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Medindo cerca de 2,3 metros de envergadura, a águia-real (Aquila chrysaetos) pode voltar aos céus da Inglaterra após 150 anos, com plano de R$ 6,7 milhões e soltura em 2027

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Escrito por Ruth Rodrigues Publicado em 23/04/2026 às 06:19 Atualizado em 23/04/2026 às 06:22
Com aporte de 1 milhão de libras, o Reino Unido quer reintroduzir a águia-real na Inglaterra. Saiba como o projeto planeja o retorno da espécie para 2027.
Com aporte de 1 milhão de libras, o Reino Unido quer reintroduzir a águia-real na Inglaterra. Saiba como o projeto planeja o retorno da espécie para 2027. (Imagem meramente ilustrativa)
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Com aporte de 1 milhão de libras, o Reino Unido quer reintroduzir a águia-real na Inglaterra. Saiba como o projeto planeja o retorno da espécie para 2027.

O governo do Reino Unido anunciou um investimento expressivo de 1 milhão de libras (aproximadamente 6,7 milhões de reais) para viabilizar o retorno definitivo da águia-real (Aquila chrysaetos) aos céus da Inglaterra.

O projeto baseia-se em um estudo técnico da Forestry England que comprova a viabilidade de trazer a espécie de volta após um hiato de um século e meio.

A estratégia principal consiste na soltura de aves jovens, com idade entre seis e oito semanas, prevista para começar em 2027.

O objetivo é restaurar o equilíbrio ambiental em áreas selecionadas, especialmente no norte do país, onde o habitat é considerado ideal para a sobrevivência desses predadores.

Planejamento e áreas de soltura para 2027

A pesquisa que sustenta o investimento identificou oito regiões estratégicas, chamadas de “zonas de recuperação”, para receber a águia-real.

A maior parte desses locais está situada na região norte da Inglaterra, servindo como um corredor natural para aves que já começaram a cruzar a fronteira vindas da Escócia.

Embora o avistamento de indivíduos isolados possa ocorrer em até uma década, especialistas alertam que a formação de colônias fixas para reprodução será um processo gradual e de longo prazo.

Diferente de tentativas passadas, o plano atual conta com tecnologia de rastreamento via satélite.

Essa ferramenta já mostrou que o sucesso da reintrodução no sul da Escócia está impulsionando o movimento migratório para o território inglês, o que aumenta o otimismo das autoridades ambientais.

O impacto da águia-real na Inglaterra e o equilíbrio ambiental

A volta desta ave, que é a segunda maior ave de rapina da Grã-Bretanha, não possui apenas valor simbólico, mas uma função ecológica vital.

Como ocupam o topo da cadeia alimentar, esses animais atuam como reguladores naturais do ecossistema.

Veja alguns pontos fundamentais sobre a espécie e o projeto:

  • Porte imponente: A ave possui uma envergadura que chega a dois metros.
  • Histórico literário: Sua importância cultural é tamanha que foi citada mais de 40 vezes por William Shakespeare.
  • Extinção local: A última representante da espécie em território inglês morreu em 2016, no Lake District.
  • Metas do projeto: Reestabelecer uma população autossustentável após 150 anos de ausência.

Desafios e mediação com produtores rurais

Apesar do entusiasmo ambiental, o retorno da águia-real gera debates. Produtores de ovelhas, segundo relatos publicados pelo The Telegraph, temem que a presença de um predador deste tamanho possa ameaçar a integridade de seus rebanhos.

Para solucionar o impasse, os coordenadores da iniciativa focam em parcerias e no diálogo constante com as comunidades que vivem nos planaltos.

Com aporte de 1 milhão de libras, o Reino Unido quer reintroduzir a águia-real na Inglaterra. Saiba como o projeto planeja o retorno da espécie para 2027. (Imagem meramente ilustrativa)
Com aporte de 1 milhão de libras, o Reino Unido quer reintroduzir a águia-real na Inglaterra. Saiba como o projeto planeja o retorno da espécie para 2027. (Imagem meramente ilustrativa)

“Nossa prioridade será ouvir, trabalhar em parceria e garantir que a recuperação das águias-reais se volte tanto para a natureza quanto para as pessoas que trabalham nesses locais, para que todos possam desfrutar novamente da emoção de ver águias-reais voando alto pelos planaltos do Reino Unido ”, explicou Cat Barlow, diretora-executiva da Restoring Upland Nature.

Um resgate histórico da era vitoriana

A necessidade deste aporte financeiro de 1 milhão de libras deve-se ao extermínio sofrido pela espécie durante a era vitoriana. Naquele período, a perseguição humana foi implacável, removendo a ave de regiões onde antes era amplamente distribuída.

O comunicado oficial do governo ressalta que o projeto é uma forma de reparação para com a biodiversidade local. Portanto, o sucesso da iniciativa em 2027 dependerá tanto da adaptação biológica das aves quanto da aceitação social.

Com o monitoramento rigoroso e o investimento em áreas de preservação, a expectativa é que a águia-real deixe de ser apenas uma lembrança histórica e volte a ser uma presença majestosa na paisagem da Inglaterra.

Fonte: Revista Galileu

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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