1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / Um agricultor transforma uma pequena área em agrofloresta com baru e frutas, melhora o solo e inspira um movimento que já soma 2.188 propriedades sustentáveis e 6 hectares em restauração
Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 13 comentários

Um agricultor transforma uma pequena área em agrofloresta com baru e frutas, melhora o solo e inspira um movimento que já soma 2.188 propriedades sustentáveis e 6 hectares em restauração

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 19/02/2026 às 19:47
Atualizado em 19/02/2026 às 19:49
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
176 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Do solo vivo ao pó de rocha, práticas agroecológicas avançam: 2.188 propriedades sustentáveis, orgânicos em crescimento e 6 hectares restaurados, unindo renda, comida limpa e conservação

Em Distrito Federal, agricultores familiares, grandes produtores e projetos comunitários realizaram práticas sustentáveis em 2.188 propriedades e restauraram 6 hectares para produzir alimentos sem agrotóxicos, recuperar áreas degradadas e fortalecer a biodiversidade, provocando aumento da produtividade.

O Distrito Federal virou exemplo prático de como agricultura e meio ambiente podem caminhar juntos.

No Cerrado, produtores estão mudando a lógica tradicional do campo. Em vez de expandir áreas, a estratégia tem sido recuperar solos, preservar matas e aumentar a produtividade no mesmo espaço.

O que parecia impossível décadas atrás hoje virou modelo de produção sustentável, com números que impressionam e mostram que o agro pode ser ambientalmente correto e economicamente viável.

Agricultor de São Sebastião transforma pequena propriedade em agrofloresta produtiva

Em São Sebastião, o agricultor familiar Luiz Carlos Feitosa, de 60 anos, decidiu seguir um caminho diferente. Com apoio da Emater DF, implantou um sistema de agrofloresta em sua propriedade.

O modelo combina árvores e culturas agrícolas na mesma área. No terreno, ele cultiva baru, acerola e diversas frutas, tudo integrado à vegetação nativa.

A estratégia inclui plantio de árvores para proteger o solo, compostagem e reciclagem. O objetivo é produzir sem veneno e melhorar a qualidade da terra.

O resultado foi visível. O solo se tornou mais fértil, a biodiversidade voltou a aparecer e a qualidade de vida da família melhorou.

Produtores do Distrito Federal investem em práticas sustentáveis, como uso de bioinsumos e manejo do solo vivo, em propriedades que já somam 2.188 unidades com adoção de sistemas ecológicos e orgânicos, fortalecendo a produção sem desmatamento e com recuperação de áreas degradadas no Cerrado.

Distrito Federal já soma 2.188 propriedades com práticas ecológicas

O avanço não está restrito a casos isolados. Atualmente, o Distrito Federal possui 2.188 propriedades rurais que adotam práticas ecológicas ou possuem certificação orgânica.

O número de produtores orgânicos cresceu de forma acelerada. Eram cerca de 230 no início do ano passado. Agora são 388 produtores.

Grande parte desse grupo é formada por assentados. Para muitos, o cultivo orgânico virou porta de entrada no mercado, garantindo renda com sustentabilidade.

Segundo especialistas, o Brasil é hoje o país que mais utiliza bioinsumos no mundo, reforçando uma mudança estrutural na forma de produzir alimentos.

Fazenda no PAD DF mantém produção há 38 anos sem desmatar e amplia vegetação nativa

Imagem gerada por IA

No PAD DF, a Fazenda Malunga se tornou referência em agricultura orgânica no Cerrado. O produtor Joe Valle começou quando o termo agricultura alternativa ainda era pouco conhecido.

Hoje, a propriedade adota corredores agroecológicos que conectam áreas de mata. Esses corredores permitem que insetos realizem o biocontrole natural, reduzindo a necessidade de intervenções externas.

A produção é baseada em três pilares principais:

  • uso de microorganismos no solo vivo
  • pós de rocha para remineralização
  • plantas de cobertura

Há 38 anos, a fazenda produz no mesmo local. Nesse período, ampliou áreas de vegetação nativa e aumentou a produtividade, sem desmatamento.

O retorno da fauna nativa foi um dos efeitos mais visíveis. Barreiras naturais contra o vento e preservação das matas ajudaram a restabelecer o equilíbrio ecológico.

Projeto vai restaurar 6 hectares dentro da APA do Planalto Central

Outra frente importante é o projeto Sementes do Cerrado Floresta Viva. A iniciativa atua no Assentamento Oziel Alves, dentro da Área de Proteção Ambiental do Planalto Central.

Ao todo, serão restaurados 6 hectares distribuídos em 13 propriedades familiares.

O foco está na recuperação de áreas degradadas por incêndios e pela invasão de gramíneas exóticas. A metodologia utilizada é o Sistema Agrocerratense, que integra espécies nativas do Cerrado com cultivos agrícolas sem potencial invasor.

O trabalho é participativo, com diagnóstico e acompanhamento técnico realizados junto à comunidade e à Rede de Sementes do Cerrado. O apoio do ICMBio fortalece ações de prevenção a incêndios e monitoramento da vegetação.

O detalhe que mais chamou atenção é que a restauração acontece sem interromper a produção de alimentos, fortalecendo a renda das famílias.

Cerrado ganha protagonismo na agenda climática global

Especialistas destacam que o Cerrado é conhecido como a caixa d’água do Brasil, por sua importância estratégica na produção de recursos hídricos.

Assim como a Amazônia, o bioma tem papel central no equilíbrio climático. A diferença é que agora o Cerrado começa a ocupar espaço maior no debate internacional.

Produzir, preservar e ampliar vegetação no mesmo território deixou de ser discurso e passou a ser prática concreta no campo do Distrito Federal.

O conjunto dessas iniciativas mostra que é possível recuperar áreas degradadas, aumentar a produtividade e preservar o Cerrado ao mesmo tempo, algo que chama atenção em meio às discussões globais sobre clima e segurança alimentar.

E você, acredita que esse modelo pode ser ampliado para outras regiões do Brasil? Deixe sua opinião nos comentários.

Inscreva-se
Notificar de
guest
13 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Rachel Maria Batista Córdova Piauilino
Rachel Maria Batista Córdova Piauilino
25/02/2026 17:40

Primeiro eu quero dizer que eu estou muito feliz em saber que os agricultores estão se informando e encontrando uma solução que os beneficia ao mesmo tempo em que preservam a Natureza. E sim, eu acredito que todo o Brasil possui um grande potencial para que se produza alimentos sem danificar.

Tim Emaeyak Umoren
Tim Emaeyak Umoren
24/02/2026 15:42

This method of environmentally sustainable agriculture which is organic based is commended and should be adopted as a 21st century farming system in Brazil and beyond.

Maria Zulene Lima Nogueira
Maria Zulene Lima Nogueira
24/02/2026 09:39

Não só pode como deve, a terra bem cuidada devolve tudo em dobro, mas o ser humano só quer devastar, lucrar, lucrar e lucrar.

Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
13
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x