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James Webb sela o destino do asteroide 2024 YR4 que chegou a ter 4,3% de chance de acertar a Lua e cálculo final da NASA mostra passagem segura a 21,2 mil quilômetros do satélite em 22 de dezembro de 2032

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 11/06/2026 às 15:18
Atualizado em 11/06/2026 às 15:20
James Webb descarta impacto do asteroide 2024 YR4 e NASA confirma passagem a 21,2 mil km da Lua em 2032 após defesa planetária.
James Webb descarta impacto do asteroide 2024 YR4 e NASA confirma passagem a 21,2 mil km da Lua em 2032 após defesa planetária.
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O veredito foi divulgado pela NASA no início de março de 2026, com base em observações de fevereiro, e encerra a novela do objeto que liderou a lista de defesa planetária. O asteroide segue monitorado e só voltará a ser visível para telescópios a partir da Terra em 2028.

O anúncio que aposentou o alerta saiu no início de março de 2026, quando a NASA, por meio do Centro de Estudos de Objetos Próximos da Terra, o CNEOS, do Laboratório de Propulsão a Jato, recalculou a órbita do asteroide 2024 YR4 e descartou qualquer possibilidade de impacto na Lua. A revisão se apoiou em duas observações feitas pelo Telescópio Espacial James Webb em 18 e 26 de fevereiro de 2026, e o resultado, segundo a agência, mostra que a rocha passará a cerca de 21,2 mil quilômetros da superfície lunar em 22 de dezembro de 2032, longe demais para qualquer colisão.

O trabalho foi liderado por pesquisadores de peso da astronomia americana. Andy Rivkin, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, e Julien de Wit, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, conduziram as observações dentro do programa de Tempo Discricional do Diretor do Webb, segundo o material divulgado pela NASA e pela Agência Espacial Europeia, a ESA, porque nenhum outro telescópio do mundo conseguia enxergar o objeto naquele momento.

A montanha-russa de probabilidades do asteroide 2024 YR4

 James Webb descarta impacto do asteroide 2024 YR4 e NASA confirma passagem a 21,2 mil km da Lua em 2032 após defesa planetária.
Poucos objetos espaciais assustaram tanto os astrônomos em tão pouco tempo. 

Descoberto em 27 de dezembro de 2024 por um telescópio do sistema ATLAS, financiado pela NASA, em Río Hurtado, no Chile, o asteroide 2024 YR4 chegou a ter 3,1% de chance de atingir a Terra em fevereiro de 2025, segundo o CNEOS, a maior probabilidade já registrada para um objeto daquele porte, o que o levou ao nível 3 da Escala de Turim e ao topo da lista de defesa planetária da agência.

A Terra saiu da mira rapidamente, mas a Lua entrou nela. 

Com mais observações, o risco para o nosso planeta caiu a praticamente zero, e os cálculos passaram a apontar entre 4% e 4,3% de probabilidade de a rocha de 53 a 67 metros de diâmetro, comparável a um prédio de 15 andares, acertar o satélite natural em dezembro de 2032, cenário que ficou de pé até o início de 2026 e mobilizou agências espaciais do mundo todo.

Como o James Webb resolveu o que nenhum telescópio conseguia ver

Desde a primavera de 2025 no hemisfério norte, o asteroide estava invisível para qualquer instrumento, exceto um. 

Segundo a NASA, o James Webb foi o único telescópio com estabilidade, sensibilidade e rastreamento preciso de alvos em movimento para reencontrar o objeto, em uma das detecções de asteroide mais fracas já realizadas, com a câmera de infravermelho próximo NIRCam somando exposições de várias horas sem que a rocha se deslocasse um único pixel no sensor.

O detalhe que matou a hipótese do impacto coube a uma régua europeia. 

A posição medida pelo Webb foi comparada com as estrelas de fundo catalogadas pela missão Gaia, da ESA, e o asteroide apareceu deslocado cerca de 22 pixels, o equivalente a meio segundo de arco, da posição que ainda sustentaria alguma chance de choque com a Lua, segundo o material divulgado pelas agências.

Com o arco de observação praticamente dobrado, a projeção da órbita para 2032 ganhou a precisão que faltava.

O impacto que não vai acontecer renderia uma cratera de 1 quilômetro

 James Webb descarta impacto do asteroide 2024 YR4 e NASA confirma passagem a 21,2 mil km da Lua em 2032 após defesa planetária.
Os números do cenário descartado explicam por que o mundo científico prendeu a respiração. 

Um estudo apresentado pelo astrônomo Paul Wiegert e equipe, repercutido pela revista Exame, estimou que a colisão do 2024 YR4 com a Lua liberaria cerca de 6,5 megatons de energia, aproximadamente 400 vezes a bomba de Hiroshima, abrindo uma cratera de 1 quilômetro de diâmetro, e o pesquisador Patrick King, da Johns Hopkins, calculou que 86% dos possíveis pontos de impacto estavam na face lunar voltada para a Terra, com clarão potencialmente visível a olho nu.

Havia ainda o temor dos estilhaços, que este portal acompanhou de perto. 

Cientistas chegaram a debater o risco de detritos lunares ejetados pelo choque alcançarem a vizinhança da Terra e ameaçarem satélites e astronautas, discussão que incluía até propostas inéditas de desviar ou fragmentar a rocha.

Tudo isso, vale o rótulo claro, era cenário condicionado a um impacto que as medições de fevereiro de 2026 eliminaram.

A Lua está a salvo e a vigilância continua de plantão

O recado das agências foi de alívio sem desmobilização. 

A Lua está a salvo e o 2024 YR4 não representa nenhum perigo, mas o trabalho continua, afirmou a equipe de Defesa Planetária do Programa de Segurança Espacial da ESA, segundo o jornal mexicano La Jornada, destacando que a detecção e o rastreamento de objetos próximos da Terra seguem em ritmo integral para que nenhuma ameaça real pegue o planeta desprevenido.

O episódio ainda deixou um legado técnico valioso. 

A NASA e a ESA confirmaram que o James Webb consegue isolar visualmente objetos extremamente tênues contra campos estelares brilhantes, técnica que deve ser padronizada para futuras ameaças, e o próprio 2024 YR4 voltará ao alcance dos telescópios terrestres em 2028, quando novas medições poderão refinar ainda mais a passagem de 2032.

Do pânico ao alívio em 14 meses de defesa planetária

A trajetória do asteroide 2024 YR4, do recorde de 3,1% de risco para a Terra ao veredito de passagem segura pela Lua, virou o melhor estudo de caso recente de como a defesa planetária funciona: detectar cedo, medir sem parar e deixar os dados, não o medo, darem a palavra final. 

Em 22 de dezembro de 2032, a rocha do tamanho de um prédio vai cruzar o céu a 21,2 mil quilômetros da Lua e seguir viagem.

E você, acompanhou a novela do asteroide desde os alertas de 2025 e acha que o investimento bilionário em defesa planetária se paga ou o risco real desses objetos é exagerado? Deixe sua opinião nos comentários e participe da conversa, sempre com respeito às diferentes opiniões.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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