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Uma proposta que atinge menos de 0,001% da população pode liberar até US$ 24 bilhões por ano na América Latina e o detalhe por trás dessa conta chama atenção

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 15/04/2026 às 17:46
Reunião de executivos analisando grandes quantias de dinheiro em mesa corporativa durante debate sobre imposto sobre super-ricos na América Latina
Especialistas discutem proposta de tributação sobre grandes fortunas enquanto valores bilionários são analisados em ambiente corporativo
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Proposta de tributação mínima sobre riqueza extrema ganha força na América Latina

Um estudo divulgado em 14 de maio de 2024, conforme reportado pela AFP, aponta que a aplicação da chamada “taxa Zucman” na América Latina é considerada viável.

O levantamento indica que sete países da região poderiam arrecadar cerca de US$ 24 bilhões anuais, o equivalente a R$ 123,89 bilhões.

A medida afetaria apenas cerca de 3.000 indivíduos, dentro de um universo de aproximadamente 500 milhões de habitantes.

A proposta concentra a tributação em uma parcela extremamente reduzida da população, com foco em grandes fortunas.

Vista aérea mostra a Rocinha, uma das maiores favelas da América Latina, em primeiro plano, e o bairro da Lagoa, ao fundo, um dos endereços de metro quadrado mais valorizado do Rio de Janeiro. — © Pablo PORCIUNCULA

Como funcionaria a tributação mínima sobre riqueza extrema

O relatório, elaborado com base em dados do Observatório Fiscal Internacional, propõe um imposto de 2% sobre patrimônios acima de US$ 100 milhões.

Uma alternativa mais ampla prevê uma taxa de 3%, elevando a arrecadação para US$ 36 bilhões por ano.

O estudo, encomendado pelo Brasil, busca corrigir distorções no sistema tributário.

A proposta pretende garantir que os super-ricos contribuam proporcionalmente à sua capacidade econômica.

Desigualdade e carga tributária no topo da renda

O estudo aponta que o 1% mais rico paga proporcionalmente menos impostos do que os 50% mais pobres.

A análise conduzida por Vicente Silva, especialista em desigualdade, identifica essa regressividade em países como Brasil e Chile.

As taxas efetivas pagas pelos super-ricos chegam a ser quase metade da média da população.

A riqueza das fortunas acima de US$ 1 bilhão aumentou seis vezes nos últimos 25 anos, intensificando o debate sobre tributação.

G20 e a proposta global da taxa Zucman

O tema ganhou destaque internacional em 2024, durante a presidência brasileira do G20.

O economista francês Gabriel Zucman, ligado ao Observatório Fiscal Internacional, apresentou uma proposta global.

A iniciativa envolve um imposto de 2% sobre patrimônios superiores a US$ 1 bilhão, com potencial de arrecadação entre US$ 200 bilhões e US$ 250 bilhões anuais.

Na cúpula realizada no Rio de Janeiro em 2024, os países do G20 se comprometeram a atuar de forma cooperativa na tributação de grandes fortunas.

Impacto econômico e retorno sobre riqueza

Grandes fortunas registram retornos médios de 8% ao ano, segundo Zucman.

A aplicação de um imposto de 2% teria impacto limitado, reduzindo apenas parcialmente esses ganhos.

A medida não comprometeria significativamente o patrimônio dos mais ricos.

Ainda assim, poderia gerar receita relevante para enfrentar desafios fiscais.

Desafios políticos e resistência à proposta

A implementação do imposto enfrenta resistência política e forte polarização, conforme destaca Vicente Silva.

Existe capacidade técnica para aplicar a medida, mas falta vontade política.

Narrativas consolidadas, como a ideia de que reduzir impostos para os mais ricos estimula o crescimento, dificultam o avanço da proposta.

Um estudo da London School of Economics indica que não há evidências, nos últimos 50 anos, de que cortes tributários para altas rendas impulsionem a economia.

Risco de evasão fiscal e saída de capital

O risco de êxodo fiscal em massa é considerado baixo, segundo Silva.

Indivíduos de alto patrimônio mantêm negócios, redes e interesses econômicos em seus países.

O modelo proposto inclui mecanismos de saída, que reduzem possíveis impactos de mudança de residência fiscal.

A chamada competição fiscal é tratada como uma questão política, que pode ser enfrentada com instrumentos adequados.

A América Latina estaria preparada para avançar na tributação dos super-ricos ou o debate seguirá travado por barreiras políticas e econômicas?

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Caio Aviz

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