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Um menino malaio de 10 anos usou o cartão de crédito da mãe para registrar o domínio AI.com por US$ 100 em 1993, manteve-o por décadas e depois o vendeu por US$ 70 milhões

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 14/02/2026 às 16:16 Atualizado em 14/02/2026 às 16:19
Um menino malaio de 10 anos usou o cartão de crédito da mãe para registrar o domínio AI.com por US$ 100 em 1993, manteve-o por décadas e depois o vendeu por US$ 70 milhões
Kris Marszalek, CEO da Crypto.com, compra AI.com por cerca de US$ 70 milhões e paga mais US$ 10 milhões por um comercial no Super Bowl de 2026, tentando transformar o domínio na vitrine global de uma nova plataforma de agentes de IA
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Kris Marszalek, CEO da Crypto.com, compra AI.com por cerca de US$ 70 milhões e paga mais US$ 10 milhões por um comercial no Super Bowl de 2026, tentando transformar o domínio na vitrine global de uma nova plataforma de agentes de IA

Em 1993, um menino malaio de 10 anos tomou uma decisão aparentemente trivial: usar o cartão de crédito da mãe para registrar um domínio na internet por 100 dólares. Ele escolheu duas letras que lhe pareciam naturais, “AI”, porque coincidiam com suas iniciais. O que Arsyan Ismail não podia imaginar é que, mais de três décadas depois, essas duas letras se tornariam um dos endereços mais valiosos de toda a internet: AI.com.

Em abril de 2025, o mesmo domínio foi vendido por cerca de 70 milhões de dólares, valor equivalente a mais de 300 milhões de ringgit malaios (RM), em uma das maiores negociações de compra e venda de domínios da história da internet. O comprador foi Kris Marszalek, CEO e cofundador da plataforma de criptomoedas Crypto.com, que pagou o valor integral em criptomoedas e transformou o AI.com na porta de entrada para sua nova aposta em inteligência artificial.

Um menino, um cartão de crédito e duas letras

Quando Arsyan Ismail registrou o AI.com, a internet ainda estava na adolescência: a web comercial estava apenas começando e a ideia de que um domínio pudesse valer milhões parecia ficção científica. Naquele momento, o registro de domínios era quase um ato experimental, restrito a entusiastas de tecnologia, acadêmicos e às primeiras empresas que se aventuravam a explorar o novo espaço digital.

Segundo veículos malaios como Malay Mail e Says, Arsyan utilizou o número do cartão de crédito da mãe para pagar os 100 dólares do registro — uma quantia alta para uma criança, mas insignificante se comparada ao que viria décadas depois. Não havia, segundo ele mesmo relatou, nenhuma visão premonitória sobre o futuro da inteligência artificial: ele escolheu “AI” por ser a abreviação de seu próprio nome, e não por “Artificial Intelligence”.

Com o passar do tempo, Arsyan consolidou-se como empreendedor no ecossistema tecnológico asiático, participando de plataformas como Kawanster, Nuffnang e Friendster, fundando a empresa 1337 Tech e tornando-se um dos primeiros adotantes de Bitcoin e outros ativos digitais. Também ficou conhecido por colecionar “raridades digitais”, como endereços de e-mail extremamente curtos e outros identificadores pouco comuns.

O que na infância foi uma mistura de curiosidade e acaso acabou se tornando o melhor investimento de sua vida.

Arsyan Ismail, o empreendedor malaio que registrou o AI.com em 1993, aos 10 anos, sem imaginar que décadas depois o domínio se tornaria um dos mais valiosos da internet.

AI.com: de curiosidade a “joia” do mercado de domínios

À medida que a inteligência artificial ganhava protagonismo — especialmente com a explosão da IA generativa — o termo “AI” tornou-se uma das siglas mais disputadas do mundo da tecnologia. Domínios curtos, memoráveis e diretamente associados a conceitos de alto impacto transformaram-se em verdadeiros “imóveis digitais de luxo”.

Antes da operação envolvendo o AI.com, o mercado de domínios já registrava valores impressionantes:

  • CarInsurance.com foi vendido por cerca de 49,7 milhões de dólares.
  • VacationRentals.com mudou de mãos por aproximadamente 35 milhões de dólares.
  • Sex.com chegou a ultrapassar 13 milhões de dólares em diferentes transações.

Mesmo nesse contexto inflacionado, o AI.com se destacou: com valor de 70 milhões de dólares, foi apontado por veículos especializados como o domínio mais caro já comercializado. Em outra lógica, são aproximadamente 35 milhões de dólares por cada letra do nome.

Corretores e especialistas em branding digital descrevem ativos como AI.com como “insubstituíveis”: não há alternativa que ofereça, ao mesmo tempo, brevidade, associação direta a uma megatendência tecnológica e potencial para se tornar uma marca global. Uma vez que um domínio assim muda de dono, dificilmente volta ao mercado.

