Com aporte de 1 milhão de libras, o Reino Unido quer reintroduzir a águia-real na Inglaterra. Saiba como o projeto planeja o retorno da espécie para 2027.
O governo do Reino Unido anunciou um investimento expressivo de 1 milhão de libras (aproximadamente 6,7 milhões de reais) para viabilizar o retorno definitivo da águia-real (Aquila chrysaetos) aos céus da Inglaterra.
O projeto baseia-se em um estudo técnico da Forestry England que comprova a viabilidade de trazer a espécie de volta após um hiato de um século e meio.
A estratégia principal consiste na soltura de aves jovens, com idade entre seis e oito semanas, prevista para começar em 2027.
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O objetivo é restaurar o equilíbrio ambiental em áreas selecionadas, especialmente no norte do país, onde o habitat é considerado ideal para a sobrevivência desses predadores.
Planejamento e áreas de soltura para 2027
A pesquisa que sustenta o investimento identificou oito regiões estratégicas, chamadas de “zonas de recuperação”, para receber a águia-real.
A maior parte desses locais está situada na região norte da Inglaterra, servindo como um corredor natural para aves que já começaram a cruzar a fronteira vindas da Escócia.
Embora o avistamento de indivíduos isolados possa ocorrer em até uma década, especialistas alertam que a formação de colônias fixas para reprodução será um processo gradual e de longo prazo.
Diferente de tentativas passadas, o plano atual conta com tecnologia de rastreamento via satélite.
Essa ferramenta já mostrou que o sucesso da reintrodução no sul da Escócia está impulsionando o movimento migratório para o território inglês, o que aumenta o otimismo das autoridades ambientais.
O impacto da águia-real na Inglaterra e o equilíbrio ambiental
A volta desta ave, que é a segunda maior ave de rapina da Grã-Bretanha, não possui apenas valor simbólico, mas uma função ecológica vital.
Como ocupam o topo da cadeia alimentar, esses animais atuam como reguladores naturais do ecossistema.
Veja alguns pontos fundamentais sobre a espécie e o projeto:
- Porte imponente: A ave possui uma envergadura que chega a dois metros.
- Histórico literário: Sua importância cultural é tamanha que foi citada mais de 40 vezes por William Shakespeare.
- Extinção local: A última representante da espécie em território inglês morreu em 2016, no Lake District.
- Metas do projeto: Reestabelecer uma população autossustentável após 150 anos de ausência.
Desafios e mediação com produtores rurais
Apesar do entusiasmo ambiental, o retorno da águia-real gera debates. Produtores de ovelhas, segundo relatos publicados pelo The Telegraph, temem que a presença de um predador deste tamanho possa ameaçar a integridade de seus rebanhos.
Para solucionar o impasse, os coordenadores da iniciativa focam em parcerias e no diálogo constante com as comunidades que vivem nos planaltos.

“Nossa prioridade será ouvir, trabalhar em parceria e garantir que a recuperação das águias-reais se volte tanto para a natureza quanto para as pessoas que trabalham nesses locais, para que todos possam desfrutar novamente da emoção de ver águias-reais voando alto pelos planaltos do Reino Unido ”, explicou Cat Barlow, diretora-executiva da Restoring Upland Nature.
Um resgate histórico da era vitoriana
A necessidade deste aporte financeiro de 1 milhão de libras deve-se ao extermínio sofrido pela espécie durante a era vitoriana. Naquele período, a perseguição humana foi implacável, removendo a ave de regiões onde antes era amplamente distribuída.
O comunicado oficial do governo ressalta que o projeto é uma forma de reparação para com a biodiversidade local. Portanto, o sucesso da iniciativa em 2027 dependerá tanto da adaptação biológica das aves quanto da aceitação social.
Com o monitoramento rigoroso e o investimento em áreas de preservação, a expectativa é que a águia-real deixe de ser apenas uma lembrança histórica e volte a ser uma presença majestosa na paisagem da Inglaterra.
Fonte: Revista Galileu
