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Você cresceu ouvindo que o café bom do Brasil vai todo para fora e o ruim fica para o brasileiro mas essa história mudou completamente e os números mostram que nos anos 80 trinta por cento do café vendido aqui era fraudado com milho e cevada

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 28/03/2026 às 12:51
Atualizado em 28/03/2026 às 12:54
Nos anos 80, 30% do café vendido no Brasil era fraudado com milho e cevada. Essa história mudou. Hoje, cafés especiais brasileiros competem com os melhores do mundo.
Nos anos 80, 30% do café vendido no Brasil era fraudado com milho e cevada. Essa história mudou. Hoje, cafés especiais brasileiros competem com os melhores do mundo.
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O café que o brasileiro tomava nos anos 80 chegava a ter 30% de fraude com milho, cevada e outros grãos torrados misturados ao produto, mas o mercado interno passou por uma transformação que elevou a qualidade do café consumido no Brasil ao ponto de cafés especiais brasileiros hoje competirem com os melhores do mundo em concursos internacionais

Se você cresceu no Brasil, provavelmente ouviu a frase de que o café bom vai todo para fora e o que sobra para o brasileiro é o refugo. Durante décadas, isso foi verdade. Nos anos 80, pesquisas da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) revelaram que cerca de 30% do café vendido no mercado interno brasileiro era fraudado com milho torrado, cevada, cascas e outros grãos que nada tinham a ver com café. O consumidor tomava uma bebida escura e amarga achando que era café puro, e na maioria dos casos não era.

Mas essa história mudou. O que poucos brasileiros perceberam é que o mercado interno de café passou por uma transformação profunda nas últimas três décadas. O Programa de Qualidade do Café da ABIC, criado nos anos 90, combateu as fraudes e forçou a indústria a oferecer um produto genuíno. Hoje, o café que o brasileiro toma é incomparavelmente melhor do que o dos anos 80, e cafés especiais produzidos no Brasil competem em igualdade com os melhores do mundo em concursos internacionais.

O café que o brasileiro tomava nos anos 80 nem sempre era café

O Brasil é o maior produtor de café do mundo desde o século XIX. Mas durante boa parte do século XX, a lógica comercial era simples: os melhores grãos iam para a exportação porque pagavam mais, e o mercado interno ficava com o que não tinha qualidade para ser vendido fora.

O café destinado ao consumo interno era composto por grãos defeituosos, quebrados, fermentados e, em muitos casos, misturado com matérias estranhas como milho, cevada e cascas torradas.

Nos anos 80, a situação atingiu o ponto mais crítico. Levantamentos da ABIC identificaram que até 30% das amostras analisadas continham adulterações. O consumidor brasileiro não tinha como saber o que estava dentro do pacote porque não existia fiscalização efetiva nem selo de qualidade.

O resultado era uma xícara de café amarga, escura e sem aroma que as pessoas bebiam por hábito, mas que tinha pouco a ver com o sabor real do café. A fraude era tão disseminada que se tornou parte da cultura: muitos brasileiros cresceram achando que café era naturalmente amargo e ruim.

O programa que mudou a qualidade do café no mercado brasileiro

A virada começou nos anos 90, quando a ABIC criou o Programa de Qualidade do Café (PQC). O objetivo era combater as fraudes, estabelecer padrões mínimos de pureza e criar um selo que permitisse ao consumidor identificar produtos genuínos.

O programa introduziu análises laboratoriais sistemáticas que detectam a presença de milho, cevada e outros grãos estranhos nas amostras de café. As marcas que não atingiam os padrões eram excluídas do selo.

O impacto foi gradual, mas real. À medida que o selo de qualidade ganhou visibilidade, os consumidores passaram a preferir marcas certificadas, forçando a indústria a se adequar.

Torrefadoras que antes vendiam café adulterado foram obrigadas a melhorar ou perderam espaço no mercado.

O índice de fraude, que chegava a 30% nos anos 80, caiu drasticamente ao longo das décadas seguintes. O café que chegava à mesa do brasileiro começou a ser, de fato, café.

O café especial brasileiro que hoje compete com os melhores do mundo

Enquanto a qualidade básica do café no mercado interno melhorava, outro fenômeno acontecia em paralelo: a ascensão dos cafés especiais brasileiros.

Regiões como Cerrado Mineiro, Alta Mogiana, Chapada Diamantina, Sul de Minas e Espírito Santo passaram a produzir grãos de alta qualidade avaliados acima de 80 pontos na escala da Specialty Coffee Association (SCA).

Cafés brasileiros começaram a ganhar prêmios em concursos internacionais, algo que teria sido impensável quando 30% do café vendido no país era adulterado.

O mercado interno de café especial também cresceu. Cafeterias de terceira onda se espalharam pelas capitais, e o consumidor brasileiro passou a valorizar características como origem, altitude, processo de secagem e perfil sensorial.

