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4 astronautas levaram “órgãos em chip” feitos com as próprias células para além da órbita baixa, enquanto a NASA tenta descobrir como radiação profunda e microgravidade podem atacar coração, pulmões, fígado e cérebro antes de uma missão a Marte

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 11/05/2026 às 13:14 Atualizado em 11/05/2026 às 13:17
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NASA envia órgãos em chip feitos com células de astronautas para estudar danos da radiação espacial antes de futuras missões a Marte.
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NASA envia órgãos em chip feitos com células de astronautas para estudar danos da radiação espacial antes de futuras missões a Marte.

Enquanto agências espaciais aceleram os planos para levar humanos de volta à Lua e, no futuro, a Marte, cientistas ainda enfrentam uma pergunta crítica: como o corpo humano reage quando passa dias fora da proteção natural do campo magnético terrestre, exposto à combinação de microgravidade e radiação do espaço profundo? Para investigar esse risco antes de missões interplanetárias mais longas, a NASA levou na Artemis II o experimento AVATAR, sigla para A Virtual Astronaut Tissue Analog Response, com dispositivos de órgãos em chip feitos a partir de células dos próprios astronautas, segundo material oficial divulgado pela agência em 8 de abril de 2026.

O projeto usa pequenos chips, aproximadamente do tamanho de um pendrive, com tecidos humanos cultivados em laboratório para simular funções biológicas reais. No caso da Artemis II, o foco central são chips personalizados com células de medula óssea dos tripulantes, desenvolvidos com participação do Wyss Institute, da Universidade Harvard, e da empresa Emulate, permitindo comparar tecidos enviados ao espaço profundo com amostras equivalentes mantidas na Terra.

Segundo o Wyss Institute, em publicação de 9 de abril de 2026, a ideia é observar alterações celulares, danos ao DNA e respostas biológicas associadas à radiação e à microgravidade.

Projeto da NASA usa mini-órgãos humanos vivos para investigar os riscos biológicos das futuras missões a Marte

Os chamados “órgãos em chip” são dispositivos microscópicos desenvolvidos para reproduzir parcialmente o comportamento de tecidos humanos reais. Segundo a NASA, essas estruturas utilizam células vivas organizadas em microcanais capazes de simular circulação, troca de nutrientes e respostas fisiológicas semelhantes às observadas no corpo humano.

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A ideia é transformar esses chips em pequenos laboratórios biológicos avançados, permitindo observar como células humanas reagem a ambientes extremos sem colocar astronautas diretamente em risco durante as primeiras etapas da pesquisa. Isso também permite monitoramento contínuo em condições que seriam extremamente difíceis de reproduzir na Terra.

Os cientistas esperam que esses modelos revelem alterações celulares invisíveis em missões curtas, mas potencialmente perigosas em viagens que podem durar anos fora da órbita terrestre.

Células dos próprios astronautas da Artemis II foram usadas para criar os órgãos em chip enviados ao espaço

Um dos pontos mais incomuns do experimento é o uso de material biológico dos próprios integrantes da missão Artemis II. Em vez de utilizar células genéricas de laboratório, os pesquisadores produziram os mini-órgãos com células reais da futura tripulação.

Isso permite que os cientistas observem respostas biológicas muito mais próximas do que os astronautas realmente poderão enfrentar durante viagens espaciais profundas. Na prática, os pesquisadores criaram versões microscópicas de tecidos pertencentes aos próprios humanos que serão enviados além da órbita baixa da Terra.

Essa abordagem pode ajudar a identificar diferenças individuais de resistência biológica, já que organismos humanos não respondem da mesma maneira à radiação ou à microgravidade prolongada.

Radiação cósmica profunda preocupa cientistas porque o espaço fora da órbita terrestre é muito mais agressivo

Na órbita baixa, astronautas ainda recebem parte da proteção oferecida pelo campo magnético da Terra. Fora dessa região, porém, o cenário muda completamente. Missões rumo à Lua ou a Marte enfrentam níveis muito maiores de radiação cósmica, partículas solares energéticas e eventos extremos vindos do espaço profundo.

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Os pesquisadores querem descobrir se essa exposição contínua pode danificar tecidos humanos de forma acumulativa ao longo do tempo. Entre as maiores preocupações estão alterações genéticas, aumento de risco de câncer, degeneração neurológica e danos cardiovasculares capazes de comprometer a sobrevivência da tripulação durante missões longas.

