Mar de Aral perdeu 90% do volume após desvios para irrigação soviética, virou deserto e deixou uma das maiores tragédias ambientais da era moderna.
O Mar de Aral já foi o quarto maior corpo de água interior do mundo, com cerca de 68 mil km² em 1960, entre o atual Cazaquistão e o Uzbequistão. A partir daquela década, porém, a União Soviética passou a desviar as águas dos rios Amu Darya e Syr Darya para expandir a agricultura irrigada na Ásia Central, sobretudo em áreas ligadas à produção de algodão. O resultado foi um colapso ambiental de escala histórica. Segundo a NASA, o lago perdeu 90% do volume desde 1960 e acabou fragmentado em porções menores; segundo a própria agência, em 2014 o lobo oriental do Mar de Aral do Sul desapareceu completamente.
O que antes era um imenso espelho d’água se transformou em solo exposto, poeira salina, crise sanitária e colapso econômico para cidades que dependiam da pesca.
Desvio dos rios Amu Darya e Syr Darya condenou o Mar de Aral ao encolhimento
A Britannica aponta que a principal causa do encolhimento do Mar de Aral foi o desvio, para fins de irrigação, das águas do Syr Darya, ao norte, e do Amu Darya, ao sul, que historicamente abasteciam o lago. A enciclopédia registra que, com a conversão de grandes áreas da Ásia Central em fazendas irrigadas durante o período soviético, a quantidade de água que chegava ao Aral despencou de forma drástica.
-
Mãe descobre que pode ter ganhado £ 12 milhões na loteria, mas enfrenta espera angustiante após comerciante jogar o bilhete no lixo
-
Casal comprou uma casa em Sheffield e, ao arrancar o carpete do corredor, achou um alçapão que dava para um porão secreto de 23 m² com pé-direito de 2 metros, descoberta que dispensou uma extensão cara e, segundo eles, somou £ 70 mil ao valor do imóvel
-
Enfermeiro comprou por 20 mil uma casa de 1955 largada por um acumulador no Texas e, meses depois, uma chuva revelou no quintal uma piscina soterrada avaliada em US$ 160 mil, que ele recuperou sozinho por cerca de US$ 10 mil, uma fração do custo de construir uma nova
-
O Reino Unido está transformando fezes de cachorro deixadas em trilhas em gás para acender uma luminária pública por meio de um projeto improvável e surpreendente que mostra como até um dos resíduos mais rejeitados das cidades pode gerar energia
Esse processo não foi uma oscilação natural comum em lagos endorreicos, mas uma intervenção planejada em larga escala.
Ainda de acordo com a Britannica, já nos anos 1980 os dois grandes rios praticamente secavam durante o verão antes de alcançar o lago, e a evaporação passou a superar com folga a reposição de água.
A tragédia ganhou proporções ainda mais nítidas nas imagens de satélite. A NASA registrou que, desde 1960, o Aral perdeu 90% do volume, fragmentou-se em vários corpos d’água e entrou numa espiral de retração que atingiu de forma mais severa a parte sul. Em 2024, a agência também observou que o lago havia recuado para cerca de 10% da área original, um sinal da profundidade da devastação.
Colapso do Mar de Aral destruiu a pesca e espalhou poeira tóxica sobre a região
À medida que o lago secou, a crise deixou de ser apenas hidrológica e passou a atingir toda a estrutura de vida da região. A NASA informa que as pescarias e as comunidades que dependiam delas entraram em colapso, enquanto a água remanescente ficou mais salgada e contaminada por fertilizantes e pesticidas carregados pela agricultura irrigada. A mesma fonte relata que o leito exposto do antigo lago passou a lançar para a atmosfera poeira misturada com sais e resíduos agrícolas, transformando-se em um risco à saúde pública.

A perda daquela enorme massa d’água também alterou o clima regional: os invernos ficaram mais frios e os verões mais quentes e secos, ampliando o impacto sobre a agricultura e sobre a vida cotidiana na Ásia Central.
Em 2024, a NASA descreveu o Aralkum como um dos desertos mais novos do mundo, formado sobre o antigo leito do Mar de Aral e com cerca de 62 mil km². A agência também destacou que a rápida aridificação passou a gerar tempestades de areia e poeira que afetam a qualidade do ar, consolidando uma nova paisagem onde antes havia água.
Muynak virou símbolo visível da catástrofe que afastou o mar da costa
A devastação do Mar de Aral pode ser lida com nitidez em antigas cidades portuárias. Em seu verbete sobre as consequências ambientais do lago, a Britannica afirma que os portos de Aral, no nordeste, e Mŭynoq, no sul, ficaram distantes da margem à medida que a água recuou, abrindo caminho para despovoamento parcial das áreas antes ligadas diretamente à pesca.
A mesma fonte registra que a rápida retração do lago destruiu virtualmente a indústria pesqueira da região. A salinidade subiu, os peixes desapareceram em massa e a economia construída em torno da pesca perdeu sustentação, deixando embarcações, estruturas portuárias e bairros inteiros sem função econômica.
Por isso, Muynak se tornou um dos retratos mais conhecidos dessa tragédia ambiental. O que era uma cidade conectada à água passou a viver diante de um horizonte seco, marcado por navios abandonados, poeira salina e uma geografia radicalmente alterada pela decisão de usar os rios que alimentavam o lago para sustentar a agricultura irrigada.
Barragem Kok-Aral mostrou que parte do Mar de Aral ainda pode reagir
Apesar da escala do desastre, o norte do lago apresentou um raro sinal de recuperação. A NASA informa que o Cazaquistão construiu uma barragem entre as partes norte e sul do Aral para tentar preservar uma porção do lago, e que a Barragem Kok-Aral, concluída em 2005, ajudou a conter a saída de água do Mar de Aral do Norte.
O Banco Mundial, que apoiou esse esforço, relata que a restauração gradual do norte ajudou a reduzir parte dos efeitos ambientais e sociais mais severos. A instituição informou, à época, que a salinidade da água deveria cair de cerca de 23 gramas por litro para 10 gramas por litro, aproximando-se dos níveis de 1960, enquanto espécies de peixes e atividades pesqueiras começavam a reaparecer em algumas áreas.
Essa recuperação, porém, é parcial e localizada. A própria NASA ressalta que a barragem favoreceu a recuperação pesqueira no norte, mas não impediu o avanço da crise no sul, onde a retração seguiu de forma dramática.
O Mar de Aral continua sendo um alerta global sobre o que acontece quando a retirada de água para irrigação ultrapassa de forma persistente a capacidade natural de reposição de um grande lago.

