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Ureia comum pode estar com os dias contados: cientistas brasileiros criam fertilizante com óleo de mamona e nanoargila que libera nitrogênio aos poucos, melhora o crescimento das plantas e promete menos desperdício no campo

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 12/05/2026 às 17:33
Atualizado em 12/05/2026 às 17:36
Pesquisador aplica fertilizante revestido com óleo de mamona e nanoargila em planta durante testes agrícolas em estufa experimental
Tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros controla a liberação de nitrogênio da ureia e melhora a absorção pelas plantas em testes realizados em estufa.
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Tecnologia desenvolvida por Embrapa, Unaerp, Unesp e USP usa óleo de mamona e nanoargila para controlar a liberação da ureia, segurar o nitrogênio por mais tempo no solo, melhorar a absorção pelas plantas, aumentar a produção de biomassa em testes com capim-piatã e reduzir perdas ambientais ligadas ao uso tradicional de fertilizantes nitrogenados

Pesquisadores da Embrapa, da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma inovação brasileira para tornar fertilizantes mais eficientes.

O grupo criou um revestimento com polímero derivado de óleo de mamona e argila mineral. Essa camada faz a ureia liberar nitrogênio de forma controlada.

Nos testes em casa de vegetação com capim-piatã, a tecnologia melhorou a absorção de nitrogênio pelas plantas.

O fertilizante revestido também gerou mais biomassa do que a ureia comum, sem revestimento.

Revestimento brasileiro controla a liberação da ureia

A ureia lidera o uso mundial entre os fertilizantes nitrogenados, principalmente por reunir cerca de 45% de nitrogênio em massa.

No entanto, sua alta solubilidade no solo cria um desafio agronômico importante.

Em condições normais, o fertilizante se dissolve rapidamente e favorece perdas ambientais relevantes.

Segundo o pesquisador Caue Ribeiro, da Embrapa, esse processo aumenta a volatilização de amônia e a emissão de óxido nitroso.

Esse gás intensifica o efeito estufa, o que reforça a importância de tecnologias mais eficientes.

Revestimento à base de polímero derivado de óleo de mamona e argila mineral que é capaz de liberar de forma controlada a ureia. Imagem: Pedro Octávio/ Embrapa

Testes mostram diferença expressiva no nitrogênio

Nos testes de liberação em água, a ureia sem revestimento liberou mais de 85% do nitrogênio em apenas quatro horas.

Conforme explicou o professor Ricardo Bortoletto-Santos, da Unaerp, o revestimento apenas com poliuretano retardou esse processo.

Nesse caso, o fertilizante liberou cerca de 70% do nitrogênio em nove dias.

Já a incorporação de apenas 5% de nanoargila mineral montmorilonita mudou drasticamente o resultado.

Com essa composição, o fertilizante liberou somente 22% do nitrogênio no mesmo período.

Nanoargila funciona como barreira inteligente

A estrutura interna do revestimento explica a diferença de desempenho.

Segundo Caue Ribeiro, a nanoargila cria uma espécie de barreira inteligente dentro da cobertura aplicada aos grânulos.

Na prática, ela dificulta a passagem da água e interage quimicamente com o nitrogênio liberado.

Dessa forma, o nutriente permanece retido por mais tempo e chega às plantas de maneira gradual.

Esse ritmo se aproxima mais da capacidade de absorção das culturas.

Pesquisa supera desafio ambiental da ureia

A inovação criou uma camada fina, contínua e homogênea ao redor dos grânulos de ureia.

Esse revestimento, semelhante a um plástico, elevou diretamente o desempenho do fertilizante.

O sistema também usou poliuretano de origem renovável e biodegradável, derivado do óleo de mamona.

A matriz recebeu pequenas quantidades de montmorilonita, entre 2% e 10% em relação à massa da ureia.

Segundo Bortoletto-Santos, essa argila possui estrutura em lamelas, semelhante a plaquetas empilhadas em escala nanométrica.

Revestimento criado por pesquisadores brasileiros busca superar os desafios da ureia comum, controlando a liberação de nitrogênio e reduzindo perdas ambientais no solo. Imagem: Pedro Octávio/ Embrapa

Capim-piatã absorve mais nitrogênio nos testes

Nos experimentos em casa de vegetação, o fertilizante revestido com nanoargila aumentou a produção de massa seca.

Também ampliou de forma significativa a absorção total de nitrogênio.

Segundo os pesquisadores, a taxa chegou ao dobro da registrada no controle fertilizado com ureia sem revestimento.

Portanto, os resultados destacam o papel da nanoestrutura na eficiência do uso de nutrientes.

Ao mesmo tempo, a tecnologia pode reduzir perdas ambientais ligadas ao uso de fertilizantes nitrogenados.

Próximo passo mira o setor produtivo

Agora, os pesquisadores buscam parceiros para levar o revestimento ao setor produtivo.

A proposta busca avançar com uma alternativa sustentável para a próxima geração de fertilizantes de liberação controlada.

Com revestimentos mais finos e desempenho preservado, a tecnologia pode tornar o uso da ureia mais eficiente no campo.

Será que esse tipo de fertilizante brasileiro pode mudar a forma como o nitrogênio é aproveitado pela agricultura nos próximos anos?

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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