaturas constantes, compondo uma reserva que simboliza tanto a força quanto os desafios do modelo agroindustrial dos Estados Unidos.

A principal questão agora, segundo pesquisadores e analistas do setor, é saber por quanto tempo esse tipo de política de armazenamento continuará viável diante das pressões econômicas e ambientais que moldam o futuro da produção de alimentos.

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Lindomar
Lindomar
01/11/2025 19:24

Muito bom, excelente tipo de governança

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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