Segundo o G1, um casal de Brodowski, no interior de São Paulo, está há quase seis meses viajando numa Kombi adaptada com cozinha, banheiro, geladeira, cama e placa solar rumo ao Alasca. Nivaldo e Sueli Machado já atravessaram 13 países, percorreram mais de 10 mil quilômetros, chegaram à Times Square em Nova York e ainda precisam rodar mais 7 mil quilômetros até o destino final.
O casal Nivaldo e Sueli Machado trocou a rotina de uma imobiliária em Brodowski, cidade de pouco mais de 20 mil habitantes no interior de São Paulo, por uma viagem de Kombi que pretende cruzar o continente americano de ponta a ponta. Nivaldo tem 65 anos, Sueli tem 64, e os dois partiram em 13 de novembro de 2025 com um destino fixo no horizonte: o Alasca. Quase seis meses depois, já atravessaram 13 países, ultrapassaram os 10 mil quilômetros rodados e chegaram à Times Square, o cruzamento mais famoso de Nova York, mas a viagem ainda está longe de terminar.
A história desse casal começa em 2018, quando o estresse acumulado do trabalho na imobiliária levou Nivaldo a propor uma pausa. O plano original era partir em fevereiro de 2020, mas a pandemia de Covid-19 adiou tudo. Quando a situação sanitária se acalmou, Nivaldo sofreu dois acidentes que deslocaram sua retina e exigiram cirurgias. A viagem foi empurrada ano após ano até que, em 2025, ele decidiu que não esperaria mais. Marcou a data de 13 de novembro e avisou: se fosse dia 14, não iria mais. No dia marcado, o casal deu partida na Kombi e saiu de Brodowski rumo ao norte.
A Kombi que virou casa sobre rodas

Para atravessar um continente inteiro numa perua dos anos 1970, foi preciso transformar o veículo em moradia. Nivaldo adaptou a Kombi sozinho, sem experiência prévia em marcenaria ou mecânica de interiores. Construiu os móveis, instalou cozinha, banheiro, geladeira e uma cama desmontável. No teto, uma placa de energia solar alimenta os equipamentos elétricos e garante autonomia para acampar em locais sem infraestrutura. O resultado é uma casa sobre rodas compacta, funcional e surpreendentemente completa para o tamanho do veículo.
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A escolha da Kombi não foi apenas prática. Para o casal, o veículo tem um fator simbólico que nenhum motorhome moderno ofereceria. Nivaldo explica que a Kombi chama atenção por onde passa, abre portas para conversas com desconhecidos e se tornou personagem da viagem tanto quanto os próprios tripulantes. O canal no YouTube onde o casal documenta a jornada já ultrapassou 2 milhões de visualizações, com seguidores acompanhando cada etapa da travessia continental. Viajar de carro, segundo Nivaldo, dá a liberdade de ir para onde quiser e ficar o tempo que quiser, algo que ele considera inestimável.
13 países em seis meses
O roteiro percorrido pelo casal até agora inclui a travessia da América do Sul, a passagem pela América Central e a subida até os Estados Unidos. São 13 países cruzados em pouco menos de seis meses, cada um com seus desafios de fronteira, estrada e cultura. A Kombi passou por estradas nos Andes, praias na América Central, cidades coloniais e rodovias norte-americanas antes de estacionar diante dos letreiros luminosos da Times Square.
A diversidade de experiências acumuladas ao longo desses 10 mil quilômetros é o que dá substância à viagem do casal. De vilarejos isolados no Peru a quase 5 mil metros de altitude até os arranha-céus de Manhattan, Nivaldo e Sueli enfrentaram realidades radicalmente diferentes a cada semana. Em Pampamarco, no Peru, o casal dormiu em um povoado de casas de barro e pedra habitado apenas por nativos e acordou com alpacas caminhando ao lado da Kombi. Nivaldo diz que quer voltar lá um dia.
O trecho mais difícil: da Colômbia ao Panamá

