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Empreendedor viu a borra de café secando no lixo do vizinho, criou uma lenha ecológica de pellets em Varginha e hoje fatura até R$ 200 mil por mês

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 04/07/2026 às 23:00 Atualizado em 04/07/2026 às 23:02
Zolet: produto tem poder calorífico superior, com 5.100 kcal, contra 4.600 kcal da madeira | Foto: Divulgação Geraldo Aureliano Sakey
Zolet: produto tem poder calorífico superior, com 5.100 kcal, contra 4.600 kcal da madeira | Foto: Divulgação Geraldo Aureliano Sakey
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No sul de Minas, o fundador da Bricoffee, Luiz Fernando Zolet, reparou na borra de café que secava num filtro jogado no lixo e teve uma ideia. Hoje sua empresa, em Varginha, transforma o resíduo em pellets de biomassa, uma lenha ecológica que substitui a madeira, e fatura entre R$ 180 mil e R$ 200 mil por mês.

Uma cena banal no lixo do vizinho virou um negócio de verdade. Foi ao reparar em uma borra de café que secava dentro de um filtro descartado que Luiz Fernando Zolet teve a ideia de transformar esse resíduo em combustível. Nascia ali a semente da Bricoffee, história contada pelo Diário do Comércio.

Hoje, a Bricoffee é uma empresa de Varginha, no sul de Minas Gerais, que transforma a borra de café e outros resíduos do grão em pellets de biomassa, pequenos cilindros que funcionam como uma lenha ecológica. O que era lixo virou fonte de energia.

Os números mostram a força da ideia. Segundo o Diário do Comércio, a Bricoffee produz cerca de 1 tonelada de pellets por hora e fatura entre R$ 180 mil e R$ 200 mil por mês, dando à borra de café um destino muito mais nobre do que o aterro.

A seguir, veja como um filtro de café esquecido no lixo virou empresa, por que os pellets de biomassa são chamados de lenha ecológica e o que a Bricoffee tem a ver com as milhares de toneladas de borra de café que o Brasil descarta todos os dias.

Como um filtro de café no lixo virou uma empresa

Zolet: produto tem poder calorífico superior, com 5.100 kcal, contra 4.600 kcal da madeira | Foto: Divulgação Geraldo Aureliano Sakey
Zolet: produto tem poder calorífico superior, com 5.100 kcal, contra 4.600 kcal da madeira | Foto: Divulgação Geraldo Aureliano Sakey

A origem da Bricoffee está em um detalhe que quase todo mundo ignoraria. Segundo o Diário do Comércio, ao recolher o lixo de uma vizinha que havia sido revirado por um cachorro, Luiz Fernando Zolet deixou para trás um filtro de café. Só que aquele resíduo ficou na cabeça dele.

Foi a observação seguinte que mudou tudo. De acordo com a mesma fonte, Zolet reparou que a borra de café daquele filtro havia secado e passou a pensar se existia alguma forma de aproveitar o produto. A curiosidade virou pesquisa, e a pesquisa virou projeto.

O caminho não foi imediato. A produção de pellets feitos de borra de café começou por volta de 2020, em uma fábrica alugada no Paraná, ainda em pequena escala. A Bricoffee foi oficialmente criada em março de 2022, quando a ideia já mostrava que tinha mercado.

O momento também ajudou a dar o pontapé. O início da produção, por volta de 2020, coincidiu com um período de busca por novas fontes de renda, e a aposta na borra de café surgiu como uma alternativa concreta de trabalho. Da ideia ao primeiro lote de pellets, porém, foi preciso testar bastante.

O que chama atenção é a mudança de olhar. Onde a maioria via apenas lixo, o empreendedor enxergou matéria-prima. Essa virada de percepção é o coração da história da Bricoffee, que transformou a borra de café descartada em um produto com valor real.

O que é a Bricoffee e como a borra de café vira pellets

Bricoffee trabalha com aquilo que sobra do café. A empresa transforma resíduos do grão, como a borra de café, a película e a casca, em pellets de biomassa próprios para queima. É um aproveitamento quase total do que costuma ir para o lixo.

Os pellets são o formato final do produto. Trata-se de pequenos cilindros compactados a partir do resíduo seco, fáceis de transportar, armazenar e queimar. Esse formato padronizado é o que permite usar a borra de café como combustível de forma prática e em escala.

O desenvolvimento teve base técnica. O produto passou por estudos em laboratório e por desenvolvimento no Senai, o que ajudou a transformar uma intuição em processo industrial. Não se trata de uma receita caseira, e sim de um produto testado.

O resultado é uma nova fonte de biomassa. Ao concentrar o poder energético da borra de café em pellets, a Bricoffee cria um combustível renovável que compete com a lenha tradicional, com a vantagem de nascer de um resíduo que já existe aos montes.

