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O Brasil avança com megaprojeto da JetBio para instalar a maior fábrica de SAF de etanol do mundo e se tornar exportador global de combustível de aviação sustentável

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 29/06/2026 às 18:24 Atualizado em 29/06/2026 às 18:29
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A JetBio, controlada pelo grupo americano Summit Agricultural Group, anunciou em junho de 2026 avanço no planejamento de uma unidade industrial de grande escala dedicada à produção de combustível sustentável para aviação (SAF) a partir de etanol de cana-de-açúcar e milho no Brasil, em projeto que posicionaria o país como um dos principais exportadores mundiais de SAF.

O que é o SAF e por que o Brasil tem vantagem competitiva

O SAF — Sustainable Aviation Fuel, ou Combustível Sustentável para Aviação — é produzido a partir de biomassas renováveis, resíduos agrícolas ou fontes sintéticas e emite entre 60% e 90% menos dióxido de carbono em seu ciclo de vida em comparação ao querosene de aviação convencional. A aviação é responsável por cerca de 2,5% das emissões globais de CO₂, e o SAF é apontado como a principal alternativa de descarbonização do setor no médio prazo.

O Brasil produz etanol com uma das menores intensidades de carbono do mundo, resultado da combinação de cana-de-açúcar cultivada com alta eficiência energética e de milho produzido no Centro-Oeste com baixo uso de insumos fósseis por tonelada. Essa característica é central para o regulatório europeu de SAF, que exige comprovação de ciclo de vida de baixo carbono para aceitar o combustível como SAF válido.

A JetBio utilizará a tecnologia de conversão de etanol a jet — ETJ (Ethanol-to-Jet) — para produzir SAF certificado, processo que já possui aprovação técnica pela ASTM International e pela Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA).

Escala do projeto e localização

O projeto da JetBio está sendo planejado para ser a maior unidade de produção de SAF de etanol do mundo em capacidade instalada. Detalhes de capacidade exata de produção e localização da planta ainda não foram divulgados oficialmente.

O Brasil possui infraestrutura sucroenergética já instalada em estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso — regiões que concentram usinas de etanol e produção de milho. A localização próxima a portos de exportação ou a corredores logísticos de grãos é fator determinante para viabilidade econômica de unidade de grande escala.

A Summit Agricultural Group opera no Brasil por meio da joint venture com a Bunge e tem presença na cadeia de produção agrícola nacional, o que facilita acesso à matéria-prima etanol para a JetBio.

Demanda global por SAF e metas regulatórias

A União Europeia aprovou o regulamento ReFuelEU Aviation, que exige mistura crescente de SAF nos combustíveis de aviação: 2% em 2025, 6% em 2030, 20% em 2035 e 70% em 2050. A demanda europeia por SAF certificado supera em muito a capacidade de produção atual global, criando oportunidade de exportação para países produtores como Brasil e Estados Unidos.

Outros mercados também avançam em regulatórios: Reino Unido, Japão, Coreia do Sul e Canadá têm metas ou incentivos para adoção de SAF. A Agência Internacional de Energia Renováveis (IRENA) projeta que o mercado global de SAF pode atingir 450 bilhões de dólares até 2050.

O Brasil negocia aliança com Argentina e Paraguai para posicionar o Mercosul como bloco exportador de biocombustíveis sustentáveis para a Europa, buscando reduzir a resistência histórica da UE a biocombustíveis sul-americanos, anteriormente associados a desmatamento.

Perspectivas do etanol brasileiro e safra 2026/2027

O setor sucroenergético brasileiro inicia a safra 2026/2027 com projeção de produção recorde de etanol, com acréscimo de quase 4 bilhões de litros ao mercado. O governo federal propôs elevar o percentual de etanol na gasolina de 27% para 32%, medida que, se aprovada, ampliaria ainda mais a demanda doméstica e a escala de produção do setor.

O SAF representa para o etanol brasileiro um destino de maior valor agregado do que a mistura na gasolina, com preços de mercado significativamente superiores ao querosene convencional. A consolidação do projeto JetBio e de outras iniciativas semelhantes pode transformar o Brasil no principal exportador mundial de SAF na próxima década.

O marco regulatório do Combustível do Futuro, aprovado no Brasil em 2023, estabelece incentivos para a produção de biocombustíveis avançados, incluindo o SAF, e cria certificação de intensidade de carbono que facilita a aceitação do produto brasileiro no mercado europeu. A combinação de safra recorde de cana e milho, marco regulatório favorável e projetos de escala industrial como o da JetBio posiciona o Brasil como protagonista na expansão global da produção de SAF até 2030.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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