Toda viagem terrestre pelas Américas esbarra no mesmo obstáculo: não existe estrada ligando a Colômbia ao Panamá. O Tapón del Darién, uma densa floresta tropical que separa os dois países, impede a passagem por terra e obriga todos os viajantes motorizados a embarcar seus veículos em Cartagena e recuperá-los no lado panamenho. Para o casal, esse trecho representou um dos maiores desafios logísticos e financeiros da viagem.
Nivaldo conta que tiveram sorte de encontrar outra pessoa para dividir o custo do transporte da Kombi, porque fazer a travessia sozinho sai muito caro. Além do custo, há a logística de preparar o veículo para o embarque em contêiner, acompanhar a documentação aduaneira dos dois lados e lidar com a incerteza de prazos. Para viajantes independentes como o casal de Brodowski, cada etapa burocrática exige paciência e improviso, habilidades que seis meses de estrada ensinam melhor do que qualquer curso.
Os Andes: despenhadeiros sem proteção
As estradas da Cordilheira dos Andes entre Peru e Bolívia foram outro ponto crítico da viagem do casal. Nivaldo descreve trechos com curvas tão fechadas que, olhando pelo retrovisor, era possível enxergar a própria placa traseira da Kombi. Não havia sinalização, não havia guard-rail e não havia margem de erro. De um lado, a parede de rocha. Do outro, despenhadeiros que o motorista preferiria não calcular a profundidade.
Para um veículo com a potência e o peso de uma Kombi, essas estradas exigem atenção total a cada metro percorrido. O motor refrigerado a ar, a suspensão de outra época e a direção sem assistência transformam cada subida em teste de resistência mecânica e cada descida em exercício de controle. Mas o casal atravessou os Andes sem incidentes graves, provando que a combinação entre cautela do motorista e robustez do veículo pode vencer trechos que intimidariam veículos muito mais modernos.
Ainda faltam 7 mil quilômetros até o Alasca
A chegada à Times Square foi um marco simbólico, mas o destino final da viagem do casal ainda está a milhares de quilômetros de distância. De Nova York até o Alasca, são aproximadamente 7 mil quilômetros de estrada, cruzando os Estados Unidos de leste a noroeste e entrando no Canadá antes de atingir o território mais setentrional das Américas. Nivaldo estabeleceu agosto como prazo máximo para chegar, porque depois desse mês o gelo começa a tomar conta das estradas do Alasca e a permanência se torna arriscada.
Após o Alasca, o plano do casal é retornar ao Brasil por um trajeto diferente do que fizeram na ida. A volta será pela costa do Pacífico, passando pelas linhas de Nazca sem cruzar novamente a Cordilheira dos Andes, seguindo para o Chile, atravessando o deserto do Atacama e, se o ânimo permitir, descendo até Ushuaia, no extremo sul da Argentina, antes de voltar para Brodowski. Se concluírem esse roteiro, terão percorrido o continente americano quase inteiro, de ponta a ponta e de volta.
Brodowski espera, mas a estrada ensina
Para o casal, a viagem na Kombi é mais do que turismo. Nivaldo descreve a experiência como uma transformação no modo de viver: o cérebro trabalha 24 horas quando você está na estrada, aprendendo, conhecendo culturas diferentes e se preparando para o inesperado. Em casa, segundo ele, a rotina adormece a mente. Na estrada, cada dia traz algo novo que mantém os dois alertas e presentes.
A saudade de Brodowski existe, mas não compete com a intensidade do que o casal vive a cada quilômetro. Nivaldo brinca que quando voltarem, no fim do ano, há duas possibilidades: ou os recebem com camisa de força, ou organizam uma festa. Ele aposta na segunda opção. Enquanto isso, segue documentando cada trecho no YouTube, provando que a idade não é limite e que uma Kombi adaptada pode levar dois aposentados do interior de São Paulo até o topo do continente.
Você teria coragem de fazer uma viagem dessas numa Kombi? Conte nos comentários o que mais impressionou você nessa história: os 13 países, a travessia dos Andes, o Tapón del Darién ou o fato de o casal ter mais de 60 anos e seguir firme na estrada. Se você tem um sonho de viagem engavetado, o que falta para tirar ele do papel?

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