Entenda por que 97% dos paraguaios vivem no lado leste do país, como os rios moldaram as cidades, por que o Chaco ficou vazio e o que isso tem a ver com a Amazonia e “cidades perdidas” sob a floresta.
No coração da América do Sul, existe um país que intriga geógrafos, historiadores e curiosos. O Paraguai cresceu, se integrou ao comércio internacional e construiu cidades importantes, mas abriga sua população de um jeito nada óbvio. Mais da metade do seu território é quase vazio, enquanto praticamente todo mundo resolveu viver do outro lado do mapa.
É exatamente isso que acontece no Paraguai: a maior parte do território está a oeste, só que quase ninguém vive lá.
Não é exagero: cerca de 97% dos paraguaios vivem em apenas 39% do território nacional. O restante do país, enorme e pouco explorado, segue praticamente intocado.
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Paraguai: Um país no centro da América do Sul que desafia a lógica: 61% do território com só 3% da população
Um país sem mar, mas longe de ser isolado: Apesar de não ter saída para o oceano, o Paraguai nunca esteve totalmente isolado.
O país é atravessado por grandes rios, como o Rio Paraguai, que fazem parte da Bacia do Rio da Prata.
Esse sistema fluvial conecta o país diretamente ao Oceano Atlântico e permite que exportações paraguaias cheguem a mercados do mundo todo.
Segundo dados do Banco Mundial, a hidrovia Paraguai–Paraná é uma das principais artérias econômicas do país, sendo essencial para o comércio de grãos, carne e outros produtos.
Cidades, rios e população: nada disso é coincidência
Quando se observa o mapa urbano, o padrão fica claro. Das 11 maiores cidades paraguaias (com mais de 100 mil habitantes), 10 têm ligação direta com rios navegáveis. A única exceção é Pedro Juan Caballero, que cresceu impulsionada pelo comércio de fronteira com o Brasil.
Os rios sempre foram estrada, mercado e fonte de vida. Onde havia água, havia circulação de pessoas, mercadorias e ideias. Onde não havia, o crescimento travava.
Dois Paraguais separados por um rio
Se o país for dividido ao meio seguindo o curso do Rio Paraguai, surge um contraste impressionante:
- Oeste (Chaco Paraguaio): 61% do território e apenas 3% da população
- Leste: 39% do território e cerca de 97% dos habitantes
Em números absolutos, isso significa milhões de pessoas concentradas em uma faixa relativamente pequena, enquanto extensões gigantescas permanecem quase vazias.
Assunção: o grande ímã populacional
A capital Assunção explica boa parte dessa concentração. A região metropolitana abriga cerca de um terço da população do país, segundo o Instituto Nacional de Estatística do Paraguai. Serviços, empregos, universidades e infraestrutura acabam puxando pessoas de todas as partes.
Esse fenômeno não é exclusivo do Paraguai, mas ali ele é mais intenso, justamente porque o contraste entre leste e oeste é extremo.
Tudo começa antes da chegada dos europeus
Muito antes da fundação de Assunção, os povos Guarani já ocupavam o leste do Paraguai. Não foi por acaso. A região oferecia terras férteis, chuvas regulares e um clima mais estável do que o oeste seco e quente.
A FAO destaca que o leste do país reúne algumas das áreas agrícolas mais produtivas da região, fator decisivo desde os tempos pré-coloniais.
Enquanto outros povos da América do Sul precisaram desenvolver técnicas complexas para cultivar em ambientes hostis, os Guarani encontraram ali condições naturalmente favoráveis.
Assunção, a “mãe das cidades”
Fundada em 1537, Assunção se tornou o ponto de partida para a ocupação espanhola em grande parte do Cone Sul.
A partir dali, exploradores e missionários avançaram para outras regiões, o que rendeu à capital o apelido de “mãe das cidades”.
Esse início centralizado marcou o padrão de crescimento do país e ajudou a fixar o leste como núcleo político e econômico.