Mas por que a borra de café queima bem? O resíduo é basicamente matéria orgânica que, depois de seca, concentra boa quantidade de energia. Compactada em pellets, essa biomassa libera calor de forma constante, o que a torna útil como combustível em fornos e caldeiras.

Por que os pellets de borra de café são chamados de lenha ecológica

Pellets feitos a partir de resíduos do café movimentam a fábrica em Varginha e atendem indústrias que buscam alternativas de aquecimento mais sustentáveis | Foto: Divulgação Geraldo Aureliano Sakey
Pellets feitos a partir de resíduos do café movimentam a fábrica em Varginha e atendem indústrias que buscam alternativas de aquecimento mais sustentáveis | Foto: Divulgação Geraldo Aureliano Sakey

O apelido de lenha ecológica não é à toa. Os pellets de borra de café são queimados no lugar da madeira, usados para aquecer caldeiras e gerar vapor. Ou seja, cumprem a mesma função da lenha, mas a partir de um resíduo reaproveitado.

O desempenho ajuda a explicar o nome. De acordo com a mesma fonte, os pellets da Bricoffee têm poder calorífico de 5.100 kcal, contra cerca de 4.600 kcal da madeira. Na prática, isso representa uma economia estimada entre 20% e 25% em relação à lenha comum.

Há também um ganho ambiental claro. Trocar a lenha tradicional por pellets de biomassa feitos de borra de café evita o corte de árvores e dá destino a um material que iria para o aterro. É um combustível que resolve dois problemas ao mesmo tempo.

Por isso, o produto se posiciona como alternativa concreta. Para quem depende de lenha para aquecer fornos, caldeiras e ambientes, os pellets da Bricoffee oferecem mais energia por quilo e uma origem sustentável, unindo eficiência e menor impacto no meio ambiente.

Para a indústria, essa diferença pesa no bolso. Fábricas que dependem de lenha ou de outros combustíveis para manter caldeiras aquecidas gastam com isso todos os meses. Uma economia de 20% a 25% por quilo, como a atribuída aos pellets da Bricoffee, pode significar um corte relevante de custo ao longo do ano.

De Paraná a Varginha, a capital do café

A história da Bricoffee tem uma virada geográfica importante. A produção começou no Paraná, mas a escassez de matéria-prima na região virou um obstáculo. Sem borra de café suficiente por perto, crescer ficava difícil.

A solução foi ir até a fonte do resíduo. Em agosto de 2024, a empresa transferiu a sede para Varginha, no sul de Minas Gerais, cidade reconhecida pela forte produção de café. Perto de quem processa o grão, sobra muito mais borra de café para virar pellets.

A mudança destravou a produção. A capacidade saltou dos 200 a 300 quilos por hora do início para cerca de 1 tonelada por hora na nova unidade. A proximidade da matéria-prima foi decisiva para essa escalada.

O caso mostra a lógica da biomassa. Como o transporte de resíduo pesa no custo, faz sentido produzir onde o material é abundante. Ao se instalar em Varginha, a Bricoffee garantiu borra de café em volume e reduziu a dependência de fornecedores distantes.

Varginha é um endereço estratégico. Conhecida como uma das capitais do café no país, a cidade concentra indústrias que processam o grão e, com elas, geram borra de café em grande quantidade. Estar ali significa ter a matéria-prima praticamente na porta da fábrica.

1 tonelada por hora: a produção de biomassa da Bricoffee

Os números atuais dão a dimensão do negócio. A Bricoffee produz hoje cerca de 1 tonelada de pellets por hora, o que gera entre 10 e 12 toneladas de biomassa por dia. É um volume que já coloca a empresa em escala industrial.

E a expectativa é dobrar de tamanho. De acordo com a mesma fonte, o plano é chegar a 2 toneladas por hora, o que elevaria a produção para 20 a 24 toneladas diárias. O investimento previsto fica entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões, com execução estimada para 2026.

A matéria-prima não parece ser o gargalo. Ainda segundo o Diário do Comércio, há disponibilidade de 600 a 800 toneladas de resíduo por mês na região, o que dá fôlego para a expansão. Sobra borra de café para transformar em pellets.

Esse ritmo mostra que a ideia saiu do improviso. Do filtro seco no lixo à produção de toneladas de biomassa, a Bricoffee construiu uma operação real, com metas de crescimento e uma cadeia montada em torno da borra de café descartada.

Para ter noção, 10 a 12 toneladas por dia equivalem a milhares de quilos de resíduo que deixam de ir para o lixo diariamente. Multiplicado ao longo do mês, esse volume mostra por que a Bricoffee já se enxerga como uma operação de biomassa em escala, e não como um simples experimento.

