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Um brasileiro que não trabalha em nenhuma agência espacial calculou sozinho uma rota de ida e volta para Marte em apenas 7 meses usando trajetórias de asteroides como atalhos cósmicos e o estudo foi aceito por uma das revistas científicas mais prestigiadas do mundo

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 10/04/2026 às 09:52
Atualizado em 10/04/2026 às 09:56
Marcelo de Oliveira Souza, físico da UENF em Campos dos Goytacazes, calculou uma rota de ida e volta para Marte em 7 meses usando trajetórias de asteroides como referência. O estudo foi aceito pela Acta Astronautica e pode ser aplicado com tecnologia que já existe hoje.
Marcelo de Oliveira Souza, físico da UENF em Campos dos Goytacazes, calculou uma rota de ida e volta para Marte em 7 meses usando trajetórias de asteroides como referência. O estudo foi aceito pela Acta Astronautica e pode ser aplicado com tecnologia que já existe hoje.
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Marcelo de Oliveira Souza é doutor em física pela UENF e passou 10 anos fazendo simulações até que a inteligência artificial o ajudou a confirmar que existem corredores geométricos no espaço que podem reduzir uma missão de 3 anos para 153 dias e tudo pode ser feito com a tecnologia que já existe hoje

Enquanto a NASA gasta bilhões, a SpaceX testa foguetes que explodem e o mundo inteiro debate se chegaremos a Marte na década de 2030, um professor de física de uma universidade pública no interior do Rio de Janeiro calculou uma rota que pode mudar tudo o que sabemos sobre viagens interplanetárias.

O nome dele é Marcelo de Oliveira Souza. Ele não trabalha na NASA. Não trabalha na SpaceX. Não trabalha em nenhuma agência espacial do planeta. Ele é professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), em Campos dos Goytacazes, uma cidade de 500 mil habitantes no norte fluminense. E dali, com simulações computacionais e a ajuda de inteligência artificial, ele descobriu uma rota de ida e volta para Marte que dura apenas 7 meses.

A rota convencional leva de 2 a 3 anos no total.

A CNN Brasil revelou em primeira mão que o estudo, chamado “Utilizando dados orbitais iniciais de asteroides para missões rápidas a Marte”, foi aceito pela Acta Astronautica, revista científica da Academia Internacional de Astronáutica, uma das publicações mais prestigiadas do setor espacial no mundo.

Como um professor de Campos dos Goytacazes chegou a isso?

A história começa em 2015. Marcelo de Oliveira Souza estudava asteroides com trajetórias que passavam perto da Terra e de Marte. Ao mapear essas rotas, ele percebeu algo que ninguém havia explorado: os asteroides funcionam como balizas naturais que revelam “corredores geométricos” no espaço.

Esses corredores são caminhos onde a mecânica orbital favorece deslocamentos mais eficientes entre os dois planetas. Em vez de seguir a rota tradicional de transferência, que depende de janelas orbitais específicas e consome anos entre ida, permanência e volta, a rota calculada por Souza usa a geometria das trajetórias asteroidais como referência para encurtar drasticamente o percurso.

O problema era que, em 2015, ele não tinha poder computacional suficiente pra rodar as simulações necessárias. “Eu estava fazendo passo a passo as simulações”, contou Souza à CNN Brasil. Foram anos de trabalho lento, metódico, solitário.

A virada veio com a inteligência artificial. Com a ajuda de ferramentas de IA, Souza conseguiu verificar e acelerar os cálculos que antes levavam meses. Os resultados confirmaram o que ele intuía há uma década: existem rotas para Marte significativamente mais rápidas do que as planejadas pelas agências espaciais.

Quanto tempo a rota realmente leva?

Os cálculos de Souza apontam dois cenários para uma missão de ida e volta:

Cenário extremo: 153 dias. Pouco mais de 5 meses. Isso é menos do que muitas missões na Estação Espacial Internacional duram.

Cenário viável: 226 dias. Cerca de 7 meses e meio. Ainda assim, três vezes mais rápido do que as missões convencionais, que levam de 2 a 3 anos entre ida, permanência em órbita marciana e retorno.

E o mais surpreendente: tudo pode ser feito com a tecnologia que já existe hoje. Não depende de motores de plasma experimentais, não depende de propulsão nuclear que ainda está em desenvolvimento, não depende de nenhuma tecnologia que ainda não foi testada. A rota usa mecânica orbital otimizada, não engenharia futurista.

Souza calculou que uma das janelas ideais para aplicar essa rota será em 2031, quando a posição relativa de Marte e Terra favorece o uso dos corredores geométricos identificados.

Por que isso é tão importante?

Porque o tempo de viagem é o maior inimigo das missões tripuladas a Marte. Cada mês a mais no espaço significa mais radiação cósmica bombardeando os astronautas, mais perda de massa óssea (cerca de 1% por mês em microgravidade), mais risco de falhas mecânicas, mais suprimentos necessários e mais custo.

Reduzir uma missão de 3 anos pra 7 meses muda completamente a equação. Menos radiação, menos atrofia muscular, menos comida, menos água, menos oxigênio, menos peso, menos combustível, menos dinheiro. Cada variável que diminui torna a missão exponencialmente mais viável.

E quando se considera que a NASA planeja enviar humanos a Marte na década de 2030, ter uma rota três vezes mais rápida validada por uma publicação científica internacional não é detalhe. É potencialmente revolucionário.

O que a frase dele revela sobre a ciência brasileira?

“Eu não trabalho em agência espacial. Eu sou um professor aqui na Universidade Estadual do Norte Fluminense, em Campos dos Goytacazes, e consegui um resultado novo que permite uma viagem mais rápida para Marte, usando como base a trajetória de um asteroide.”

Essa frase diz mais sobre o estado da ciência no Brasil do que qualquer relatório do CNPq. Um físico brasileiro, trabalhando numa universidade estadual do interior do Rio de Janeiro, sem recursos de agência espacial, conseguiu em 10 anos de trabalho um resultado que compete com o que as maiores instituições do mundo estão tentando resolver com orçamentos bilionários.

Não teve foguete. Não teve laboratório com gravidade zero. Não teve equipe de 200 engenheiros. Teve um professor, um computador, paciência de uma década e inteligência artificial quando ela finalmente ficou acessível.

Se isso não é o tipo de história que faz o Brasil prestar atenção na ciência que produz, nada mais vai ser.

A rota para Marte talvez não saia de Cape Canaveral, da Guiana Francesa ou do deserto do Texas. Talvez a rota mais inteligente para o planeta vermelho tenha saído de Campos dos Goytacazes. E o mundo está começando a perceber.

Com informações da CNN Brasil. Estudo publicado na Acta Astronautica, da Academia Internacional de Astronáutica.

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Ivany Rodrigues de Moraes
Ivany Rodrigues de Moraes
10/04/2026 14:16

Simplesmente fantástica a descoberta de nosso cientista brasileiro. Talento e persistência veio de um reconhecimento internacional. Que mais descobertas úteis sejam realizadas por cérebros brasileiros e divulgadas para a humanidade!

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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