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Visível do espaço, uma estrutura de 33 km, considerada a maior muralha marítima do mundo, fechou uma baía inteira, criou terras artificiais e colocou desenvolvimento econômico e preservação ambiental em lados opostos

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 02/01/2026 às 14:12
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Com 33 km no mar e status de recorde mundial, a muralha que mudou a costa da Coreia do Sul criou novas terras, mexeu com marés e abriu uma guerra ambiental sobre a perda de áreas úmidas

A Coreia do Sul construiu uma muralha no mar com 33,9 km e alterou de forma definitiva a linha costeira do país. A estrutura recebeu o nome de Saemangeum Seawall e se tornou um marco mundial pelo tamanho e pelos efeitos gerados.

A barreira foi instalada na costa sudoeste e separou o Mar Amarelo de uma vasta área antes dominada por marés, estuários e lamaçais naturais. A mudança permitiu controle da água e criação de novas terras.

Ao mesmo tempo, o projeto passou a concentrar críticas ambientais. A transformação atingiu diretamente áreas úmidas, consideradas fundamentais para a biodiversidade costeira.

O que aconteceu e por que isso chamou atenção

A Saemangeum Seawall entrou para os registros internacionais como a maior muralha marítima contínua do mundo, com 33,9 km de extensão. A abertura oficial ocorreu em 27 de abril de 2010.

O tamanho da estrutura impressiona porque supera travessias urbanas inteiras, mas foi construída em ambiente marítimo, sujeito a marés, correntes e sedimentos.

A obra não apenas fechou uma baía. Ela redefiniu a relação entre terra e mar em toda a região, criando um novo sistema costeiro artificial.

A Saemangeum Seawall é a muralha marítima mais longa do mundo, oferecendo uma vista única ao longo da estrada, além de uma área de camping para famílias. © Saemangeum Development and Investment Agency

Onde fica a obra e qual região foi transformada

A muralha está localizada na província de Jeollabuk do, conectando áreas próximas de Gunsan, Gimje e Buan, no sudoeste da península coreana.

Antes da construção, o local abrigava extensos lamaçais e zonas úmidas costeiras. Esses ambientes funcionavam como áreas de transição entre água doce e salgada, com alta produtividade ecológica.

Com o fechamento da área, a circulação natural foi interrompida. A região passou a depender de controle hidráulico, alterando sedimentos, salinidade e dinâmica ambiental.

Quanto tempo levou e quanto custou para ser construída

A construção da Saemangeum Seawall começou no início da década de 1990 e levou quase 20 anos até a abertura oficial em 2010.

O custo associado diretamente à barreira é descrito como quase 2 trilhões de won, valor que cobre a estrutura marítima em si.

Quando considerado o projeto completo de recuperação de terra e desenvolvimento da área, conhecido como Saemangeum Project, o investimento total divulgado chega a 22,2 trilhões de won.

O impacto ambiental e a disputa sobre áreas úmidas

A principal consequência ambiental foi a redução drástica de áreas úmidas. Esses ambientes sustentavam biodiversidade, rotas de aves migratórias e ciclos naturais de filtragem da água.

A perda desses espaços alterou a presença de fauna e o equilíbrio ecológico local. Ambientes antes renovados por marés passaram a funcionar como sistemas mais fechados.

Essa transformação alimentou uma disputa contínua entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental, tornando a obra um dos casos mais debatidos do país.

Por que a Saemangeum Seawall se tornou um caso permanente de estudo ambiental

A Saemangeum Seawall deixou de ser apenas uma obra recordista e passou a ser tratada como um experimento de longo prazo. A mudança na circulação de água e sedimentos continua gerando efeitos anos após a inauguração.

O projeto se transformou em referência internacional para avaliar os limites de grandes obras costeiras. O caso mostra como intervenções desse porte podem criar ganhos territoriais, mas também perdas ambientais difíceis de reverter.

A muralha permanece como exemplo concreto de como decisões de engenharia podem redesenhar ecossistemas inteiros e influenciar políticas futuras de ocupação costeira.

A Coreia do Sul construiu uma muralha de 33,9 km que redefiniu a costa, viabilizou um megaprojeto territorial e abriu um debate ambiental duradouro. O impacto da Saemangeum Seawall segue visível tanto na paisagem quanto nas discussões sobre preservação.

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Pedro
Pedro
08/01/2026 12:58

Como vemos la gran mayoría de desastres están provocados por el ser humano y a sabiendas, NO hemos aprendido nada de nada, solo destruimos nuestro planeta poco a poco nosotros iremos desapareciendo como especie, pues con todos los recursos mermados etc, que futuro le espera a nuestra especie.
Y esto pasará más pronto que tarde, el futuro muy próximo ya está aquí como vemos a diario, pronto nos enfrentaremos unos a otros, y se acabó.

Charlie Andrews
Charlie Andrews
04/01/2026 23:53

The loss of Saemangeum has been one of the greatest environmental disasters in the world. This was one of the world’s key feeding areas for migrating shorebirds/wading birds on the East Asian Australian Flyway due to it’s extensive and very rich mud flats. These birds have very specialised diets and can’t just ‘go somewhere else’. The dramatic fall off in migrating birds on this Flyway since then has largely been due to the loss of Saemangeum. These losses have been felt from Siberia to Australia. The South Korean government knew this at the time but were prepared to put development ahead of conservation.

Jhed
Jhed
04/01/2026 23:46

Why does this map look like it almost came straight out of Pokémon Black and White?

Última edição em 5 meses atrás por Jhed
Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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