Guerras que deixaram marcas profundas no Paraguai
No século XIX, o Paraguai vivia um processo de modernização acelerada. O país chegou a construir ferrovias e, em alguns aspectos, estava à frente de vizinhos como Brasil e Argentina. Tudo isso mudou com a Guerra da Tríplice Aliança.
O conflito foi o mais devastador da história da América do Sul. Estimativas históricas apontam que o Paraguai perdeu cerca de metade de sua população, incluindo aproximadamente 70% dos homens adultos. O impacto demográfico foi tão profundo que a recuperação levou décadas.
Pouco tempo depois, veio a Guerra do Chaco, travada contra a Bolívia justamente pelo território oeste. Mesmo vencendo, o país pagou um preço alto em vidas e recursos. Ainda assim, o Chaco continuou pouco povoado.
O Chaco: o território grande, quente e esquecido no Paraguai
O oeste do Paraguai, conhecido como Chaco, é uma das regiões mais inóspitas da América do Sul. O clima é extremo, com temperaturas que facilmente ultrapassam os 40 °C no verão e longos períodos de seca.
De acordo com dados climáticos reunidos pela NASA Earth Observatory, o Chaco está entre as áreas subtropicais mais quentes do continente. A escassez de água dificulta a agricultura e torna a vida cotidiana um desafio constante.
Além disso, a infraestrutura é limitada. Muitas estradas são de terra, o acesso à água potável é restrito e serviços básicos podem ficar a centenas de quilômetros de distância.
Pouca gente, poucos empregos no Paraguai
A principal atividade econômica do Chaco é a pecuária. Embora importante, ela exige pouca mão de obra. Sem indústrias, comércio forte ou agricultura intensiva, a região não consegue reter grandes contingentes populacionais.
Hoje, departamentos como Alto Paraguai têm território comparável ao de países inteiros, mas com populações que caberiam em um estádio de futebol.
Os menonitas e a adaptação ao extremo
Mesmo assim, algumas comunidades prosperaram no Chaco. É o caso dos menonitas, grupo religioso de origem europeia que chegou ao Paraguai na década de 1920. Fugindo de perseguições e conflitos na Rússia e no Canadá, eles encontraram no Paraguai a chance de manter sua cultura.
O governo paraguaio concedeu terras e garantiu liberdade religiosa e isenção do serviço militar. Hoje, estima-se que existam cerca de 40 mil menonitas no país, segundo dados compilados pela Encyclopaedia Britannica.
Eles transformaram partes do Chaco em polos produtivos, combinando técnicas tradicionais com inovação local.
Um vazio que lembra a Amazônia
A situação do Chaco faz lembrar outro “vazio” famoso da América do Sul: a Amazônia. Por muito tempo, acreditou-se que a floresta sempre foi pouco habitada. Hoje, pesquisas com tecnologia LiDAR revelam vestígios de cidades antigas e sociedades complexas escondidas sob a vegetação.
Segundo arqueólogos citados pela National Geographic, essas descobertas mudam completamente a forma como entendemos a ocupação humana em regiões consideradas hostis.
Um futuro ainda em aberto
O oeste do Paraguai segue com enorme potencial econômico e ambiental. Especialistas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD defendem que investimentos em infraestrutura, energia renovável e gestão da água poderiam transformar o Chaco em um exemplo de desenvolvimento sustentável.
Sem isso, a região continuará sendo uma das áreas mais vazias do continente, enquanto o leste segue concentrando pessoas, riqueza e oportunidades.
O que você acha: com investimento em estradas, energia e água, o Chaco poderia virar um novo polo do país — ou o clima sempre vai “mandar” ali? Deixe um comentário com sua visão e, se este texto te ajudou, compartilhe a publicação com alguém que curte geografia e história da América do Sul.

Se for uma pecuária com niveis de sustentabilidade voltada para rumos tecnologico,sem dúvida,o povo Paraguai e o mundo terá alimento dessa Região.
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40 mennonitas? Ha der ser 40 aldeas menno o 40mil mennonitas