A Nissan recua no projeto do Nissan Qashqai elétrico, adia a aposta em um de seus SUVs mais importantes na Europa e expõe pressão chinesa sobre a corrida dos carros elétricos enquanto o modelo pode atrasar até a próxima década
A Nissan desistiu de produzir uma versão totalmente elétrica do Qashqai no Reino Unido, segundo informou a Reuters. A mudança atinge um dos modelos mais importantes da marca na Europa e embaralha o cronograma da transição elétrica da montadora.
O projeto, que havia sido anunciado para a fábrica de Sunderland, na Inglaterra, perdeu força em meio à estratégia de redução de custos e enxugamento da oferta. Agora, o Nissan Qashqai elétrico pode só aparecer perto de 2030, o que representa uma guinada importante para um SUV que é o mais vendido da marca no continente.
A decisão também joga luz sobre a pressão crescente das rivais chinesas no mercado europeu de eletrificados, um segmento em que a Nissan vinha tentando se reposicionar. Ao mesmo tempo, a montadora segue sob pressão financeira, com resultados ruins nas vendas e ajustes internos para tentar recuperar fôlego.
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O Qashqai elétrico sai da prioridade e entra na fila da espera

Em 2023, a Nissan havia anunciado a produção de uma versão elétrica do Qashqai em Sunderland, movimento que foi comemorado por executivos da empresa e autoridades britânicas. Na época, o projeto era visto como uma aposta forte dentro da eletrificação da linha da marca.
Agora, essa expectativa foi empurrada para frente. A informação é de que o modelo não deve “sair do forno” antes de 2030, embora a montadora não tenha detalhado publicamente um novo calendário oficial. O recuo mostra que a decisão não foi apenas de ajuste de produto, mas de reposicionamento dentro da própria estratégia da empresa.
Pressão chinesa pesa na corrida dos elétricos na Europa
A mudança acontece num momento em que montadoras tradicionais enfrentam concorrência pesada de fabricantes chinesas no segmento de veículos eletrificados. Esse avanço tem apertado margens, encurtado espaço para lançamentos e forçado marcas como a Nissan a rever ritmo, portfólio e custos.
Na prática, a desistência de colocar o Qashqai elétrico na linha de montagem britânica mostra como a disputa na Europa ficou mais dura. Não se trata apenas de lançar mais um carro elétrico, mas de decidir onde investir, quando acelerar e quais modelos ainda fazem sentido dentro de uma conta que ficou mais exigente.
Sunderland continua no centro da estratégia, mas com menos promessas
A fábrica de Sunderland segue como peça importante para a Nissan, mas o plano em torno dela foi revisto. O comunicado e a reportagem citada não detalham quais mudanças adicionais podem ser feitas na planta, nem se o adiamento do Qashqai elétrico vai abrir espaço para outros modelos.
O que já ficou claro é que a montadora está numa fase de cortes e reavaliação mais ampla da linha de produtos. Nos últimos anos, a empresa também vem lidando com perdas, fechamento de fábricas e redução de funcionários, em uma tentativa de reorganizar sua operação global.
Leaf e Juke seguem como apostas enquanto a Nissan redesenha a eletrificação
Apesar do recuo no Qashqai elétrico, a Nissan não abandonou a transição para os carros elétricos. A marca lançou recentemente modelos como Leaf e Juke, que chegaram cercados de expectativa e seguem dentro da estratégia de eletrificação da companhia.
Mesmo assim, a revisão em torno do SUV mais popular da empresa na Europa mostra que a próxima etapa dessa corrida pode ser mais lenta do que parecia. Para o mercado, o sinal é claro: a disputa pelos elétricos não depende só de tecnologia, mas também de caixa, timing e capacidade de resistir à pressão dos concorrentes.
Se você acompanha o mercado automotivo, vale ficar de olho nos próximos passos da Nissan e nas mudanças que podem vir na linha europeia da marca. Comente e compartilhe a notícia com quem acompanha carros elétricos.
