Alunos do Rio Grande do Sul construíram um veleiro de 5 metros com 1,2 mil garrafas PET e navegaram até Montevidéu.
Em janeiro de 2014, alunos do Instituto Estadual Cecy Leite Costa, em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, chamaram atenção ao construir um veleiro de aproximadamente 5 metros de comprimento por 2 metros de largura utilizando materiais recicláveis e estruturas simples. O projeto fazia parte da iniciativa “Navegar Rio Passo Fundo, da nascente ao mar”, criada para estudar fauna, flora e condições ambientais do rio Passo Fundo através de uma expedição prática.
O dado que mais impressionou foi a composição da embarcação. Segundo a Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul, o casco recebeu revestimento de taquaras, enquanto o fundo foi preenchido com cerca de 1,2 mil garrafas PET. A vela também fugia do convencional: ela foi confeccionada com tecido reaproveitado de guarda-chuvas e sombrinhas.
O objetivo do grupo era navegar aproximadamente 1,2 mil quilômetros desde o norte do Rio Grande do Sul até Montevidéu, no Uruguai, passando pelo rio Uruguai até chegar ao encontro com o Oceano Atlântico. A expedição transformou um projeto escolar em uma das histórias mais curiosas envolvendo reciclagem, navegação e educação ambiental no Brasil.
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Veleiro de 5 metros nasceu dentro de um projeto ambiental criado por alunos gaúchos
O projeto “Navegar Rio Passo Fundo, da nascente ao mar” surgiu com a proposta de aproximar estudantes do contato direto com os rios da região e dos estudos ambientais fora da sala de aula.
Em vez de limitar a iniciativa a pesquisas teóricas, o grupo decidiu construir uma embarcação real utilizando materiais reaproveitados. A ideia era percorrer longos trechos do rio enquanto observavam fauna, vegetação e qualidade da água ao longo do trajeto.
O projeto reuniu alunos, voluntários e o professor Antônio Carlos Rodrigues, que participou diretamente da construção do veleiro e da organização da expedição.
Cerca de 1,2 mil garrafas PET foram usadas no fundo da embarcação
O aspecto mais impressionante do projeto estava justamente na estrutura do veleiro. O fundo da embarcação recebeu aproximadamente 1,2 mil garrafas PET, utilizadas para ajudar na flutuação do conjunto.

Segundo a Secretaria da Educação do RS, o casco foi revestido com taquaras, enquanto a vela foi feita utilizando tecido reaproveitado de guarda-chuvas e sombrinhas.
A combinação entre materiais simples, reaproveitamento e criatividade transformou o barco em uma das experiências mais curiosas envolvendo reciclagem e navegação no país.
Embarcação tinha capacidade para até seis pessoas durante a expedição
O veleiro construído pelos alunos possuía capacidade para aproximadamente cinco a seis pessoas e peso estimado entre 150 kg e 180 kg.
Mesmo sendo um projeto escolar, a embarcação passou por diversas etapas de avaliação antes da viagem principal. O grupo realizou testes sucessivos no rio Passo Fundo para verificar estabilidade e funcionamento do conjunto.
A preparação foi considerada fundamental porque a expedição envolveria uma navegação longa em diferentes trechos fluviais.
Sete etapas de testes foram realizadas antes da viagem até Montevidéu
Antes de iniciar a expedição principal, o veleiro passou por sete etapas de testes nas águas do rio Passo Fundo, desde a nascente até a divisa com Santa Catarina.
Esses testes serviram para avaliar comportamento da embarcação, equilíbrio, resistência da estrutura e adaptação do grupo à navegação. Somente após essas fases o projeto iniciou a jornada principal rumo ao Uruguai.
A viagem começou oficialmente no dia 8 de janeiro de 2014. O grupo iniciou a navegação em Iraí, no extremo norte do Rio Grande do Sul, seguindo pelo rio Uruguai em direção ao sul.
O destino final era Montevidéu, capital uruguaia, após o trajeto alcançar o encontro com o Oceano Atlântico. A distância estimada da jornada era de aproximadamente 1,2 mil quilômetros.
A expedição transformou um projeto escolar em uma travessia ambiental de longa distância.
Grupo utilizou barco de apoio, motores e estrutura terrestre durante a jornada
Embora o veleiro fosse o símbolo central do projeto, a viagem contou com estrutura de apoio para garantir segurança ao grupo.
Segundo a reportagem da Secretaria da Educação, a equipe de navegação era composta por oito pessoas, enquanto outras seis davam suporte em terra utilizando duas vans.
O grupo também possuía barco de apoio, motores a gasolina, remos e equipamentos de segurança durante a expedição.
Projeto ambiental coletava informações sobre água, vegetação e fauna
A viagem não tinha apenas objetivo simbólico. Durante o percurso, os participantes realizaram análises e observações ambientais em diferentes trechos do rio.

Segundo a Secretaria da Educação do RS, um relatório final seria entregue ao Ministério Público, à prefeitura e ao comitê de gerenciamento da bacia hidrográfica do rio Passo Fundo.
O documento incluiria informações sobre qualidade da água, vegetação, fauna e situação ambiental observada ao longo da jornada.
Materiais simples transformaram o veleiro em uma das embarcações mais curiosas do projeto
O contraste entre simplicidade dos materiais e tamanho da viagem chamou atenção na época. O projeto utilizou garrafas PET, taquaras, tecido reaproveitado e estrutura artesanal para criar um veleiro capaz de percorrer centenas de quilômetros.
A imagem da embarcação navegando pelos rios do sul do Brasil ajudou a transformar a iniciativa em uma das histórias mais curiosas envolvendo reciclagem e educação ambiental no país.
O projeto também ganhou destaque por mostrar uma aplicação prática para materiais normalmente associados apenas ao descarte.
Veleiro construído por alunos gaúchos continua sendo exemplo de criatividade aplicada à reciclagem
Mesmo mais de uma década depois, a história continua chamando atenção pelo tamanho da expedição e pela estrutura incomum do barco.
Transformar cerca de 1,2 mil garrafas PET em parte de um veleiro de 5 metros que navegou até Montevidéu criou uma das imagens mais marcantes envolvendo reaproveitamento de resíduos no Brasil.
No fim, o projeto mostrou que criatividade, trabalho coletivo e reaproveitamento de materiais conseguiram transformar uma atividade escolar em uma expedição real pelos rios da América do Sul.
