Mergulhadores localizaram um fragmento de mármore da Acrópole de Atenas nos destroços do Mentor, navio usado por Lord Elgin e afundado em 1802 no Mar Egeu, em uma descoberta que recoloca em evidência a disputa histórica sobre as esculturas levadas da Grécia ao Reino Unido
Mergulhadores e arqueólogos localizaram um fragmento de mármore da Acrópole de Atenas nos destroços do brigue Mentor, navio que afundou em 1802 a sudeste da ilha de Kythira, no Mar Egeu, segundo o Ministério da Cultura da Grécia.
Achado nos destroços do Mentor
O achado foi feito no local onde está o Mentor, embarcação usada por Thomas Bruce, o sétimo Conde de Elgin, para transportar esculturas retiradas das ruínas da Acrópole para o Reino Unido. A informação foi divulgada pelo Ministério da Cultura da Grécia em comunicado.
De acordo com o ministério, o objeto encontrado é um fragmento de mármore da Acrópole. O navio afundou em 1802 e, desde então, permanece associado ao transporte das peças que mais tarde ficaram conhecidas como Mármores de Elgin ou Mármores do Partenon.
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O fragmento descoberto é descrito como um bloco triangular de mármore com o que parece ser um pino em sua parte inferior. A peça mede cerca de 9,3 por 4,7 cm e, segundo os representantes do ministério, é classificada pelos estudiosos modernos como uma “gota”.
Acrópole e origem possível da peça
Segundo o material divulgado, não está claro se o fragmento recém-descoberto veio do próprio Partenon ou de outro ponto da Acrópole. A peça provavelmente estava presa a outros blocos em algum lugar do complexo monumental de Atenas.
A Acrópole é uma área elevada da capital grega que abriga alguns dos edifícios mais importantes da cidade. Entre eles está o Partenon, templo dedicado a Atena, descrita no material como a deusa padroeira de Atenas.
As esculturas removidas por Lord Elgin retratam cenas da mitologia grega, especialmente o nascimento de Atena. O novo fragmento, porém, ainda não teve sua localização original determinada com precisão dentro da Acrópole.
Resgate antigo e escavações modernas
Após o naufrágio do Mentor, Elgin enviou mergulhadores de esponjas até os destroços para tentar recuperar o carregamento. Muitas das esculturas foram resgatadas e depois vendidas ao Museu Britânico em 1816, onde permanecem até hoje.
As escavações arqueológicas modernas nos restos do navio começaram em 2009. Embora a estrutura do Mentor esteja em grande parte desintegrada, as investigações vêm revelando diferentes vestígios associados ao naufrágio e à vida a bordo no século XIX.
Entre os achados anteriores mencionados no material estão um jogo de xadrez, restos do revestimento de cobre do navio e uma lareira de barro usada pelos tripulantes. As descobertas mais recentes agora acrescentam a esse conjunto o pequeno fragmento de mármore ligado à Acrópole.
Disputa em torno dos mármores
O caso se conecta diretamente à disputa histórica sobre a retirada das esculturas da Acrópole. Quando Lord Elgin removeu essas peças, a Grécia estava sob controle do Império Otomano, contexto citado no material base.
Elgin afirmava ter recebido autorização adequada de autoridades otomanas para retirar as esculturas. A Grécia, por sua vez, sustenta que ele não possuía a permissão necessária e ressalta que o país estava ocupado pelo Império Otomano naquele período.
Com isso, a Grécia pediu a devolução das esculturas ao Museu Britânico. O fragmento agora encontrado pelos mergulhadores nos destroços do Mentor reforça a ligação direta entre o navio naufragado em 1802 e o transporte das peças retiradas da Acrópole de Atenas.

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