O problema se torna ainda mais grave porque, em uma viagem para Marte, astronautas poderiam passar anos longe da Terra sem acesso imediato a hospitais ou tratamentos complexos.

Microgravidade já demonstrou enfraquecer músculos, ossos e sistema cardiovascular de astronautas

Pesquisas anteriores realizadas na Estação Espacial Internacional já mostraram que a ausência de gravidade afeta profundamente o corpo humano. Astronautas podem perder densidade óssea, massa muscular e apresentar alterações na circulação sanguínea após longos períodos em órbita.

Os cientistas agora tentam descobrir se órgãos humanos em miniatura também sofrem mudanças estruturais e funcionais em ambientes de microgravidade contínua. O receio é que tecidos cardíacos, neurais e pulmonares sejam afetados de formas ainda pouco compreendidas.

Isso é especialmente importante porque futuras missões interplanetárias poderão durar muito mais do que qualquer permanência humana já registrada no espaço profundo.

Mini-corações, mini-pulmões e mini-cérebros tentam revelar limites invisíveis da sobrevivência humana no espaço

Os órgãos em chip enviados pela NASA incluem tecidos que simulam funções de coração, pulmões, cérebro, fígado e vasos sanguíneos. Esses sistemas microscópicos conseguem reproduzir respostas biológicas reais em pequena escala, funcionando quase como versões simplificadas de órgãos humanos vivos.

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Quando expostos à radiação e à microgravidade, esses tecidos podem revelar alterações moleculares extremamente difíceis de detectar em humanos durante missões curtas. Pequenas mudanças celulares observadas nos chips podem indicar riscos graves em exposições prolongadas.

Na prática, esses mini-órgãos funcionam como uma linha de defesa científica antes que astronautas reais sejam enviados em jornadas muito mais perigosas.

Inteligência artificial ajuda cientistas a interpretar sinais biológicos extremamente complexos observados no espaço

O experimento gera enormes quantidades de dados relacionados a comportamento celular, expressão genética, metabolismo e alterações fisiológicas microscópicas. Para analisar tudo isso, pesquisadores utilizam sistemas avançados de inteligência artificial capazes de identificar padrões invisíveis em meio ao volume gigantesco de informações.

Esses algoritmos ajudam cientistas a detectar sinais precoces de dano biológico antes que alterações se tornem irreversíveis. Sem esse processamento automatizado, seria praticamente impossível interpretar tantos dados simultaneamente.

A integração entre biotecnologia, IA e exploração espacial mostra como futuras missões dependerão cada vez mais de sistemas híbridos combinando biologia humana e computação avançada.

Missões a Marte podem depender mais da biologia humana do que da potência dos foguetes

Durante décadas, a exploração espacial foi tratada principalmente como um problema de engenharia aeroespacial. Hoje, cientistas começam a perceber que a limitação mais crítica talvez não esteja nos foguetes, mas no próprio corpo humano.

Mesmo que seja possível construir naves capazes de alcançar Marte, ainda existe dúvida sobre se astronautas conseguirão sobreviver biologicamente à exposição prolongada ao ambiente espacial profundo. Questões como degeneração celular, danos neurológicos e efeitos cardiovasculares continuam sem resposta definitiva.

Por isso, experimentos como o AVATAR estão se tornando estratégicos para o futuro da exploração espacial tripulada.

Os órgãos em chip enviados pela NASA podem determinar até onde a humanidade conseguirá viajar no espaço

O aspecto mais impressionante do projeto talvez seja justamente sua função preventiva. Antes de arriscar vidas humanas em viagens extremamente longas, a NASA está utilizando tecidos humanos vivos para mapear os limites biológicos da exploração espacial.

Esses pequenos chips microscópicos podem ajudar a responder perguntas fundamentais sobre sobrevivência humana fora da Terra, incluindo quais órgãos sofrem mais danos, quais tecidos conseguem se adaptar melhor e quais riscos ainda tornam missões profundas perigosas demais.

No fim, os mini-órgãos enviados ao espaço podem acabar decidindo até onde a humanidade conseguirá chegar no Universo sem que o próprio corpo humano se torne o maior obstáculo da exploração espacial.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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