O novo mapa do tesouro da Universidade de Cambridge cruzou ondas sísmicas com a espessura da litosfera e rochas ricas em CO2 para apontar regiões como África Oriental, centro do Brasil, Mongólia e Austrália. O gargalo, porém, continua sendo o processamento, e não a busca pelos metais.
A Universidade de Cambridge criou um novo mapa do tesouro para localizar terras raras pelo mundo e reduzir a dependência das exportações da China. Em vez de um X marcando o ponto, como nos mapas de pirata, a ferramenta usa ondas sísmicas e a química das rochas para indicar onde esses metais tendem a se concentrar. Entre as regiões apontadas como mais promissoras está o centro do Brasil.
Segundo a La Jornada, o modelo cruza a espessura da litosfera com a presença de rochas ricas em dióxido de carbono para chegar aos melhores candidatos. Além do Brasil, aparecem África Oriental, Mongólia, Austrália, a Península de Kola e a borda oeste do Escudo Canadense. Ainda assim, os pesquisadores fazem uma ressalva importante, a de que a parte mais difícil não é encontrar as terras raras, mas processá-las.
O novo mapa do tesouro das terras raras

Segundo a La Jornada, foi para enfrentar esse desafio que a Universidade de Cambridge desenvolveu o que vem sendo chamado de novo mapa do tesouro, um mapa virtual capaz de apontar regiões ricas nesses metais.
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O objetivo é dar ao mundo alternativas a um mercado hoje dominado pela China.
A base da ideia está na química das rochas vulcânicas.
De acordo com a geoquímica Sally Gibson, citada na reportagem, as rochas com a composição certa, ricas em CO2, “só aparecem em locais muito específicos”, sobretudo nas bordas da litosfera mais espessa e antiga da Terra.
Em outras palavras, encontrar terras raras passa por entender onde estão essas formações.
Como as ondas sísmicas revelam os melhores lugares
Para mapear a espessura da litosfera, os cientistas recorreram aos terremotos. Conforme a La Jornada, a equipe usou um modelo tomográfico global, chamado SL2013, construído a partir de mais de 500 mil registros de ondas S geradas em diversos tremores. Essas ondas atravessam o interior do planeta e funcionam quase como um raio-X, já que, quando se propagam rápido, indicam uma litosfera fria e espessa, e, quando vão devagar, uma litosfera quente e fina.
Outros dois tipos de onda completaram o levantamento.
Segundo a publicação, as ondas de Rayleigh foram usadas para estudar a estrutura e a espessura da crosta, inclusive sob o fundo do oceano, enquanto as ondas de Love permitiram medir como a rigidez varia ao longo dessa crosta.
A combinação dessas informações deu ao novo mapa do tesouro uma precisão maior sobre onde procurar.
O papel do CO2 e das rochas certas
A espessura da litosfera, porém, não é o único fator que alimenta o novo mapa do tesouro.
De acordo com a La Jornada, a presença de dióxido de carbono na litosfera também é decisiva.
Conforme a União Internacional de Ciências Geológicas, esse gás se acumula em rochas específicas, e são justamente elas que sinalizam onde as terras raras tendem a se concentrar.
Alguns tipos de rocha se destacam nesse aspecto.
Entre as formações citadas, os carbonatitos, os kimberlitos e os lamproítos são os que apresentam o maior teor de CO2, ao lado de outras rochas vulcânicas.
É a combinação entre uma litosfera espessa e antiga e essas rochas ricas em carbono que orienta a busca pelos depósitos.
Onde estão as terras raras fora da China e o desafio real
Com esses critérios, o novo mapa do tesouro apontou as regiões mais promissoras do planeta.
Segundo a La Jornada, além da própria China, aparecem com as maiores concentrações de terras raras a África Oriental, o centro do Brasil, a Mongólia, a Austrália, a Península de Kola e a borda oeste do Escudo Canadense.
A presença do centro do Brasil na lista chama atenção para o potencial geológico do país.
Estar no mapa, no entanto, está longe de resolver o problema.
Os próprios pesquisadores alertam que a parte mais difícil não é encontrar esses metais, e sim processá-los, etapa em que a China tem ampla liderança.
Por isso, de acordo com a reportagem, os países interessados precisam treinar mineradores e engenheiros para transformar a riqueza do subsolo em produção de fato.
Encontrar o tesouro, nesse caso, é apenas o primeiro passo.
O novo mapa do tesouro de Cambridge mostra que o mundo tem, sim, alternativas à China na corrida pelas terras raras.
Ao cruzar ondas sísmicas, espessura da litosfera e rochas ricas em CO2, o estudo aponta regiões promissoras em vários continentes, com o centro do Brasil entre elas.
Ainda assim, transformar esse mapa em minas e indústrias depende de tecnologia, capacitação e investimento.
E você, acredita que o Brasil pode aproveitar esse potencial de terras raras e furar a dependência da China? Acha que o país tem condições de dominar também o processamento desses metais? Deixe sua opinião nos comentários, com respeito às diferentes visões, e compartilhe esta matéria com quem se interessa por ciência, geopolítica e mineração.

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