O CEO e cofundador da Crypto.com, Kris Marszalek, que comprou o domínio AI.com por cerca de 70 milhões de dólares para impulsionar sua nova aposta em inteligência artificial.

A aposta da Crypto.com e o lançamento no Super Bowl

Do outro lado da negociação estava Kris Marszalek, fundador e CEO da Crypto.com, uma das plataformas de criptomoedas mais conhecidas do mundo. Marszalek não apenas desembolsou 70 milhões de dólares pelo domínio AI.com, como também pagou outros 10 milhões de dólares por um anúncio publicitário durante o Super Bowl de 2026 — um dos espaços mais caros e disputados da indústria global.

A estratégia era clara: aproveitar um evento de audiência massiva para apresentar o AI.com como a nova grande plataforma de agentes pessoais de inteligência artificial. O comercial convidava os espectadores a acessarem o site para registrar seu “handle” — um nome de usuário único — e criar seu primeiro agente, que supostamente poderia agir em seu nome, organizar tarefas, gerenciar projetos, operar investimentos e até administrar perfis em aplicativos de relacionamento.

O slogan mirava alto, com frases como “acelerar a chegada da AGI” (inteligência artificial geral), reforçando a ideia de que não se tratava apenas de mais um produto, mas de uma aposta de longo prazo na próxima grande onda tecnológica. O lançamento, no entanto, não foi perfeito: pouco depois da exibição do comercial, usuários relataram quedas e problemas de acesso ao site — um contraste curioso entre o valor pago e a experiência inicial.

O valor (e o risco) de um nome na era da IA

Página inicial do AI.com, que convida os usuários a “reivindicar seu handle” e lançar seu próprio agente de inteligência artificial, como parte da nova aposta tecnológica impulsionada pela Crypto.com.

Por que uma empresa estaria disposta a pagar 70 milhões de dólares por um nome de duas letras? Para muitos analistas, a resposta está na combinação de branding, posicionamento estratégico e escassez extrema.

Na era da inteligência artificial, controlar o domínio AI.com significa:

  • Ter acesso direto à palavra-chave mais buscada do setor.
  • Capturar tráfego orgânico de usuários que digitam “ai.com” por curiosidade ou intuição.
  • Construir uma marca que, por si só, já sugere liderança no espaço da IA.

No entanto, pagar cifras astronômicas por um domínio não garante retorno. A história lembra casos como o do Lambo.com: o investidor Richard Blair comprou o domínio por 10 mil dólares e, ao reivindicar um preço de 75 milhões, acabou perdendo-o nos tribunais para a Lamborghini, sem receber compensação e ainda tendo que arcar com os custos legais. É um lembrete de que, no mundo dos nomes digitais, o valor percebido pode colidir com os limites do direito de marcas e das expectativas de mercado.

Para Marszalek, o preço altíssimo se justifica por uma visão de longo prazo. Sua aposta é que a inteligência artificial não é uma bolha passageira, mas uma das maiores transformações tecnológicas das próximas décadas — e que possuir o AI.com é tão estratégico quanto a própria tecnologia que a plataforma pretende oferecer.

Da anedota pessoal ao mito digital

No centro dessa história continua o mesmo menino que, em 1993, decidiu registrar “suas iniciais” na web: Arsyan Ismail. Hoje, com mais de 40 anos, experiência em startups tecnológicas e trajetória como pioneiro em criptomoedas, ele vê uma decisão improvisada da infância transformar-se em um dos maiores “golpes de sorte calculados” do mundo digital.

Se dividirmos o preço final pelos caracteres do domínio, o resultado é quase absurdo: cerca de 14 milhões de euros por cada símbolo do nome AI.com. Para Arsyan, os 100 dólares investidos há mais de três décadas se converteram em um retorno tão extraordinário que dificilmente poderá se repetir.

Mais do que o valor financeiro, a história do AI.com funciona como metáfora da própria internet: um espaço onde decisões aparentemente pequenas podem crescer até alcançar impacto global, onde a combinação de acaso, visão e contexto histórico pode transformar duas simples letras em um patrimônio de dezenas de milhões.

Em um mundo no qual ativos digitais competem com bens físicos em valor e prestígio, o caso do AI.com marca um marco histórico: a prova de que, às vezes, o melhor negócio do futuro se esconde atrás de um gesto inocente do passado.

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Erick Vinicius Alves Da Silva
Erick Vinicius Alves Da Silva
22/02/2026 19:41

Tudo começa com esforço equilíbrio e garra todos conseguem

Ecinario
Ecinario
16/02/2026 12:47

Muita sorte desse camarada 1993 ainda, mais valeu apena hoje!

Edson
Edson
15/02/2026 09:53

É vamos ver no que isso vai dar

Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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