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Um colosso ferroviário de oito andares e telhado de 16.500 toneladas, a Estação Leste de Chongqing foi construída em 38 meses com ajuda de robôs e virou um dos maiores terminais de passageiros do mundo, com 15 plataformas e 29 trilhos

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 26/05/2026 às 00:37
Atualizado em 26/05/2026 às 00:41
Assista o vídeoA Estação Leste de Chongqing, na China, foi construída em 38 meses com robôs e virou um dos maiores terminais do mundo, com 15 plataformas, 29 trilhos e 8 andares.
A Estação Leste de Chongqing, na China, foi construída em 38 meses com robôs e virou um dos maiores terminais do mundo, com 15 plataformas, 29 trilhos e 8 andares.
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A obra avançou num canteiro que operava dia e noite, sob calor que passava de 40 graus, com robôs guiados a laser nivelando concreto três vezes mais rápido que humanos. O resultado é um terminal de 1,22 milhão de metros quadrados, área equivalente a cerca de 170 campos de futebol, aberto em junho de 2025 no sudoeste chinês.

Um colosso ferroviário de oito andares e telhado de 16.500 toneladas, a Estação Leste de Chongqing foi erguida em apenas 38 meses, com forte participação de robôs de construção, e se tornou um dos maiores terminais de passageiros do mundo. Localizada no distrito de Nan’an, no sudoeste da China, a estação conta com 15 plataformas e 29 trilhos, e impressiona tanto pela escala quanto pela velocidade com que foi concluída.

Inaugurada em 27 de junho de 2025, a Estação Leste de Chongqing entrou em operação junto com um novo trecho da ferrovia de alta velocidade que liga Chongqing a Xiamen. A obra começou a partir da aprovação dos projetos, em maio de 2022, e foi finalizada cerca de três anos depois, um prazo considerado curtíssimo para uma estrutura desse porte, hoje apontada como a maior estação ferroviária de alta velocidade do oeste chinês.

As dimensões de um gigante ferroviário

A Estação Leste de Chongqing, na China, foi construída em 38 meses com robôs e virou um dos maiores terminais do mundo, com 15 plataformas, 29 trilhos e 8 andares.
Os números da Estação Leste de Chongqing ajudam a entender por que ela entrou para o seleto grupo dos maiores terminais do planeta.

A área total de construção chega a 1,22 milhão de metros quadrados, o equivalente a cerca de 170 campos de futebol, distribuída em oito andares, sendo quatro acima e quatro abaixo do nível do solo, num arranque vertical pensado para aproveitar ao máximo o espaço.

Vale um esclarecimento importante para não confundir os números: esse 1,22 milhão de metros quadrados se refere à área total da estação inteira, e não ao telhado. A cobertura metálica, embora gigantesca, ocupa cerca de 120 mil metros quadrados e é justamente o elemento que pesa 16.500 toneladas. Mesmo assim, a escala do telhado é tão grande que, segundo os engenheiros, sua construção foi um dos maiores desafios técnicos e de segurança de toda a obra.

Um terminal que reúne vários transportes

A Estação Leste de Chongqing, na China, foi construída em 38 meses com robôs e virou um dos maiores terminais do mundo, com 15 plataformas, 29 trilhos e 8 andares.
Mais do que uma simples estação de trem, a Estação Leste de Chongqing foi concebida como um grande centro de transporte multimodal.

No mesmo complexo convergem linhas de trem de alta velocidade, redes de metrô, ônibus urbanos e serviços de táxi, permitindo que o passageiro troque de um meio de transporte para outro sem precisar sair do prédio, num conceito que a China vem chamando de integração entre estações e cidades.

Essa organização em múltiplos níveis foi planejada para lidar com fluxos enormes de pessoas. Os andares inferiores tendem a concentrar o transporte urbano, como o metrô, enquanto os níveis superiores recebem os trens de alta velocidade, capazes de circular a até 350 quilômetros por hora. O objetivo é que a estação consiga movimentar dezenas de milhões de passageiros por ano com fluidez, conectando Chongqing a grandes cidades como Pequim e Xangai.

O exército de robôs que ergueu a estação

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O grande diferencial da obra, e o que mais chamou atenção mundo afora, foi o uso intensivo de robôs de construção. Em um canteiro que funcionava 24 horas por dia, numa cidade onde o calor do verão passa dos 40 graus, máquinas autônomas trabalharam lado a lado com técnicos e engenheiros, num modelo híbrido que acelerou drasticamente o cronograma e reduziu riscos para os trabalhadores.

Entre os equipamentos usados estavam robôs de nivelamento de concreto guiados por laser, com tecnologias como sensores de distância, inteligência artificial e conexão 5G, que trabalhavam cerca de três vezes mais rápido que humanos. Também foram empregados robôs para assentamento de pisos e para a instalação das pesadas fachadas de vidro, com painéis que chegam a 800 quilos. Segundo a empresa responsável, a abordagem triplicou a eficiência média e reduziu os custos de mão de obra em torno de 40%.

A engenharia do telhado colossal

O telhado metálico é, sem dúvida, uma das maiores proezas técnicas da Estação Leste de Chongqing. Com suas 16.500 toneladas, montá-lo diretamente a dezenas de metros de altura seria arriscado e logisticamente complicado. Por isso, os engenheiros recorreram a uma técnica especial de elevação, montando a estrutura em seções no nível do solo antes de erguê-la.

Depois de prontas, essas seções foram levantadas com o auxílio de potentes macacos hidráulicos controlados por um sistema computadorizado sincronizado, que ergueu os blocos do telhado até a altura final de dezenas de metros. A cobertura combina painéis de alumínio de alta resistência com ligas de aço inoxidável para garantir durabilidade contra a corrosão, e inclui clarabóias que deixam a luz natural entrar, reduzindo o consumo de energia com iluminação artificial.

Construir numa cidade de montanhas

Outro grande desafio foi o próprio terreno. Chongqing é uma metrópole conhecida por sua topografia acidentada, cheia de morros e formações rochosas, o que torna a construção de grandes estruturas planas uma tarefa complexa. Para erguer a estação, foi preciso preparar o terreno com técnicas de escavação e contenção que garantissem uma base estável para o peso enorme da estrutura de concreto e aço.

Sistemas de drenagem e contenção foram projetados para proteger o complexo contra deslizamentos e contra as chuvas intensas da região, frequentes nessa parte da China. Essa combinação de terreno difícil, clima severo e escala monumental ajuda a explicar por que a conclusão da obra em 38 meses foi celebrada como um feito notável da engenharia chinesa, mesmo para os padrões de um país acostumado a megaprojetos.

A Estação Leste de Chongqing simboliza o ritmo acelerado com que a China vem expandindo sua malha de transporte de alta velocidade, combinando escala monumental, automação e prazos curtos. Mais do que um terminal de passageiros, ela é uma vitrine do uso de robôs na construção civil e do conceito de integrar grandes estações ao tecido urbano. Para o Brasil, que ainda discute seus primeiros projetos de trem de alta velocidade, exemplos como esse mostram o tamanho do desafio e do potencial do transporte ferroviário moderno.

E você, o que achou mais impressionante na Estação Leste de Chongqing: a velocidade de construção em apenas 38 meses, o exército de robôs ou a escala de um terminal do tamanho de 170 campos de futebol? Acredita que o Brasil deveria investir em ferrovias de alta velocidade como a China? Deixe seu comentário, conte de onde você está lendo e compartilhe a matéria com quem se interessa por engenharia, trens e grandes obras.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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