Veleiro autônomo Saildrone entrou em furacão categoria 4, opera por até 365 dias no oceano e já percorreu mais de 1 milhão de milhas coletando dados inéditos.
Segundo a Saildrone, em 30 de setembro de 2021, o veículo não tripulado SD 1045 entrou no interior do Furacão Sam, categoria 4, no Atlântico Norte, enfrentando ventos de até 200 km/h e ondas de aproximadamente 15 metros. Sem tripulação a bordo, o veleiro de 7 metros transmitia dados em tempo real para cientistas da NOAA em terra. Uma câmera instalada no equipamento registrou imagens inéditas da superfície do oceano sob condições extremas, com ondas ocupando todo o campo de visão, espuma impulsionada horizontalmente pelo vento e desaparecimento intermitente do horizonte.
O veículo permaneceu cerca de 24 horas dentro do furacão e saiu intacto, continuando sua missão após o evento.
Velocidade de vento de 203 km/h registrada pelo Saildrone entrou para o Guinness como recorde
Durante a passagem pelo furacão, o SD 1045 registrou velocidade máxima de vento de 126,4 mph, equivalente a 203 km/h.
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Esse valor foi reconhecido no Guinness World Records de 2024 como a maior velocidade de vento já medida por um veículo de superfície não tripulado. O registro consolidou o Saildrone como uma das principais plataformas de coleta de dados em condições extremas no oceano.
A Saildrone foi criada por Richard Jenkins, engenheiro mecânico formado pelo Imperial College London. A ideia surgiu em 1998, quando Jenkins tomou conhecimento de um recorde de velocidade em terra utilizando veículos movidos a vento. A partir disso, iniciou um projeto pessoal que duraria cerca de dez anos.
Durante esse período, desenvolveu e testou múltiplas versões do veículo em ambientes extremos, incluindo lagos congelados, salinas e desertos.
Em 26 de março de 2009, no deserto de Mojave, Jenkins quebrou o recorde mundial de velocidade para veículos movidos a vento com o Greenbird, atingindo 126,2 mph.
O diferencial do projeto estava na utilização de uma asa rígida aerodinâmica, capaz de gerar sustentação de forma semelhante à asa de um avião.
Essa tecnologia permitia controle preciso do ângulo de ataque e maior eficiência energética, tornando-se a base para o desenvolvimento posterior dos veículos marítimos autônomos.
Travessia autônoma do Pacífico em 2013 marcou início da operação oceânica da Saildrone
Em 2013, Jenkins adaptou o conceito do Greenbird para o ambiente marinho, criando um veículo com casco, sensores científicos e alimentação por energia solar.
Essa versão realizou uma travessia autônoma de San Francisco até o Havaí em 34 dias, utilizando exclusivamente energia do vento para propulsão.
O feito marcou o nascimento da Saildrone como plataforma de pesquisa oceânica.
Tecnologia de asa rígida permite navegação eficiente e operação contínua por até 365 dias
Diferente de veleiros convencionais, os Saildrones utilizam uma asa rígida que gera sustentação aerodinâmica. Esse sistema permite navegação em ângulos mais fechados em relação ao vento e maior eficiência energética.
O modelo Explorer, de 7 metros, consegue operar continuamente por até 365 dias no oceano sem necessidade de reabastecimento ou suporte de navios.
Toda a energia utilizada pelos sistemas eletrônicos é gerada por painéis solares, enquanto a propulsão é fornecida exclusivamente pelo vento.
Sensores científicos coletam dados simultâneos da interface oceano-atmosfera em tempo real
Os Saildrones são equipados com até 20 sensores científicos capazes de medir parâmetros como temperatura do ar e da água, salinidade, pressão atmosférica, umidade, velocidade do vento, altura de ondas, oxigênio dissolvido e fluorescência da clorofila.
Os dados são transmitidos via satélite em tempo real, permitindo monitoramento contínuo das condições oceânicas. Esse sistema supera limitações de boias fixas e sondas aéreas, oferecendo coleta simultânea e dinâmica de dados na interface oceano-atmosfera.
Em janeiro de 2019, três Saildrones partiram da Nova Zelândia com o objetivo de circunavegar a Antártida. Após danos iniciais causados por tempestades, apenas o SD 1020 continuou a missão.
O veículo percorreu aproximadamente 22 mil quilômetros pelo Oceano Austral e completou a circunavegação em 196 dias, tornando-se o primeiro veículo de superfície não tripulado a realizar essa trajetória de forma autônoma.
Dados coletados no Oceano Austral alteraram modelos climáticos sobre emissão de carbono
Durante a missão, os sensores identificaram que o Oceano Austral pode emitir dióxido de carbono em determinadas regiões durante o inverno.
Essa observação contradiz modelos anteriores que consideravam a região apenas como sumidouro de carbono. A descoberta impacta diretamente previsões sobre o aquecimento global e o papel dos oceanos no balanço climático.
Os dados coletados durante o Furacão Sam indicaram que a temperatura da superfície do oceano estava acima do esperado.
Pesquisadores levantaram a hipótese de que água doce proveniente do Rio Amazonas pode ter formado uma camada superficial que reduz a mistura com águas mais frias em profundidade.
Esse fenômeno pode explicar a intensificação de furacões em determinadas regiões, contribuindo para o aprimoramento de modelos de previsão.
Frota Saildrone já percorreu mais de 1 milhão de milhas náuticas em missões científicas globais
A frota da Saildrone acumulou mais de 1 milhão de milhas náuticas navegadas e mais de 25 mil dias de operação no oceano.
Os veículos já foram utilizados em todos os oceanos do planeta, incluindo missões de monitoramento climático, mapeamento do fundo oceânico e observação de ecossistemas marinhos.
A empresa desenvolveu três modelos principais: Explorer, Voyager e Surveyor. O Surveyor, com 22 metros de comprimento, tornou-se o maior veículo de superfície autônomo do mundo e recebeu certificação do American Bureau of Shipping.
A Saildrone também anunciou expansão internacional e parcerias estratégicas para ampliar a produção e aplicação da tecnologia.
Agora queremos saber: veículos autônomos como o Saildrone vão substituir navios científicos tradicionais no futuro?
O avanço dos veículos autônomos de superfície está transformando a forma como os oceanos são estudados.
Na sua visão, essa tecnologia pode substituir totalmente os navios tripulados ou ainda existe espaço para ambos os modelos na pesquisa oceânica?


Desperdício um Veleiro de 7 metros não tripulado 😂😂😂 voluntário 👋
Sensacional!