Uma única venda bilionária no setor de games superou todo o PIB do Paraguai. Transações de gigantes como EA, Microsoft, Exxon e Chevron mostram cifras maiores que economias inteiras da América do Sul
No final de setembro, a indústria global de games registrou uma das maiores transações de sua história. A Electronic Arts (EA), famosa por franquias como FIFA, Battlefield e Need for Speed, foi adquirida por US$ 55 bilhões (cerca de R$ 294,2 bilhões).
O detalhe mais impressionante é que o valor pago pelo consórcio de investidores — formado pelo fundo soberano da Arábia Saudita (PIF), a gestora americana Silver Lake e a Affinity Partners, de Jared Kushner — superou em 22,2% todo o Produto Interno Bruto (PIB) do Paraguai, estimado em US$ 45 bilhões (R$ 240,7 bilhões).
Esse contraste deixa claro como os grandes negócios corporativos podem movimentar mais do que a produção anual de bens e serviços de países inteiros.
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Games que valem mais que economias nacionais
A compra da EA não foi um caso isolado. Em 2023, a Microsoft concluiu a aquisição da Activision Blizzard, dona de títulos como Call of Duty, por US$ 69 bilhões (R$ 369,1 bilhões). A operação foi a maior da história da indústria gamer e equivale a quase o dobro da economia paraguaia.
Esses exemplos evidenciam que o setor de entretenimento digital deixou de ser apenas lazer: hoje movimenta cifras comparáveis — e em alguns casos superiores — às de indústrias como a de petróleo e energia.

O contraste com a economia paraguaia
Enquanto isso, o Banco Central do Paraguai (BCP) revisou sua projeção de crescimento econômico para 2025, de 4% para 4,4%. O avanço vem do bom desempenho do comércio, dos serviços e da pecuária.
Apesar do crescimento, a comparação mostra o abismo entre o ritmo econômico de um país sul-americano e as cifras de transações globais. Uma única negociação de games consegue superar tudo o que o Paraguai produz em um ano inteiro.
Energia também joga nesse campeonato
A disparidade não se limita ao setor de tecnologia. No mercado de energia, a ExxonMobil comprou a Pioneer Natural Resources em uma operação avaliada em US$ 60 bilhões (R$ 321 bilhões). Considerando dívidas, o valor final subiu para US$ 64,5 bilhões (R$ 344,1 bilhões).
Pouco depois, a Chevron concluiu a aquisição da Hess Corporation por US$ 60 bilhões, consolidando presença em campos petrolíferos estratégicos na Guiana, um dos polos mais promissores de exploração de petróleo no mundo.
O poder das cifras globais
Essas transações demonstram como corporações multinacionais podem rivalizar — ou até superar — economias inteiras. O Paraguai, com cerca de 7 milhões de habitantes, virou referência para mostrar a escala colossal desses negócios.
Em um cenário em que o valor de empresas ultrapassa fronteiras econômicas, a mensagem é clara: o poder das grandes corporações já não se mede apenas em mercado, mas em comparação direta com o PIB de nações inteiras.

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