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Um médico estalou os dedos de uma mão durante 60 anos seguidos e nunca estalou a outra para provar que estalar os dedos não causa artrite e no final não havia nenhuma diferença entre as duas mãos e ele ganhou um prêmio científico por isso

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 13/04/2026 às 21:09
Atualizado em 13/04/2026 às 21:13
Um médico estalou os dedos de uma mão por 60 anos e nunca tocou na outra. Resultado: nenhuma artrite. O experimento rendeu o Prêmio Ig Nobel em 2009.
Um médico estalou os dedos de uma mão por 60 anos e nunca tocou na outra. Resultado: nenhuma artrite. O experimento rendeu o Prêmio Ig Nobel em 2009.
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O médico Donald Unger estalou os dedos da mão esquerda durante 60 anos e nunca estalou a direita para testar se o hábito causa artrite, e no final não havia diferença entre as duas mãos, o que lhe rendeu o Prêmio Ig Nobel e derrubou um dos mitos mais repetidos sobre saúde articular.

Existe um mito que quase todo mundo já ouviu: estalar os dedos causa artrite. Mas um médico decidiu testar essa crença da forma mais radical possível e dedicou 60 anos da própria vida a um experimento que usou suas próprias mãos como laboratório. O Dr. Donald Unger estalou diariamente os dedos da mão esquerda enquanto mantinha a mão direita como controle, sem nunca estalá-la. Após seis décadas de disciplina, o resultado foi inequívoco: não havia nenhuma diferença entre as duas mãos, nem artrite, nem desgaste, nem qualquer sinal de dano articular.

O experimento do médico não apenas derrubou uma crença popular. Ele rendeu ao Dr. Unger o Prêmio Ig Nobel em 2009, uma premiação que reconhece pesquisas que fazem as pessoas rir primeiro e pensar depois. O caso se tornou um dos exemplos mais citados de como mitos sobre saúde podem persistir por gerações sem nenhuma base científica, enquanto uma pessoa curiosa o bastante, neste caso um médico com paciência extraordinária, pode desmontar a crença com um único experimento de longo prazo.

O que motivou o médico a estalar os dedos por 60 anos

Conforme estudo publicado no PubMed, a história começa com uma bronca da mãe. Quando era criança, o médico ouvia constantemente que estalar os dedos faria mal às articulações e causaria artrite quando ele envelhecesse, uma advertência que milhões de crianças ao redor do mundo ainda escutam dos pais e avós.

Em vez de simplesmente aceitar ou ignorar o conselho, Unger decidiu que ia provar se a afirmação era verdadeira ou falsa da única forma que um cientista pode: testando.

O médico estabeleceu uma regra simples que manteve durante seis décadas: estalava os dedos da mão esquerda pelo menos duas vezes por dia, todos os dias, e nunca tocava nos dedos da direita.

A mão direita servia como controle do experimento, exatamente como se faz em qualquer estudo científico onde se compara um grupo que recebe o tratamento com outro que não recebe. A diferença é que o “tratamento” durou 60 anos e o laboratório eram as próprias mãos do pesquisador.

O que a ciência diz sobre o som que sai quando alguém estala os dedos

O estalo que se ouve quando os dedos são pressionados não é osso batendo em osso, como muita gente imagina. O médico e outros pesquisadores explicam que o som se produz pela formação e ruptura de bolhas de gás no líquido sinovial, a substância que lubrifica as articulações.

Quando se estala um dedo, a pressão interna da articulação muda rapidamente, fazendo com que gases dissolvidos no líquido formem bolhas que estouram e geram o som característico.

O processo não envolve contato entre superfícies ósseas nem desgaste de cartilagem, que são os mecanismos reais por trás da artrite. É como abrir uma garrafa de refrigerante: o gás sai, faz barulho, mas a garrafa não se danifica.

Depois de alguns minutos, o gás se dissolve novamente no líquido sinovial e o dedo pode ser estalado de novo. O médico Unger entendeu essa mecânica e por isso manteve a confiança no experimento ao longo de décadas.

O resultado que o médico encontrou após 60 anos de experimento

Após seis décadas estalando apenas a mão esquerda, o médico submeteu ambas as mãos a exames detalhados. Não havia diferença entre a mão que foi estalada diariamente por 60 anos e a mão que nunca foi estalada: nenhuma artrite, nenhuma inflamação, nenhum sinal de desgaste articular diferenciado.

As duas mãos estavam em condições equivalentes para a idade, demonstrando que o estalar dos dedos não produziu os danos que a crença popular prometia.

O resultado do médico é consistente com outras pesquisas que utilizaram exames de imagem para comparar articulações de pessoas que estalam os dedos com pessoas que não estalam. Nenhum estudo encontrou evidência de que o hábito cause artrite ou danos estruturais às articulações.

A ciência é clara: estalar os dedos pode incomodar quem está perto pelo barulho, mas não causa os problemas de saúde que gerações de pais atribuíram ao hábito.

O Prêmio Ig Nobel que o médico recebeu por sua dedicação de seis décadas

Em 2009, o Dr. Donald Unger recebeu o Prêmio Ig Nobel de Medicina por seu experimento de 60 anos. O Ig Nobel é uma premiação que reconhece pesquisas científicas incomuns que primeiro fazem rir e depois fazem pensar, entregue anualmente na Universidade Harvard.

A premiação ao médico reconheceu tanto o valor científico do experimento quanto a extraordinária disciplina de manter um protocolo de pesquisa por seis décadas sem interrupção.

O caso do médico se tornou um dos mais citados em divulgação científica sobre mitos de saúde. Ele demonstra que crenças populares sobre o corpo humano podem sobreviver por séculos sem que ninguém se dê ao trabalho de testá-las de forma rigorosa.

A ironia é que bastou um único pesquisador paciente para desmontar algo que milhões de pessoas repetiam como verdade absoluta. O prêmio não foi apenas por provar que estalar os dedos não causa artrite. Foi por mostrar que a ciência exige paciência, e às vezes 60 anos de paciência.

Quando estalar os dedos pode realmente ser um problema

Embora o experimento do médico tenha demonstrado que estalar os dedos de forma moderada não causa artrite, existem situações onde o hábito merece atenção. Forçar as articulações antes que o gás se recomponha no líquido sinovial, ou aplicar pressão excessiva, pode gerar desconforto e até lesões momentâneas.

Dor prolongada ou inchaço após o estalo não é normal e sugere que algo diferente está acontecendo na articulação, justificando uma consulta com um profissional.

Para quem deseja abandonar o hábito, o médico e outros especialistas recomendam identificar o que desencadeia o comportamento. Muitas pessoas estalam os dedos como resposta ao nervosismo ou à ansiedade, e substituir a ação por alternativas como bolas antiestresse ou alongamentos pode ser eficaz.

O estalar dos dedos não faz mal conforme o experimento de 60 anos comprovou, mas se o hábito incomoda ou causa desconforto, existem formas de modificá-lo sem precisar de 60 anos de disciplina.

Você estala os dedos e já ouviu alguém dizer que isso causa artrite? O que acha do experimento de 60 anos do médico que usou as próprias mãos para desmentir o mito? Conta nos comentários. Mitos sobre saúde que todo mundo repete sem questionar merecem esse tipo de debate, especialmente quando um único cientista paciente prova que a crença estava errada.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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