Tecnologia desenvolvida por Embrapa, Unaerp, Unesp e USP usa óleo de mamona e nanoargila para controlar a liberação da ureia, segurar o nitrogênio por mais tempo no solo, melhorar a absorção pelas plantas, aumentar a produção de biomassa em testes com capim-piatã e reduzir perdas ambientais ligadas ao uso tradicional de fertilizantes nitrogenados
Pesquisadores da Embrapa, da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma inovação brasileira para tornar fertilizantes mais eficientes.
O grupo criou um revestimento com polímero derivado de óleo de mamona e argila mineral. Essa camada faz a ureia liberar nitrogênio de forma controlada.
Nos testes em casa de vegetação com capim-piatã, a tecnologia melhorou a absorção de nitrogênio pelas plantas.
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O fertilizante revestido também gerou mais biomassa do que a ureia comum, sem revestimento.
Revestimento brasileiro controla a liberação da ureia
A ureia lidera o uso mundial entre os fertilizantes nitrogenados, principalmente por reunir cerca de 45% de nitrogênio em massa.
No entanto, sua alta solubilidade no solo cria um desafio agronômico importante.
Em condições normais, o fertilizante se dissolve rapidamente e favorece perdas ambientais relevantes.
Segundo o pesquisador Caue Ribeiro, da Embrapa, esse processo aumenta a volatilização de amônia e a emissão de óxido nitroso.
Esse gás intensifica o efeito estufa, o que reforça a importância de tecnologias mais eficientes.

Testes mostram diferença expressiva no nitrogênio
Nos testes de liberação em água, a ureia sem revestimento liberou mais de 85% do nitrogênio em apenas quatro horas.
Conforme explicou o professor Ricardo Bortoletto-Santos, da Unaerp, o revestimento apenas com poliuretano retardou esse processo.
Nesse caso, o fertilizante liberou cerca de 70% do nitrogênio em nove dias.
Já a incorporação de apenas 5% de nanoargila mineral montmorilonita mudou drasticamente o resultado.
Com essa composição, o fertilizante liberou somente 22% do nitrogênio no mesmo período.
Nanoargila funciona como barreira inteligente
A estrutura interna do revestimento explica a diferença de desempenho.
Segundo Caue Ribeiro, a nanoargila cria uma espécie de barreira inteligente dentro da cobertura aplicada aos grânulos.
Na prática, ela dificulta a passagem da água e interage quimicamente com o nitrogênio liberado.
Dessa forma, o nutriente permanece retido por mais tempo e chega às plantas de maneira gradual.
Esse ritmo se aproxima mais da capacidade de absorção das culturas.
Pesquisa supera desafio ambiental da ureia
A inovação criou uma camada fina, contínua e homogênea ao redor dos grânulos de ureia.
Esse revestimento, semelhante a um plástico, elevou diretamente o desempenho do fertilizante.
O sistema também usou poliuretano de origem renovável e biodegradável, derivado do óleo de mamona.
A matriz recebeu pequenas quantidades de montmorilonita, entre 2% e 10% em relação à massa da ureia.
Segundo Bortoletto-Santos, essa argila possui estrutura em lamelas, semelhante a plaquetas empilhadas em escala nanométrica.

Capim-piatã absorve mais nitrogênio nos testes
Nos experimentos em casa de vegetação, o fertilizante revestido com nanoargila aumentou a produção de massa seca.
Também ampliou de forma significativa a absorção total de nitrogênio.
Segundo os pesquisadores, a taxa chegou ao dobro da registrada no controle fertilizado com ureia sem revestimento.
Portanto, os resultados destacam o papel da nanoestrutura na eficiência do uso de nutrientes.
Ao mesmo tempo, a tecnologia pode reduzir perdas ambientais ligadas ao uso de fertilizantes nitrogenados.
Próximo passo mira o setor produtivo
Agora, os pesquisadores buscam parceiros para levar o revestimento ao setor produtivo.
A proposta busca avançar com uma alternativa sustentável para a próxima geração de fertilizantes de liberação controlada.
Com revestimentos mais finos e desempenho preservado, a tecnologia pode tornar o uso da ureia mais eficiente no campo.
Será que esse tipo de fertilizante brasileiro pode mudar a forma como o nitrogênio é aproveitado pela agricultura nos próximos anos?

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