Em Ponta Grossa, no Paraná, Moisés Santos Rodrigues virou figura da cidade ao correr de costas pelas ruas todos os dias. Apelidado de Rei do Ré, ele faz 5 km em 30 minutos no sentido contrário, transformou o desafio numa rotina inusitada e viralizou: a história virou hit viral nas redes.
Imagine dirigir por uma avenida e cruzar com um homem correndo rápido, só que de costas, olhando para trás enquanto avança. É essa cena improvável que se repete quase todos os dias nas ruas de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, e que transformou um morador comum em um dos personagens mais comentados da cidade. A pergunta que todo mundo faz ao ver é a mesma: quem, afinal, decide correr de costas pela cidade inteira?
A resposta tem nome e sobrenome. Segundo o aRede, portal dos Campos Gerais, trata-se de Moisés Santos Rodrigues, de 29 anos, morador da Vila Maracanã, que adotou o movimento reverso como marca registrada e ganhou o apelido de Rei do Ré. O desempenho impressiona tanto quanto a imagem: Moisés afirma percorrer 5 km em cerca de 30 minutos correndo de costas, um ritmo que muita gente não alcança nem correndo para frente.
Como nasceu o Rei do Ré

A história começou de forma despretensiosa, a partir de uma aposta feita com uma amiga que Moisés conheceu na cidade de Goioerê, também no Paraná. Ela o desafiou a correr de costas, ele topou, venceu a aposta e ouviu da própria amiga uma frase que virou profecia: “vai em frente, que você vai seguir carreira”, o empurrão que faltava para que a brincadeira virasse coisa séria.
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O que poderia ter terminado ali, como uma piada de uma tarde só, acabou abraçado como estilo de vida. Em vez de guardar a habilidade como curiosidade, Moisés decidiu levar a sério e incorporou o correr de costas à sua rotina diária pelas ruas de Ponta Grossa. Foi assim que uma aposta boba se converteu numa identidade pública, e o morador anônimo da Vila Maracanã passou a ser reconhecido e cumprimentado pelo apelido que ele mesmo transformou em marca, o Rei do Ré.
5 km em 30 minutos: a marca que impressiona
O que mais surpreende quem ouve a história não é só o gesto, mas o número que o acompanha. Correr de costas exige equilíbrio, coordenação e confiança redobrada, e ainda assim Moisés diz cobrir 5 km em torno de 30 minutos nesse sentido invertido. Para efeito de comparação, esse ritmo de cerca de seis minutos por quilômetro seria um desempenho respeitável até para um corredor amador convencional, o que torna a marca de quem corre olhando para trás ainda mais impressionante.
Manter essa velocidade de ré pela cidade não é trivial e revela um preparo construído com prática. O corpo humano não foi desenhado para se locomover para trás em alta velocidade, e dominar esse movimento envolve treinar musculatura, reflexo e percepção de espaço de um jeito diferente do habitual. Por isso, mais do que uma excentricidade, a performance de Moisés é também uma pequena façanha física, fruto da repetição diária que transformou o correr de costas de desafio improvável em habilidade real e mensurável.
Por que correr de costas faz bem, segundo a ciência
O que parece apenas uma esquisitice tem, na verdade, respaldo em estudos esportivos. A chamada corrida reversa, conhecida no exterior como “retro running”, é estudada por preparadores físicos e fisioterapeutas justamente por ativar grupos musculares pouco exigidos na corrida tradicional. De acordo com especialistas citados na Massa, praticar de 10 a 20 minutos de caminhada ou corrida de costas algumas vezes por semana já pode trazer benefícios tanto físicos quanto mentais, melhorando equilíbrio e condicionamento.
Os ganhos vão além do que se imagina à primeira vista. Mover-se para trás tende a reduzir o impacto sobre os joelhos, fortalece a parte posterior das pernas, aprimora a postura e exige um nível de concentração que também trabalha o cérebro. É por isso que a prática aparece em programas de reabilitação e em treinos de atletas mundo afora, o que ajuda a tirar o correr de costas do campo da mera curiosidade e colocá-lo no terreno de uma atividade física com fundamento.
