Nova arquitetura defensiva combina inovação tecnológica, reorganização da Força Aérea e resposta rápida a ameaças de curto alcance, enquanto Kiev se prepara para uma possível ofensiva russa de grandes proporções nos próximos dias
A Ucrânia iniciou uma profunda reformulação de seu sistema de defesa aérea diante da perspectiva de novos ataques russos em larga escala. O anúncio foi feito pelo presidente Volodymyr Zelensky, que confirmou a introdução de um novo componente operacional baseado em grupos móveis de tiro, drones interceptadores e meios de defesa aérea de curto alcance. A mudança ocorre após uma recente onda de ataques que afetou diretamente o fornecimento de energia elétrica e aquecimento em milhares de edifícios residenciais, sobretudo na capital, Kiev.
Segundo Zelensky, a estratégia representa uma “nova abordagem” no uso das defesas aéreas da Força Aérea ucraniana. Em pronunciamento noturno em vídeo, o presidente afirmou que o sistema atual será transformado para garantir maior agilidade, flexibilidade e capacidade de resposta diante de ameaças múltiplas e simultâneas. A decisão surge em um contexto de pressão crescente sobre a infraestrutura crítica do país, alvo recorrente de mísseis e drones russos desde o início do conflito.
A informação foi divulgada por veículos da imprensa internacional que acompanham de perto os desdobramentos da guerra, com base em declarações oficiais do governo ucraniano e comunicados da presidência.
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Reorganização da Força Aérea e foco em curto alcance
Como parte dessa reestruturação, Zelensky anunciou a nomeação de Pavlo Yelizarov como novo vice-comandante da Força Aérea. Ele será o responsável direto por supervisionar, desenvolver e implementar as inovações no sistema de defesa aérea. A escolha indica uma aposta clara em liderança técnica e foco operacional para acelerar a adaptação do país ao novo cenário de ameaças.
O conceito central do novo modelo envolve pequenos grupos móveis capazes de se deslocar rapidamente e empregar drones interceptadores e armas de curto alcance. Essa configuração busca aumentar a eficiência contra ataques com drones kamikaze e mísseis de cruzeiro, que costumam explorar brechas na cobertura tradicional de defesa aérea. Além disso, o uso de sistemas mais baratos e flexíveis permite uma resposta economicamente sustentável ao desgaste prolongado do conflito.
A Ucrânia desenvolveu sua indústria de drones de forma acelerada desde fevereiro de 2022, quando a Rússia lançou a invasão em grande escala. Os drones interceptadores passaram a ser destacados pelas autoridades como uma solução eficaz e de menor custo para neutralizar ameaças aéreas, especialmente em ataques massivos.
Alerta máximo diante de possível ofensiva russa
Durante suas declarações, Zelensky alertou a população para manter um nível extremo de vigilância. Segundo ele, a inteligência ucraniana identificou sinais claros de preparação russa para um novo ataque de grandes proporções. “A Rússia se preparou para um ataque massivo e está aguardando o momento para realizá-lo”, afirmou o presidente, pedindo que todas as regiões estejam prontas para reagir rapidamente e auxiliar a população civil.
O alerta foi reforçado pelo ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, que informou que Moscou vem realizando reconhecimento de alvos específicos. Entre os principais pontos de atenção estão subestações elétricas que abastecem usinas nucleares, o que eleva o risco de impactos sistêmicos sobre o fornecimento de energia e a segurança nacional.
Paralelamente, Zelensky determinou que a primeira-ministra Yulia Svyrydenko tome decisões ainda nesta semana para mitigar os efeitos dos ataques recentes. As medidas incluem bônus financeiros para dezenas de milhares de profissionais de emergência envolvidos na restauração do aquecimento e da eletricidade, reconhecendo o papel crucial desses trabalhadores na manutenção dos serviços essenciais em meio à guerra.
Fonte: Valor/Globo
