A vespa invasora conhecida como mosca serra ziguezague do olmo, com menos de um centímetro, se reproduz sem machos e já se espalhou por 15 estados desde 2020, do Canadá à Carolina do Norte, atacando olmos e zelkovas e viajando presa a caminhões e lenha em espelhos e rodas também
A vespa invasora composta exclusivamente por fêmeas entrou no radar de biólogos após ser detectada na América do Norte em 2020 e, em pouco mais de cinco anos, expandir sua presença por uma faixa ampla do continente. O inseto mede menos de um centímetro, produz apenas filhas e deixa marcas delicadas em ziguezague nas folhas, que podem evoluir para desfolhamento severo.
O avanço preocupa porque atinge olmos e também árvores plantadas como substitutas em cidades que ainda lidam com perdas históricas de cobertura arbórea. Em 9 de janeiro de 2026, o cenário foi descrito como uma segunda onda de pressão sobre áreas urbanas onde olmos já haviam sido dizimados por uma doença fúngica no século passado.
Quem é a praga e por que ela engana pelo nome

A vespa invasora é conhecida como mosca serra ziguezague do olmo, mas não é uma mosca.
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Trata se de uma vespa serra do olmo chamada Aproceros leucopoda, originária do Leste Asiático, identificada no continente com expansão descrita como “alarmante” por pesquisadores.
O nome popular vem do padrão de alimentação: as larvas recém eclodidas cortam linhas em ziguezague no tecido da folha.
Em algumas áreas, o desenho aparece como cicatrizes claras; em outras, a alimentação progride até deixar a árvore quase completamente nua.
Disseminação acelerada em 15 estados e um mapa que não para de crescer

Em pouco mais de cinco anos, a vespa invasora se espalhou por 15 estados dos Estados Unidos, indo de New Hampshire a Minnesota e descendo até a Carolina do Norte.
A entomologista Kelly Oten, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, em Raleigh, relata que o avanço foi tão rápido que “só restava adicionar Indiana” em seu mapa de avistamentos.
O território disponível é vasto porque olmos nativos cobrem grande parte do leste dos Estados Unidos e do Canadá.
A expectativa indicada é de mais registros em 2026, com relatos surgindo em novos condados e possivelmente em mais estados.
Reprodução sem machos e a lógica cruel da partenogênese
O motor biológico dessa expansão é uma estratégia reprodutiva chamada partenogênese telitóquica.
Nela, as fêmeas depositam ovos não fertilizados que geram apenas mais fêmeas, o que permite que uma única introdução dê origem a uma infestação inteira.
Na prática, isso significa que um único ovo transportado acidentalmente pode iniciar um novo foco.
Até agora, nenhum macho foi encontrado, reforçando o padrão de reprodução exclusivamente feminina.
Do ziguezague “fofo” ao desfolhamento quase total
O início pode parecer discreto, com padrões finos em ziguezague.
Mas, à medida que as larvas amadurecem, a vespa invasora pode provocar desfolhamento severo e deixar a árvore quase nua, reduzindo a área foliar e aumentando o estresse fisiológico.
Ainda existe incerteza sobre o desfecho: no momento, não está claro se o ataque mata a árvore ou se apenas a estressa de forma intensa, enfraquecendo a resistência e abrindo caminho para novos problemas.
Olmos não são o único alvo e a zelkova entra no jogo
Para testar se a vespa invasora atacaria além dos olmos, a equipe de Oten plantou zelkovas japonesas (Zelkova serrata) perto de um local infestado em Ohio.
Muitas cidades passaram a plantar zelkovas por serem parentes do olmo e aparentarem resistência à doença holandesa do olmo, a doença fúngica que matou dezenas de milhões de olmos americanos no século passado.
Os pesquisadores observaram a vespa depositando ovos, alimentando se, pupando e emergindo como adulta em mudas de zelkova, que soltam folhas mais cedo na primavera.
Depois, com o avanço da estação, a praga voltou aos olmos, sugerindo que a zelkova pode funcionar como hospedeira alternativa quando a folhagem do olmo não está disponível.
A entomologista florestal Véronique Martel, do Ministério de Recursos Naturais do Canadá, considera raro esse tipo de troca de hospedeiro e avalia que a capacidade pode tornar a espécie ainda mais bem sucedida, permitindo multiplicação mais cedo e muitas gerações em um verão.
Carona humana, lenha e caminhões levando a praga além do limite natural
Além da biologia, entram os cúmplices involuntários.
O alcance natural de dispersão anual é estimado entre 45 e 90 quilômetros, mas a vespa invasora tem sido encontrada viajando muito além disso.
A equipe documentou casulos com pupas agarrados a espelhos retrovisores e caixas de roda de caminhões.
Isso permite que o inseto atravesse longas distâncias sem precisar voar, saltando de uma região para outra.
Há também a suspeita de que a praga tenha chegado à América do Norte escondida no solo de uma planta doméstica.
O que já está sendo testado e o que moradores podem fazer agora
Oten está testando pesticidas para ajudar proprietários a proteger árvores.
Os primeiros testes com dois inseticidas aplicados no solo foram descritos como promissores, com expectativa de divulgação de resultados completos em alguns meses.
Enquanto isso, a recomendação prática é direta: verificar veículos antes de sair de áreas infestadas, procurando casulos presos a partes externas, e relatar padrões em ziguezague nas folhas aos escritórios locais de extensão rural.
Em cidades já marcadas por perdas históricas de olmos, a detecção precoce vira parte do controle.
Na sua região, você acha que a vespa invasora será contida com inspeção de veículos e resposta rápida, ou a carona em carros e lenha vai tornar essa crise florestal inevitável?


É de se preocupar, os institutos brasileiros, precisam conter está vespa,e estuda-la, antes que ela venha em containers dos EUA e de outros continentes!
Fica a alerta!