A rotina inusitada que virou estilo de vida

Ele associa a prática diretamente à busca por saúde física e mental, e relata uma percepção curiosa que contraria a intuição de qualquer um. Segundo o próprio Rei do Ré, correr de costas seria até menos cansativo para ele do que correr para frente, uma sensação pessoal que ele transformou no motor de sua rotina inusitada pelas ruas da cidade.
Essa rotina inusitada acabou se tornando parte da paisagem de Ponta Grossa, com horários e trajetos que os vizinhos já reconhecem. O que para os outros é espetáculo, para ele é disciplina, um compromisso diário que mistura esporte, terapia e identidade num gesto só. A constância é o que separa Moisés de quem apenas brinca de andar de ré por alguns metros: ao adotar a rotina inusitada como hábito inegociável, ele construiu tanto o preparo físico quanto a fama que hoje carrega pela cidade.
Como Moisés virou figura e fenômeno viral em Ponta Grossa
Numa era de celulares em punho, era questão de tempo até a cena ser filmada. Vídeos de Moisés correndo de costas pelas avenidas começaram a circular nas redes sociais e rapidamente se espalharam, transformando o morador da Vila Maracanã num fenômeno viral muito além de Ponta Grossa. O contraste entre o gesto improvável e a naturalidade com que ele executa tudo é o ingrediente perfeito para a internet, e foi o que fez o conteúdo viral saltar de perfis locais para páginas com alcance nacional.
A viralização, porém, não apagou o caráter afetivo da história, e talvez seja esse o seu charme. Antes mesmo de virar hit nas redes, Moisés já era figura conhecida na cidade, daquelas que viram ponto de referência e renderam até reportagens na imprensa regional. Quando o vídeo viral explodiu, ele apenas levou para o Brasil inteiro algo que Ponta Grossa já sabia: o Rei do Ré é uma daquelas figuras urbanas que dão personalidade a uma cidade e que as pessoas passam a torcer para encontrar na rua.
Correr de ré é esporte? O futuro que Moisés enxerga
Uma dúvida natural surge diante de tanta dedicação: isso pode virar esporte de verdade? Por enquanto, a corrida de costas não é reconhecida oficialmente como modalidade no Brasil, e permanece num limbo entre o hobby, o exercício e o espetáculo de rua. Ainda assim, Moisés acredita que o correr de costas tem um futuro promissor e sonha com a possibilidade de a prática ganhar reconhecimento até em grandes competições, uma ambição que dá propósito à sua rotina inusitada.
A aposta dele não é totalmente fora da realidade quando se olha para fora do país. Em diferentes partes do mundo já existem provas e até campeonatos de “retro running”, com atletas que competem correndo de ré em distâncias variadas. Se o movimento crescer e se organizar também por aqui, o Rei do Ré de Ponta Grossa estará entre os pioneiros que ajudaram a popularizar o correr de costas no Brasil, transformando uma brincadeira de aposta em algo perto de um esporte.
O que o caso do Rei do Ré de Ponta Grossa mostra
A história de Moisés é leve, simpática e tem aquele frescor que a internet adora, mas também guarda uma lição maior do que aparenta. Ela mostra como um simples desafio pode virar identidade, e como o correr de costas, nascido de uma aposta entre amigos, foi capaz de transformar um morador comum no querido Rei do Ré de Ponta Grossa. Ainda assim, vale manter o pé no chão na hora de tirar conclusões, porque o relato de que a corrida reversa “cansa menos” é uma percepção pessoal de Moisés, e os especialistas recomendam justamente sessões curtas, de 10 a 20 minutos, e não necessariamente 5 km diários no sentido invertido.
Há também um alerta prático que a empolgação não pode esconder. Correr de costas em ruas com trânsito exige cuidado redobrado, já que o corredor não enxerga totalmente o que vem pela frente, e o que funciona para um praticante experiente pode ser arriscado para iniciantes que tentem copiar sem preparo. Ainda assim, poucos casos resumem tão bem o charme das figuras de cidade pequena: bastou uma aposta e muita disciplina para que a rotina inusitada de correr de costas rendesse a Moisés um apelido, uma legião de admiradores e um lugar cativo na memória afetiva de Ponta Grossa.
E você, teria coragem de encarar uma aposta dessas e sair correndo de costas pela sua rua para ver no que dá? Comenta aqui se você já cruzou com alguma figura inusitada como o Rei do Ré na sua cidade e o que ela fazia para chamar tanta atenção.
