1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / Vila suíça é engolida por milhões de toneladas de rocha e gelo depois que uma montanha colapsa sobre geleira, lançando avalanche de lama a cerca de 200 km/h e transformando Blatten em símbolo extremo do risco nos Alpes enquanto outro glaciar no mesmo vale entra em alerta
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

Vila suíça é engolida por milhões de toneladas de rocha e gelo depois que uma montanha colapsa sobre geleira, lançando avalanche de lama a cerca de 200 km/h e transformando Blatten em símbolo extremo do risco nos Alpes enquanto outro glaciar no mesmo vale entra em alerta

Escrito por Ana Alice
Publicado em 28/05/2026 às 23:07
Assista o vídeoVila suíça de Blatten foi soterrada por rocha e gelo após colapso de glaciar nos Alpes, reacendendo alerta científico. (Imagem: Ilustrativa)
Vila suíça de Blatten foi soterrada por rocha e gelo após colapso de glaciar nos Alpes, reacendendo alerta científico. (Imagem: Ilustrativa)
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
13 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Desastre em Blatten voltou a chamar atenção para glaciares instáveis, vilas alpinas e monitoramento de risco em uma região onde rochas, gelo e degelo podem alterar rapidamente a paisagem.

A destruição de Blatten, pequena vila alpina no cantão de Valais, na Suíça, passou a ser citada por especialistas como um exemplo da combinação entre instabilidade de encostas, perda de gelo e riscos naturais em regiões de alta montanha.

Em 28 de maio de 2025, parte do glaciar Birch colapsou após receber uma grande carga de rochas desprendidas do Kleines Nesthorn, formando uma avalanche de gelo, lama e detritos que atingiu o vale de Lötschental.

Cerca de 300 moradores haviam sido retirados da área antes do impacto, medida que reduziu o número de vítimas.

Ainda assim, uma pessoa morreu.

Autoridades suíças e registros posteriores apontaram que grande parte da vila foi soterrada ou destruída pela massa de material que desceu a encosta em poucos segundos.

O caso voltou ao centro das atenções porque outro glaciar do mesmo vale, o Oigschtchummun, passou a ser acompanhado com mais rigor.

Localizado acima de Fafleralp, a poucos quilômetros da área afetada em Blatten, ele apresentou pequenos colapsos isolados e mudanças observadas por satélite e por equipes em campo.

Até o momento, autoridades do cantão de Valais afirmam que o risco é limitado.

O que ocorreu em Blatten

A sequência que levou à destruição de Blatten não começou apenas no momento do colapso principal.

Antes da avalanche, trechos instáveis do Kleines Nesthorn despejaram rochas sobre o glaciar Birch.

Esse material acrescentou peso à superfície do gelo e alterou a dinâmica do glaciar.

Com a pressão adicional, parte do gelo se rompeu e arrastou rochas, lama e água pela encosta.

A mistura avançou pelo vale em alta velocidade, estimada em cerca de 200 km/h, até atingir a área ocupada pela vila.

Estudos científicos publicados após o desastre descrevem o evento como o soterramento de Blatten e de áreas próximas por cerca de 20 milhões de toneladas de rocha e gelo.

O volume envolvido ajuda a explicar por que a área permaneceu com acesso restrito e por que a avaliação completa dos danos exige monitoramento contínuo.

Em eventos desse tipo, segundo geólogos e glaciologistas, a massa em movimento pode reunir gelo fragmentado, blocos de rocha, lama e água de degelo.

Essa composição permite que o fluxo desça rapidamente por canais naturais, ultrapasse obstáculos e atinja áreas no fundo do vale em intervalo curto.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Glaciar Oigschtchummun entra no radar

O Oigschtchummun fica em uma área menos habitada que Blatten, mas sua posição no alto do vale exige acompanhamento.

Autoridades locais informaram que a língua do glaciar avançou lentamente desde o inverno europeu, o que levantou preocupação sobre a possibilidade de gelo e detritos alcançarem trechos da estrada cantonal entre Blatten e Fafleralp.