Até R$ 200 mil por mês: o negócio por trás do resíduo

O reaproveitamento virou faturamento consistente. A Bricoffee fatura hoje entre R$ 180 mil e R$ 200 mil por mês com a venda dos pellets de biomassa. É a prova de que dar destino à borra de café pode ser um bom negócio.

O modelo tem uma inversão interessante. De acordo com a mesma fonte, em vez de as indústrias pagarem para descartar o resíduo, a Bricoffee paga pelo material, valorizando o que antes era jogado fora. O que era custo para uns virou fonte de renda para a empresa.

Esse desenho transforma passivo em ativo. Um resíduo que gerava despesa e problema ambiental passa a ter valor de mercado como biomassa. A borra de café, antes um estorvo, vira insumo disputado dentro de uma lógica de economia circular.

Vale reforçar de onde tudo partiu. Sair de uma observação no lixo de casa para faturar até R$ 200 mil por mês é um exemplo de como uma boa ideia, somada a método e trabalho, pode transformar borra de café em um produto rentável e útil.

O modelo ainda ajuda o cliente dos dois lados. A indústria que fornece o resíduo deixa de arcar com o custo do descarte, e quem compra os pellets troca a lenha por um combustível de origem sustentável. É uma conta que fecha para todos os envolvidos na cadeia da borra de café.

Para que servem os pellets de borra de café?

As aplicações são mais variadas do que parece. Segundo o Canal Rural, os pellets de borra de café podem ser usados para aquecer aviários, esquentar a água de hotéis e clubes, alimentar fornos e caldeiras industriais e comerciais e até aquecer ambientes residenciais. É energia para muitos usos.

Em todos esses casos, o produto entra no lugar da lenha. Onde antes se queimava madeira ou outro combustível, os pellets de biomassa assumem a função, com a vantagem de virem de um resíduo. A troca é direta e não exige, em geral, grandes mudanças no equipamento.

Há ainda um diferencial ambiental de peso. De acordo com o Canal Rural, a Bricoffee desenvolve um projeto de crédito de carbono ligado à substituição de combustíveis por essa biomassa. A ideia é somar o ganho ambiental ao ganho econômico de quem adota os pellets.

Tudo isso amplia o alcance da borra de café. Em vez de ficar restrita a um nicho, a lenha ecológica da Bricoffee pode atender indústrias, comércios e até residências, mostrando que o resíduo do cafezinho tem utilidade muito além da xícara.

O que isso tem a ver com o Brasil

O Brasil é, ao mesmo tempo, gigante do café e gerador de resíduo. Segundo a Bricoffee, cerca de 8 mil toneladas de borra de café são descartadas por dia no país, um volume enorme para ter como destino apenas o aterro sanitário. É lixo com potencial de sobra.

Esse cenário abre uma oportunidade e tanto. Transformar parte dessas 8 mil toneladas em pellets de biomassa significaria gerar energia limpa e reduzir o desperdício ao mesmo tempo. A experiência da Bricoffee mostra, na prática, que isso é possível.

Há também uma conexão com a matriz energética. Ao oferecer uma lenha ecológica com bom poder calorífico, a borra de café pode ajudar indústrias a reduzir o uso de combustíveis mais poluentes. Num país que discute energia mais limpa, cada alternativa conta.

Não faltaria matéria-prima para escalar a ideia. O Brasil é o maior produtor de café do mundo, o que significa uma quantidade imensa de borra de café e de outros resíduos do grão gerados o ano inteiro. Aproveitar essa sobra como biomassa é uma oportunidade à altura do tamanho do país.

Por fim, o caso valoriza a inovação nacional. Uma empresa brasileira que nasceu de uma observação no lixo e hoje fatura com biomassa de café é um exemplo de economia circular feita no país. É o tipo de solução que outras cidades e setores podem replicar Brasil afora.

E você, imaginava que a borra de café podia virar lenha?

A trajetória da Bricoffee mostra como um olhar atento pode transformar lixo em oportunidade. De um filtro seco no lixo do vizinho a uma fábrica em Varginha, Luiz Fernando Zolet criou um negócio que transforma borra de café em pellets de biomassa e fatura até R$ 200 mil por mês, dando ao resíduo o papel de lenha ecológica.

Mais do que uma curiosidade, é um exemplo concreto de economia circular no Brasil. Ao pagar pelo resíduo que antes ia para o aterro e devolvê-lo ao mercado como energia, a Bricoffee prova que sustentabilidade e negócio podem andar juntos, com números reais por trás.

E você, imaginava que a borra de café que sobra no coador podia virar uma lenha ecológica capaz de aquecer fornos e caldeiras? Acha que mais empresas deveriam aproveitar resíduos como esse para gerar energia? Conta aqui nos comentários a sua opinião e compartilhe com quem ama um bom café.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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