Na maior feira industrial do mundo, a Vale coloca o futuro com IA no centro do estande e conecta mineração, transição energética, inovação e proteção ambiental na Amazônia
A mineradora Vale participou da Hannover Messe, na Alemanha, apontada como a maior feira industrial do mundo, para apresentar o que chama de “mineração do futuro”, com menos impacto ambiental e mais tecnologia. A proposta exibida inclui o uso de futuro com IA em etapas do processo, além de equipamentos autônomos, circularidade na produção e uma experiência de imersão que leva o visitante a “entrar” na floresta amazônica, onde a empresa mantém uma de suas principais operações de minério de ferro.
A presença da Vale no evento também teve um componente político e simbólico. Segundo o relato apresentado, o presidente Lula visitou o estande da empresa na inauguração da Hannover Messe. Em entrevista exclusiva ao correspondente Américo Martins, o vice-presidente técnico da Vale, Rafael Bitar, afirmou que a companhia quis mostrar a relevância estratégica da mineração para o mundo, especialmente no contexto da transição energética, já que minerais são base para tecnologias ligadas a uma matriz mais limpa.
O que a Vale chama de futuro com IA na mineração
Para a Vale, a “mineração do futuro” não se limita à mina. Rafael Bitar descreve o conceito como uma visão integrada, conectando mineração, sustentabilidade, valor compartilhado, força de trabalho e operações inteligentes. A mensagem central é que não existe tecnologia sem mineração, e que a demanda por metais tende a crescer nos próximos anos.
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Na prática, a empresa tenta reposicionar a mineração como indústria de base essencial para cadeias tecnológicas e energéticas. Dentro desse discurso, a Vale diz que o futuro com IA não é uma promessa distante: é algo que já vem sendo executado no presente, com expansão prevista.
Como o futuro com IA já aparece nas operações, com caminhões autônomos e otimização
Entre os exemplos citados, a Vale afirma que já utiliza caminhões autônomos, sem operadores, em algumas minas e pretende ampliar esse modelo. A empresa também diz usar inteligência artificial em diferentes áreas do processo para aumentar a otimização, reduzir consumo de combustível e diminuir emissões.
A lógica apresentada é direta: automação e futuro com IA entram como ferramentas para eficiência operacional e para metas ambientais, com impacto prático em custos e emissões ao longo da operação.
Os números que explicam a aposta em circularidade
Um dos dados mais chamativos destacados por Rafael Bitar foi o que ele chamou de “maior programa de mineração circular do mundo”. Segundo ele, a Vale produziu no ano passado 26,5 milhões de toneladas a partir de resíduos e rejeitos de mineração.
Outro número citado na entrevista reforça o tamanho da mudança: cerca de 7% da produção de 2025 teria vindo de resíduos e rejeitos. A circularidade aparece como um pilar do futuro com IA da companhia, tanto pela eficiência no aproveitamento quanto pelo efeito de reduzir a necessidade de novas frentes a partir de material já existente.
Amazônia no centro do estande: imersão, operação histórica e área protegida
A Vale levou para a feira uma experiência imersiva ligada à Amazônia, apresentada como parte do esforço de conectar mineração com proteção ambiental. Rafael Bitar afirmou que a empresa atua na região há mais de 40 anos e descreveu a operação como um exemplo de mineração responsável.
O principal dado citado foi o caso de Carajás: segundo ele, a Vale protege, junto com o ICMBio, uma área de floresta nativa de mais de 800 mil hectares, usando para mineração apenas 3% dessa área. Ele também disse que a companhia faz o fechamento progressivo das áreas usadas, com recuperação ao longo do tempo.
Descarbonização e combustíveis: do diesel ao etanol e ao aumento do biodiesel
Ao falar de investimentos, Rafael Bitar apontou a descarbonização como tema central do próximo ciclo. Ele afirmou que a Vale vem investindo para reduzir emissões próprias e também ajudar a reduzir emissões de clientes, como produtores de aço no caso do minério de ferro.
Entre os exemplos, ele citou testes de novos combustíveis em caminhões e locomotivas. A empresa estaria estudando um novo motor bicombustível para caminhões fora de estrada, com possibilidade de uso de etanol, além de avaliar o aumento da participação do biodiesel na mistura em seus equipamentos.
Próximas etapas: minério de ferro, níquel e a meta de dobrar o cobre
Além de tecnologia e sustentabilidade, a Vale apresentou ambições de crescimento. Rafael Bitar afirmou que a empresa pretende continuar expandindo o negócio de minério de ferro e, ao mesmo tempo, ampliar a produção de cobre, com meta de dobrar esse volume.
O executivo citou uma produção atual na faixa de 300 mil a 380 mil toneladas de cobre por ano, com objetivo de passar de 700 mil toneladas nos próximos anos, até a próxima década. Ele também mencionou que a Vale produz níquel, tem mina de níquel no Brasil e quer ganhar competitividade nesse segmento, com investimentos projetados para os próximos anos e décadas no país.
Por que isso chama atenção: tecnologia, geopolítica e a disputa pela “imagem” da mineração
Rafael Bitar reconheceu que acidentes marcaram a imagem da mineração como uma “imagem de ruptura” e afirmou que a empresa tenta reposicionar o setor a partir de segurança, responsabilidade e sustentabilidade. Na visão apresentada, estar na Hannover Messe serve para mostrar que mineração, transição energética e tecnologia estão conectadas, e que o Brasil tem papel estratégico nesse cenário.
A aposta é que vitrines como essa, com futuro com IA, automação, circularidade e narrativa de proteção ambiental, ajudem a mudar como a mineração é percebida pela sociedade, sem perder o foco na demanda crescente por metais.
E você: a presença da Vale com esse pacote de “futuro com IA”, circularidade e Amazônia na Hannover Messe muda a forma como você enxerga a mineração, ou a desconfiança ainda pesa mais?


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