Uma compra feita pelo Mercado Livre viralizou nas redes sociais depois que o cliente abriu a caixa e encontrou 32 currículos amassados sendo usados como material de proteção dentro da embalagem com nomes completos, endereços, telefones e documentos de pessoas que estavam procurando emprego na loja responsável pelo envio.
Segundo o portal TecMundo, um cliente do Mercado Livre fez uma compra comum e recebeu uma surpresa que provocou indignação em milhões de pessoas. Ao abrir a caixa da encomenda, a consumidora encontrou 32 currículos de pessoas procurando emprego amassados como papel de proteção dentro da embalagem. Os documentos continham nomes completos, endereços, telefones e números de identidade de dezenas de candidatos que haviam deixado seus currículos na loja responsável pelo envio a Doces Biba, empresa com 53 anos de história no mercado de doces, localizada em São Paulo.
A publicação feita no X (antigo Twitter) ultrapassou 2 milhões de visualizações e gerou milhares de comentários de revolta. “Pegaram o currículo de pessoas que estão precisando de emprego para embalar mercadoria, expondo dados pessoais e importantes pra qualquer um”, escreveu a cliente. O Mercado Livre respondeu à publicação afirmando que lamenta o ocorrido e solicitou contato para apurar o caso. A empresa vendedora suspendeu as operações de envio e anunciou treinamento de segurança da informação para toda a equipe.
32 currículos amassados dentro da caixa: o que a cliente encontrou na encomenda do Mercado Livre

As imagens compartilhadas pela consumidora mostram diversos papéis amassados dentro da embalagem, dispostos entre o produto e as paredes da caixa exatamente onde deveria haver plástico-bolha, papel kraft ou outro material adequado de proteção.
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Ao desdobrar cada folha, a cliente descobriu que eram currículos completos: 32 documentos com dados pessoais sensíveis de pessoas que buscavam emprego na loja que vendeu o produto pelo Mercado Livre.
“Eu desdobrei cada um deles com uma dor no coração absurda”, escreveu a consumidora. Os currículos continham informações como nomes completos, endereços residenciais, números de telefone, e-mails e números de documentos dados protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e que foram expostos a uma pessoa desconhecida simplesmente porque alguém na empresa decidiu usar currículos como material de embalagem em vez de descartá-los adequadamente.
Quem é a empresa que usou currículos como papel de embalagem na venda pelo Mercado Livre

A loja responsável pela venda no Mercado Livre foi identificada como Doces Biba, empresa localizada em São Paulo com 53 anos de tradição no mercado de doces.
Após a repercussão, a proprietária classificou o episódio como uma “falha grave e inaceitável” no processo interno de descarte de documentos e afirmou que o uso dos currículos como material de embalagem não reflete o padrão de cuidado da marca.
Em nota oficial, a Doces Biba declarou que suspendeu temporariamente as operações de envio pelo Mercado Livre para revisar seus procedimentos e garantir conformidade com a LGPD.
A empresa também informou que pretende entrar em contato com os titulares das informações expostas para prestar esclarecimentos e oferecer suporte, e que toda a equipe passará por novo treinamento de segurança da informação.
O que diz a lei sobre o uso de dados pessoais de currículos como papel de embalagem
Currículos contêm dados pessoais sensíveis protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Quando uma pessoa entrega seu currículo a uma empresa, ela está fornecendo dados com uma finalidade específica candidatar-se a uma vaga de emprego.
Usar esses dados para qualquer outro fim, inclusive amassá-los como papel de proteção em embalagens, é desvio de finalidade e viola a legislação.
A cliente que encontrou os currículos na encomenda do Mercado Livre informou que pretende denunciar o caso à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e ao Procon. A LGPD prevê sanções que vão de advertência a multas de até 2% do faturamento da empresa, limitadas a R$ 50 milhões por infração.
Além da responsabilidade da loja vendedora, a repercussão do caso levantou debate sobre até que ponto plataformas como o Mercado Livre devem ser responsabilizadas pelas práticas dos vendedores que operam em seu marketplace.
O que o Mercado Livre disse sobre o caso e o que acontece agora
O Mercado Livre respondeu diretamente à publicação da cliente na rede social, afirmando que lamenta o ocorrido e solicitando contato para apurar o caso e oferecer suporte.
A plataforma não detalhou se pretende tomar medidas adicionais contra a loja vendedora ou se vai alterar suas diretrizes de embalagem para vendedores do Mercado Livre.
O caso expõe uma falha que vai além de uma empresa: enquanto plataformas como o Mercado Livre definem regras detalhadas para tipos de embalagem, tamanho de caixa e materiais de proteção, não há fiscalização prática sobre o que os vendedores efetivamente colocam dentro das caixas.
O próprio guia de embalagens do Mercado Livre recomenda papel kraft amassado, espuma ou almofadas de ar em nenhum momento menciona folhas impressas com dados pessoais de terceiros.
Currículos amassados como papel de proteção: o que esse caso revela sobre descarte de dados no Brasil
O caso dos 32 currículos encontrados na encomenda do Mercado Livre é ao mesmo tempo absurdo e revelador.
Absurdo porque transforma dados pessoais de pessoas vulneráveis que estão procurando emprego em lixo de embalagem. Revelador porque mostra que, apesar da LGPD estar em vigor desde 2020, muitas empresas ainda não incorporaram a cultura de proteção de dados nas suas operações mais básicas.
32 pessoas entregaram seus currículos com a esperança de conseguir um emprego. Em vez de uma resposta ou ao menos um descarte digno, tiveram seus nomes, endereços e documentos amassados dentro de uma caixa de doces e enviados para uma desconhecida.
A pergunta que fica é: quantas empresas no Brasil fazem o mesmo sem que ninguém abra a caixa e perceba?
Você já recebeu alguma encomenda com material estranho usado como proteção dentro da caixa? E o que acha: a culpa é só da loja ou o Mercado Livre também deveria ser responsabilizado? Deixe sua opinião nos comentários.

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