Para acompanhar a evolução do terreno, equipes suíças passaram a usar dados de satélite, voos de reconhecimento, sensores LiDAR e uma câmera fixa instalada para observação contínua.

O objetivo é medir variações na superfície do gelo, identificar rupturas e estimar possíveis volumes de material instável.

Como medida preventiva, trechos de estrada e trilhas na parte alta do Lötschental foram fechados.

A decisão também pode afetar atividades turísticas em Fafleralp, região procurada por visitantes durante a temporada de caminhadas.

Semelhanças com o glaciar Birch

Especialistas ouvidos pela Swissinfo apontam que há características semelhantes entre o Oigschtchummun e o Birch, como tamanho, exposição e inclinação.

O glaciologista Matthias Huss, diretor da rede suíça de monitoramento de glaciares, afirmou que o Oigschtchummun também apresentou aumento de espessura na parte frontal, enquanto áreas superiores perderam gelo.

Segundo Huss, esse comportamento pode indicar aceleração do fluxo de gelo, fenômeno observado no Birch antes do colapso.

Ele ponderou, porém, que a aceleração de um glaciar pode ter várias causas e normalmente não resulta em desintegração completa.

Autoridades do serviço de desastres naturais de Valais também afirmaram que os primeiros dados não indicam um deslizamento sobre o glaciar em escala semelhante ao registrado no Kleines Nesthorn.

Até agora, os voos de reconhecimento não identificaram sinais de uma carga de rochas comparável à que contribuiu para o desastre de Blatten.

O glaciologista Christian Huggel, da Universidade de Zurique, avaliou que há paralelos entre os casos, mas destacou uma diferença central.

De acordo com ele, o Oigschtchummun não tem ao lado uma montanha equivalente ao Kleines Nesthorn, capaz de despejar uma quantidade muito grande de rocha sobre o gelo e levar o glaciar ao colapso.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Aquecimento, permafrost e risco nos Alpes

Nos Alpes, cientistas acompanham há décadas a redução de glaciares e a degradação do permafrost, camada de solo ou rocha que permanece congelada por longos períodos.

Quando essa estrutura perde estabilidade, encostas íngremes podem ficar mais sujeitas a quedas de blocos e deslizamentos.

No caso de Blatten, especialistas descrevem o desastre como resultado de uma cadeia de processos.

Rochas instáveis caíram sobre o gelo, o glaciar passou a se mover sob pressão adicional e a presença de água de degelo pode ter facilitado o deslocamento da massa.

Embora o aquecimento seja apontado por pesquisadores como um fator de risco em áreas alpinas, a atribuição de um evento específico depende de análises locais.

Geologia, inclinação, volume de detritos, temperatura, água disponível e histórico de instabilidade precisam ser considerados em conjunto.

Por isso, o desastre de Blatten tem sido analisado como um caso de risco em cascata.

Em vez de um único gatilho, a ocorrência reuniu processos de montanha que se somaram até produzir uma avalanche de grandes proporções.

Monitoramento em áreas de montanha

A retirada antecipada dos moradores de Blatten mostrou a importância dos sistemas de vigilância em regiões alpinas.

Antes do colapso, sinais de instabilidade permitiram a evacuação da população e de animais, reduzindo a exposição direta ao fluxo de detritos.

Mesmo após o desastre, parte da região continuou inacessível por causa do risco de novos movimentos de massa.

A reconstrução e a volta de moradores dependem de avaliações técnicas, obras de segurança e decisões das autoridades locais.

No vale de Lötschental, o acompanhamento do Oigschtchummun indica como o monitoramento passou a fazer parte da gestão cotidiana de risco.

Em áreas onde glaciares, encostas e vilas dividem o mesmo espaço, a observação contínua pode determinar quando fechar uma estrada, retirar moradores ou limitar a circulação de visitantes.

A tragédia de Blatten também ampliou o debate sobre comunidades instaladas em zonas de montanha.

Para cientistas, gestores públicos e moradores, a questão deixou de ser apenas reconstruir o que foi perdido e passou a envolver a adaptação a um ambiente em transformação.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x