O cessar-fogo entre EUA e Irã foi assinado mas o estreito por onde passa 20% do petróleo mundial continua praticamente fechado e o preço do barril voltou a subir nesta quinta-feira com o Brent fechando a US$ 95,92 e o WTI retornando à faixa dos US$ 97,87
O cessar-fogo deveria ter resolvido e os navios deveriam estar passando. Não resolveu. O Estreito de Ormuz, a passagem marítima mais importante do planeta para o mercado de energia, continua praticamente paralisado nesta quinta-feira (9) apesar da trégua entre Estados Unidos e Irã.
Os números são alarmantes. Apenas 7 navios cruzaram o estreito nas últimas 24 horas, segundo dados da Kpler, Lloyd’s List Intelligence e Signal Ocean compilados pela CNN Brasil e pela Reuters. O volume normal, antes do conflito, era de cerca de 135 travessias por dia. Isso significa que o tráfego atual está operando a menos de 5% da capacidade.
Entre os 7 navios que conseguiram passar, apenas um era petroleiro. Os demais transportavam carga seca, como cereais. Nenhum navio de gás atravessou o estreito desde o anúncio do cessar-fogo, segundo dados da Kpler.
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As próximas horas serão de tensão crescente em torno do viés a ser adotado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) com relação à taxa básica de juros (Selic), ao cabo da reunião dessa quarta-feira (17). Embora o mercado se apresente ‘dividido’ quanto à decisão do colegiado, a tendência mais forte das últimas semanas é de que a taxa se mantenha inalterada no patamar atual de 14,50% ao ano. Já uma ala minoritária ainda ‘aposta’ em uma queda 0,25 ponto percentual (p.p).
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O que os Emirados Árabes disseram?
O ministro da Indústria dos Emirados Árabes Unidos, Sultan al Jaber, que também é CEO da Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi, não deixou margem para interpretação. “O estreito NÃO está aberto”, declarou nas redes sociais nesta quinta-feira.
Al Jaber foi além. Segundo ele, 230 navios carregados de petróleo estão prontos para zarpar mas impedidos de sair do Golfo Pérsico. O ministro pediu abertura “plena, incondicional e sem restrições”, classificando a militarização da hidrovia como “inaceitável”.
“A segurança energética e a estabilidade econômica mundial dependem disso”, completou.
O que o Irã está fazendo?
Na prática, o Irã transformou Ormuz em um posto de controle soberano. Os navios que querem cruzar precisam obter autorização prévia da Guarda Revolucionária iraniana, navegar por uma rota específica que passa pela Ilha de Larak e seguir instruções detalhadas da marinha iraniana.
Segundo a agência estatal russa TASS, o Irã permitirá um máximo de 15 embarcações por dia, muito abaixo do fluxo habitual. A agência britânica Ambrey alertou que os riscos persistem especialmente para navios afiliados a Israel e aos Estados Unidos, e que até embarcações com aprovação aparente foram devolvidas no meio da travessia nas últimas semanas.
Uma empresa americana de análise independente, a Citrini Research, enviou um analista à península de Musandam, em Omã, para verificar pessoalmente a situação. O relatório confirmou que a interrupção é real, embora parcial, com cerca de 15 navios por dia conseguindo passar, muito abaixo dos níveis normais.
O que está acontecendo com o preço do petróleo?
O mercado reagiu. O Brent fechou em alta de 1,23% nesta quinta-feira, a US$ 95,92 por barril. O WTI avançou 3,66%, a US$ 97,87, tendo voltado brevemente à faixa dos três dígitos pela primeira vez desde o anúncio do cessar-fogo.
O petróleo bruto físico já atingiu recordes históricos recentes, com o Brent chegando a US$ 146 por barril em determinados contratos. A volatilidade permanece alta porque o mercado não acredita que a reabertura será rápida.
Analistas da Vanda Insights afirmam que as chances de uma reabertura significativa em breve são escassas. A Citrini Research prevê que o novo normal envolverá um prêmio de risco permanente e que o tráfego pode levar de 4 a 6 semanas para chegar a 50% do volume pré-conflito.
Por que isso importa pro Brasil?
Porque Ormuz não é um problema distante. O Brasil depende do Estreito de Ormuz para aproximadamente 35% dos fertilizantes nitrogenados que importa, segundo dados compilados pelo CPG. Além disso, o país exporta até 23% de sua produção de milho para o Irã.
O bloqueio já impactou preços de diesel, frete marítimo e insumos agrícolas no mercado brasileiro. Se o estreito permanecer restrito por semanas, o efeito cascata chega à safra, ao preço dos alimentos e ao custo de vida do brasileiro.
O que vem pela frente?
O Reino Unido convocou uma reunião de planejadores militares para a próxima semana para discutir “opções viáveis” para tornar Ormuz seguro para navegação. A Grã-Bretanha acusou o Irã de manter a economia mundial como refém. Diplomatas de mais de 40 países se reuniram nesta quinta-feira para discutir formas de pressionar Teerã.
Países do Golfo e da Ásia já avaliam alternativas de longo prazo, como novos oleodutos que contornem o estreito. A Arábia Saudita, que se preparou durante anos para esse cenário, já usa seu oleoduto Leste-Oeste de 1.200 km para escoar até 7 milhões de barris por dia pelo porto de Yanbu, no Mar Vermelho, sem passar por Ormuz.
Mas para a maioria dos países produtores e consumidores, não existe alternativa rápida a Ormuz. E enquanto 230 petroleiros esperam para zarpar e apenas 7 navios conseguem passar por dia, o mundo inteiro paga a conta em cada litro de combustível, cada saca de fertilizante e cada produto que depende do petróleo para existir.
O cessar-fogo parou os mísseis. Mas não abriu o estreito. E enquanto Ormuz não abrir de verdade, o cessar-fogo é só um papel.
Com informações da CNN Brasil, Reuters, Observador (Portugal), Poder 360, Financial Times e Kpler.

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