Imagens registradas em 16 de maio de 2025 na Reserva Presidencial de Castelporziano, a cerca de 25 quilômetros de Roma, mostram uma raposa vermelha entrando em uma toca de lobos-cinzentos e saindo com um filhote de apenas um mês na boca, evento raro documentado por cientistas durante monitoramento de longo prazo da espécie
Imagens inéditas registraram o momento em que uma raposa vermelha entrou em uma toca e capturou um filhote de lobo cinzento de um mês de idade na Reserva Presidencial de Castelporziano, na Itália. O episódio foi documentado por cientistas que monitoravam lobos na área.
Câmeras registram raposa vermelha entrando em toca de lobos
O registro foi feito em 16 de maio de 2025 durante um projeto científico que acompanha lobos-cinzentos na reserva natural localizada a cerca de 25 quilômetros de Roma. O vídeo mostra uma raposa vermelha entrando diretamente em uma toca usada por uma loba.
Câmeras posicionadas na área haviam registrado, poucos dias antes, dois filhotes machos explorando o entorno da toca. Os pesquisadores monitoravam a família após identificarem sinais de que a fêmea havia dado à luz recentemente.
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Segundo os cientistas, a suspeita surgiu quando a loba apareceu com o abdômen inchado. Dados de GPS mostraram que ela visitava repetidamente uma toca secundária, comportamento que indicava a presença de filhotes.
Ataque da raposa vermelha foi capturado pelas câmeras
No vídeo, a raposa vermelha entra na toca enquanto os filhotes estavam dentro do abrigo subterrâneo. O primeiro filhote consegue escapar imediatamente após a invasão.
Segundos depois, a raposa aparece novamente na entrada da toca carregando um dos filhotes na boca. A gravação termina abruptamente nesse momento, sem mostrar o que aconteceu em seguida.
Os pesquisadores afirmam que o desfecho não aparece nas imagens. Mesmo assim, consideram provável que o filhote tenha sido consumido pela raposa.
Estudo foi publicado em revista científica
A observação foi documentada em um estudo publicado em 13 de fevereiro na revista científica Current Zoology. O trabalho integra um projeto de longo prazo voltado para compreender melhor os lobos que vivem na Itália.
A pesquisa é liderada por Marco Apollonio, pesquisador da Universidade de Sassari. O estudo acompanha reprodução, sobrevivência e comportamento das populações de lobos em diferentes áreas do país.
Celeste Buelli, doutoranda da mesma universidade e autora principal do estudo, liderou o trabalho de campo e o monitoramento das tocas. Segundo ela, acompanhar nascimento e sobrevivência de filhotes é essencial para entender a dinâmica populacional dos lobos.
Mortalidade entre filhotes de lobo pode chegar a 60%
Dados citados pelos pesquisadores indicam que a mortalidade entre filhotes de lobo é elevada. Aproximadamente 40% a 60% dos filhotes morrem todos os anos.
As principais causas costumam ser fome, doenças, condições climáticas extremas e má condição física. O vídeo sugere que a predação também pode contribuir, ainda que em menor escala, para essas perdas.
Buelli afirmou que registros diretos da morte de filhotes são raros. Isso ocorre porque eles passam grande parte do tempo dentro de tocas subterrâneas, que são difíceis de monitorar continuamente.
Cientistas discutem comportamento da raposa vermelha
Rudy Brogi, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Sassari, afirmou que a raposa vermelha provavelmente se alimentou do filhote capturado. Segundo ele, as raposas são predadoras oportunistas.
Esse comportamento significa que elas não dependem de um único tipo de presa. A dieta costuma variar conforme os recursos disponíveis no ambiente.
Brogi também mencionou outra possibilidade para o comportamento observado. Em teoria, a raposa poderia estar eliminando competidores da área.
Ele considera essa hipótese improvável. Segundo o pesquisador, raposas às vezes se beneficiam da presença de lobos ao consumir restos de presas deixados por eles.
Evento pode ser mais comum do que o registrado
Após o episódio, novas imagens mostraram apenas um filhote próximo à toca. Isso reforça a hipótese de que o animal capturado pela raposa não sobreviveu.
David Macdonald, zoólogo da Universidade de Oxford que não participou do estudo, afirmou que espécies rivais podem matar ou predar umas às outras. No entanto, esse tipo de interação costuma envolver canídeos maiores atacando os menores.
Os pesquisadores afirmam que não é possível determinar se o comportamento da raposa vermelha é comum com base em um único registro. Segundo Brogi, é plausível que episódios semelhantes ocorram com mais frequência.
Ele afirma que novas pesquisas serão necessárias para confirmar essa possibilidade. Para isso, será preciso monitorar múltiplas tocas e diferentes contextos ecológicos.

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