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Um novo mapa do tesouro feito por Cambridge com ondas sísmicas mostra onde caçar terras raras longe da China, e o centro do Brasil está na lista, embora os pesquisadores avisem que o desafio real não é achar esses metais e sim processá-los

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 11/06/2026 às 16:22
Atualizado em 11/06/2026 às 16:24
O novo mapa do tesouro de Cambridge usa ondas sísmicas para achar terras raras fora da China, e o centro do Brasil entra na lista, mas processar é o desafio.
O novo mapa do tesouro de Cambridge usa ondas sísmicas para achar terras raras fora da China, e o centro do Brasil entra na lista, mas processar é o desafio.
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O novo mapa do tesouro da Universidade de Cambridge cruzou ondas sísmicas com a espessura da litosfera e rochas ricas em CO2 para apontar regiões como África Oriental, centro do Brasil, Mongólia e Austrália. O gargalo, porém, continua sendo o processamento, e não a busca pelos metais.

A Universidade de Cambridge criou um novo mapa do tesouro para localizar terras raras pelo mundo e reduzir a dependência das exportações da China. Em vez de um X marcando o ponto, como nos mapas de pirata, a ferramenta usa ondas sísmicas e a química das rochas para indicar onde esses metais tendem a se concentrar. Entre as regiões apontadas como mais promissoras está o centro do Brasil.

Segundo a La Jornada, o modelo cruza a espessura da litosfera com a presença de rochas ricas em dióxido de carbono para chegar aos melhores candidatos. Além do Brasil, aparecem África Oriental, Mongólia, Austrália, a Península de Kola e a borda oeste do Escudo Canadense. Ainda assim, os pesquisadores fazem uma ressalva importante, a de que a parte mais difícil não é encontrar as terras raras, mas processá-las.

O novo mapa do tesouro das terras raras

O novo mapa do tesouro de Cambridge usa ondas sísmicas para achar terras raras fora da China, e o centro do Brasil entra na lista, mas processar é o desafio.
Localizar terras raras no subsolo é bem mais complicado do que cravar um X em um mapa de pirata. 

Segundo a La Jornada, foi para enfrentar esse desafio que a Universidade de Cambridge desenvolveu o que vem sendo chamado de novo mapa do tesouro, um mapa virtual capaz de apontar regiões ricas nesses metais.

O objetivo é dar ao mundo alternativas a um mercado hoje dominado pela China.

A base da ideia está na química das rochas vulcânicas. 

De acordo com a geoquímica Sally Gibson, citada na reportagem, as rochas com a composição certa, ricas em CO2, “só aparecem em locais muito específicos”, sobretudo nas bordas da litosfera mais espessa e antiga da Terra.

Em outras palavras, encontrar terras raras passa por entender onde estão essas formações.

Como as ondas sísmicas revelam os melhores lugares

Para mapear a espessura da litosfera, os cientistas recorreram aos terremotos. Conforme a La Jornada, a equipe usou um modelo tomográfico global, chamado SL2013, construído a partir de mais de 500 mil registros de ondas S geradas em diversos tremores. Essas ondas atravessam o interior do planeta e funcionam quase como um raio-X, já que, quando se propagam rápido, indicam uma litosfera fria e espessa, e, quando vão devagar, uma litosfera quente e fina.

Outros dois tipos de onda completaram o levantamento. 

Segundo a publicação, as ondas de Rayleigh foram usadas para estudar a estrutura e a espessura da crosta, inclusive sob o fundo do oceano, enquanto as ondas de Love permitiram medir como a rigidez varia ao longo dessa crosta.

A combinação dessas informações deu ao novo mapa do tesouro uma precisão maior sobre onde procurar.

O papel do CO2 e das rochas certas

A espessura da litosfera, porém, não é o único fator que alimenta o novo mapa do tesouro. 

De acordo com a La Jornada, a presença de dióxido de carbono na litosfera também é decisiva.

Conforme a União Internacional de Ciências Geológicas, esse gás se acumula em rochas específicas, e são justamente elas que sinalizam onde as terras raras tendem a se concentrar.

Alguns tipos de rocha se destacam nesse aspecto. 

Entre as formações citadas, os carbonatitos, os kimberlitos e os lamproítos são os que apresentam o maior teor de CO2, ao lado de outras rochas vulcânicas.

É a combinação entre uma litosfera espessa e antiga e essas rochas ricas em carbono que orienta a busca pelos depósitos.

Onde estão as terras raras fora da China e o desafio real

Com esses critérios, o novo mapa do tesouro apontou as regiões mais promissoras do planeta. 

Segundo a La Jornada, além da própria China, aparecem com as maiores concentrações de terras raras a África Oriental, o centro do Brasil, a Mongólia, a Austrália, a Península de Kola e a borda oeste do Escudo Canadense.

A presença do centro do Brasil na lista chama atenção para o potencial geológico do país.

Estar no mapa, no entanto, está longe de resolver o problema. 

Os próprios pesquisadores alertam que a parte mais difícil não é encontrar esses metais, e sim processá-los, etapa em que a China tem ampla liderança.

Por isso, de acordo com a reportagem, os países interessados precisam treinar mineradores e engenheiros para transformar a riqueza do subsolo em produção de fato.

Encontrar o tesouro, nesse caso, é apenas o primeiro passo.

O novo mapa do tesouro de Cambridge mostra que o mundo tem, sim, alternativas à China na corrida pelas terras raras. 

Ao cruzar ondas sísmicas, espessura da litosfera e rochas ricas em CO2, o estudo aponta regiões promissoras em vários continentes, com o centro do Brasil entre elas.

Ainda assim, transformar esse mapa em minas e indústrias depende de tecnologia, capacitação e investimento.

E você, acredita que o Brasil pode aproveitar esse potencial de terras raras e furar a dependência da China? Acha que o país tem condições de dominar também o processamento desses metais? Deixe sua opinião nos comentários, com respeito às diferentes visões, e compartilhe esta matéria com quem se interessa por ciência, geopolítica e mineração.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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