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Uma cidade inteira afundou no Rio Uruguai e cerca de 15 mil moradores tiveram de sair, mas as torres da antiga igreja de Itá ainda surgem das águas no oeste de Santa Catarina como símbolo de memória e recomeço

Publicado em 12/04/2026 às 14:07
Atualizado em 12/04/2026 às 19:15
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Submersa em 2000 para a construção da UHE Itá, a antiga cidade preservou duas torres históricas e transformou perda em turismo no oeste catarinense

Duas torres de concreto emergem do Rio Uruguai e resumem a história de Itá, no oeste de Santa Catarina, submersa em 2000 pelo reservatório da UHE Itá, que deslocou cerca de 15 mil moradores e transformou a antiga cidade em cenário marcante da Atlântida Brasileira hoje.

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O que restou de Itá

A antiga Itá desapareceu sob a água quando o reservatório da Usina Hidrelétrica Itá começou a encher.

O lago cobriu aproximadamente 103 km² e inundou terras de 11 municípios, sendo sete em Santa Catarina e quatro no Rio Grande do Sul.

A mudança alterou a paisagem e a rotina local. Casas, ruas e lembranças foram deixadas para trás, enquanto a nova Itá passava a ocupar um terreno mais alto, ao lado do núcleo antigo, hoje submerso no rio.

A nova cidade foi construída do zero e inaugurada em 1996. A obra antecipou a transferência definitiva dos moradores e marcou o recomeço de uma comunidade inteira, que viu seu antigo espaço urbano desaparecer depois.

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Imagem: Reprodução / redes sociais

As torres preservadas no lago

A Igreja Matriz São Pedro Apóstolo, erguida em 1956, teve suas duas torres preservadas de forma intencional. Elas seguem de pé sobre o lago e se tornaram o principal símbolo visual da antiga Itá e da Atlântida Brasileira.

As estruturas funcionam como um monumento à memória dos moradores que precisaram recomeçar. O conjunto se transformou em cartão-postal do oeste catarinense e concentra parte da identidade construída após a inundação da cidade.

À noite, as torres iluminadas produzem uma das imagens mais fotografadas da região. O acesso à ilha ao redor ocorre por passeios de barco que saem da Prainha, enquanto escunas contornam o monumento.

Turismo cresceu sobre as águas

O afundamento da antiga cidade acabou abrindo uma nova vocação para Itá. A perfuração de um poço artesiano revelou água termomineral, e o lago passou a reunir atividades turísticas ligadas a lazer, esportes náuticos e aventura.

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O Aqua Parque Itá Thermas reúne 12 piscinas de água termomineral, além de bar molhado e restaurante. O Belvedere Dona Roma oferece vista panorâmica do lago e da nova cidade, com destaque para o fim de tarde.

O Itá Eco Turismo abriga tirolesa de 1.780 metros, apontada como uma das maiores da América do Sul, além de arvorismo e skybike. A Prainha de Itá tem faixa de areia de 2 mil metros quadrados e passeios de escuna.

A memória da cidade antiga também segue preservada no Museu Casa Camarolli. O casarão, de 1945, foi realocado da velha Itá em 1997 e mantém viva a história da imigração italiana que marcou a formação local.

Nome, clima e acesso

Itá significa “pedra” em tupi-guarani. A cidade também carrega o apelido de Capital do Paraíso. A pedra fundamental da nova cidade foi lançada em 1981, décadas depois da emancipação ocorrida em 1956.

No verão, o clima quente favorece o parque aquático e os banhos no lago. No inverno, o movimento é mais tranquilo, com temperaturas amenas e turismo voltado à gastronomia e à contemplação da paisagem.

Itá fica a cerca de 90 km de Chapecó, pelas rodovias SC-283 e SC-155, em cerca de 1h30 de carro. De Florianópolis, o trajeto é de aproximadamente 500 km pela BR-282.

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Imagem: Reprodução / redes sociais

A cidade que reaprendeu a existir

Poucos destinos reúnem perda, memória e recomeço em uma imagem tão direta. As torres que resistem sobre a água sintetizam a tranformação de Itá e ajudam a explicar por que a Atlântida Brasileira segue atraindo visitantes.

Quem chega à cidade encontra mais do que um ponto turístico. Encontra um lugar reconstruído sobre lembranças, marcado por uma paisagem que faz a antiga Itá permanecre visível, mesmo submersa.

Com informações de Correio Braziliense.

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Romário Pereira de Carvalho

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