O mesmo país que vendia café misturado com milho para o próprio povo agora produz microlotes que competem em pé de igualdade com cafés da Etiópia, Colômbia e Guatemala.

A transformação foi completa, mas aconteceu de forma tão gradual que muitos brasileiros ainda repetem a frase de que o café bom vai todo para fora.

Por que muitos brasileiros ainda acreditam que o café bom vai todo para exportação

A crença de que o melhor café brasileiro é exportado e o pior fica para o mercado interno tem raízes históricas reais. Durante décadas, isso de fato aconteceu, e a memória coletiva preserva essa informação mesmo depois que a realidade mudou.

O problema é que a frase ficou presa nos anos 80 enquanto o mercado de café brasileiro evoluiu de forma radical nas décadas seguintes.

Hoje, o Brasil é simultaneamente o maior produtor e o segundo maior consumidor de café do mundo. O volume consumido internamente é enorme, e a qualidade do café disponível para o brasileiro é incomparavelmente superior à dos anos 80.

Cafés especiais que antes eram exclusivos para exportação agora estão disponíveis em torrefadoras locais, supermercados e cafeterias em todo o país. A narrativa de que o bom vai para fora ainda existe, mas os dados não a sustentam mais.

O que mudou da xícara dos anos 80 para a xícara de 2026

A diferença entre o café que o brasileiro tomava nos anos 80 e o que ele pode tomar hoje é a diferença entre um produto fraudado e um dos melhores do mundo.

Nos anos 80, o café do mercado interno tinha até 30% de adulteração. Em 2026, o consumidor brasileiro tem acesso a cafés especiais premiados internacionalmente, com rastreabilidade de origem e perfil sensorial definido.

Essa transformação não aconteceu sozinha. Foi resultado de fiscalização, programas de qualidade, competição entre torrefadoras e um consumidor que, aos poucos, passou a exigir mais.

O café deixou de ser apenas uma commodity exportada a granel e se tornou um produto de valor agregado no próprio país que o produz. O maior produtor de café do mundo finalmente aprendeu a beber café de verdade.

A história do café brasileiro é maior do que a frase que você cresceu ouvindo

A frase de que o café bom vai todo para fora e o ruim fica para o brasileiro já foi verdade. Nos anos 80, 30% do café vendido aqui era fraudado com milho e cevada.

Mas o mercado mudou, a fiscalização melhorou e o café que o brasileiro toma em 2026 é incomparavelmente melhor.

Cafés especiais do Brasil ganham prêmios internacionais e estão disponíveis para qualquer pessoa que queira provar.

A história do café brasileiro não termina na frase que seus pais repetiam: ela continua sendo escrita a cada safra.

Você ainda acredita que o café bom vai todo para fora? Já experimentou um café especial brasileiro? Ou acha que o café do supermercado continua igual ao dos anos 80? Deixe nos comentários e compartilhe este artigo com quem ama café e precisa conhecer essa história.

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Marcos Luis Soares
Marcos Luis Soares
29/03/2026 10:03

Para o brasileiro, acostumado a ser enganado, sendo conhecedor dos altos níveis de falcatruas existentes entre as linhas de produção e os órgãos de fiscalização, além de expectador frequente dos acordos por baixo dos panos entre órgãos do governo e empresas, para maximização dos lucros e recebimento de propinas, fica extremamente difícil acreditar num processo de fiscalização que é realizado de forma pouco visível, pouco acessível e de verificação duvidosa. A base histórica das fiscalizações e processos de verificação de qualidade no Brasil ainda está longe de alcançar a desejada credibilidade por parte dos brasileiros. A confiança é conquistada com trabalho duro, persistente, muita informação, muita exposição, muita transparência e investimento! Esse investimento se veria na Elevação das taxas de amostragem, fiscalizações intempestivas, profundas, explícitas e aleatórias, otimização dos métodos de análise qualitativa de grãos in natura, grãos torrados, grãos torrados e moídos e café pronto! Infelizmente ainda não é possível ver estes itens na produção do café brasileiro para consumo interno. Comprar selo, comprar certificado, comprar registro, é comum no Brasil. O brasileiro é exímiocriador de meios para enganar, esconder e fabricar verdades, infelizmente.

Ainda espero alcançar dias, em que o café do Brasil alcance, de fato, qualidade, fidelidade e verdade, para o povo brasileiro.

Escrevo com muita tristeza, torcendo para me provarem que estou errado.

José Nery Pereira
José Nery Pereira
28/03/2026 19:27

ABIC era picaretagem, se melhorou, foi agora. Como o quilo do café torrado até hoje é igual ao grão crú, torrando quebra de dez a Quinze por por cento.?
Não tem mágica…
E o imposto, frete, lucro????

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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