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Ucrânia coloca Mirage 2000 na ofensiva, dispara bombas ASM Hammer contra posições russas e muda a dinâmica da guerra, enquanto Putin vê sua principal vantagem aérea começar a ruir agora

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Escrito por Carla Teles Publicado em 23/03/2026 às 23:02
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Ucrânia usa Mirage 2000 com AASM Hammer e bombas planadoras para pressionar a Rússia e mudar a dinâmica aérea da guerra.
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A Ucrânia levou Mirage 2000 e bombas planadoras AASM Hammer para a linha de frente e passou a pressionar a Rússia em uma fase nova da guerra.

A Ucrânia já vinha acumulando sinais de pressão crescente sobre a Rússia nos primeiros meses de 2026. Segundo a base apresentada, os ataques ucranianos de longo alcance aumentaram em quantidade e em dano, enquanto uma contraofensiva na fronteira entre Zaporíjia e a região de Dnipropetrovsk teria retomado mais de 400 km² de território crítico.

Agora, porém, o foco se desloca para o ar. Ao usar o Mirage 2000 para lançar bombas AASM Hammer, a Ucrânia entra em um terreno que até aqui favorecia sobretudo os russos, alterando a lógica do campo de batalha e colocando em xeque uma vantagem que Moscou explorou de forma intensa desde o início da guerra.

Ucrânia tira o Mirage 2000 da defesa e leva o caça para o ataque

Ucrânia usa Mirage 2000 com AASM Hammer e bombas planadoras para pressionar a Rússia e mudar a dinâmica aérea da guerra.

Durante boa parte do período inicial, os Mirage 2000 da Ucrânia foram usados principalmente em missões defensivas.

O papel deles era proteger cidades e infraestrutura crítica, ajudando a conter mísseis de cruzeiro e ataques vindos da Rússia.

A mudança agora é importante porque mostra que esses caças passaram a ser empregados também em missões ofensivas. Imagens surgidas no fim de fevereiro de 2026 teriam mostrado um Mirage 2000 ucraniano lançando bombas planadoras AASM Hammer sobre posições russas.

Isso marca uma virada operacional relevante, já que é a primeira confirmação de uso ofensivo desses aviões na linha de frente dentro da base fornecida.

O movimento repete, em parte, o caminho já visto com os F-16. Primeiro, a Ucrânia empregou esses caças em tarefas defensivas.

Só depois, com mais aeronaves disponíveis, os F-16 começaram a aparecer em missões ofensivas com mísseis de cruzeiro e bombas planadoras de precisão.

AASM Hammer dá à Ucrânia uma nova ferramenta de pressão

O centro dessa nova fase está na AASM Hammer, munição francesa apresentada como uma arma inteligente ar-solo de longo alcance e para qualquer clima.

O sistema foi descrito como modular, capaz de combinar guiagem por navegação inercial, GPS, laser ou infravermelho, dependendo da variante usada.

Na prática, isso significa que a Ucrânia passa a contar com uma bomba planadora que pode atingir alvos com elevada precisão e ser lançada a uma distância suficiente para manter a aeronave fora de parte do alcance das defesas russas.

Essa combinação entre alcance e precisão muda muito o valor tático do Mirage 2000, mesmo em uma frota pequena.

A base também aponta que a variante mais provável em uso seria a de 250 kg, especialmente contra alvos estacionários.

Isso combina com o tipo de objetivo mencionado no texto, que inclui posições russas na frente e áreas logo atrás dela, onde se concentram estruturas logísticas e agrupamentos de tropas.

Retaguarda próxima virou alvo cada vez mais vulnerável

Um dos pontos mais importantes do relato é a mudança no conceito de retaguarda próxima. Com a proliferação de drones FPV e guiados por fibra óptica, a separação entre linha de frente e área segura ficou muito mais difusa.

Segundo a base, posições a até 32 km das linhas avançadas passaram a ser inseguras. Isso faz com que a área onde russos armazenam munição, combustível e suprimentos ou concentram tropas antes dos ataques deixe de ser apenas apoio e passe a integrar o campo de batalha de forma direta.

É justamente aí que entram os Mirage da Ucrânia com as AASM Hammer. Essas bombas permitem atacar pontos logísticos e de apoio que antes ficavam relativamente protegidos, enfraquecendo a capacidade russa de sustentar ofensivas, abastecer unidades e organizar ataques locais com rapidez.

Bombas russas deram a Moscou uma vantagem difícil de neutralizar

Para entender por que essa novidade pesa tanto, é preciso olhar para a arma que deu à Rússia uma vantagem persistente: as bombas planadoras FAB, também chamadas na base de CAB. Elas transformam bombas soviéticas não guiadas em armas de precisão com asas e kits de correção.

A Rússia passou a usá-las em larga escala para demolir posições fortificadas, destruir infraestrutura e pressionar cidades.

A base afirma que desde 2022 os russos já lançaram mais de 51 mil bombas aéreas guiadas contra a Ucrânia, principalmente desse tipo, e que o ritmo continuou crescendo em 2026.

Só em janeiro de 2026, segundo o material enviado, teriam sido usadas 5.717 bombas planadoras russas. Em 27 de fevereiro, o volume diário citado foi de 328 bombas aéreas guiadas em um único dia.

Essa escala mostra por que Moscou construiu uma vantagem aérea tão difícil de enfrentar, mesmo sem dominar totalmente o espaço aéreo.

O problema para a Ucrânia nunca foi só derrubar bombas

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A Ucrânia até conseguiu destruir parte dessas bombas com defesa aérea, mas a dificuldade central está na relação entre custo e volume.

A base ressalta que as FAB russas seriam relativamente baratas, enquanto os mísseis usados para interceptá-las custam muito mais.

Esse desequilíbrio torna a defesa pura um caminho pouco sustentável. Mesmo que houvesse orçamento, o problema continuaria sendo o estoque.

Não há mísseis suficientes disponíveis para responder indefinidamente a milhares de bombas planadoras por mês, o que obriga Kiev a buscar outros caminhos.

Foi por isso que a Ucrânia passou a tentar eliminar a ameaça na origem, atacando depósitos, instalações de produção e, quando possível, as aeronaves russas antes do lançamento.

O uso ofensivo dos Mirage com AASM Hammer entra exatamente nessa lógica de atacar a cadeia de emprego da arma, e não apenas tentar interceptá-la já em voo.

Mirage 2000 pode começar a devolver à Rússia o mesmo tipo de pressão

O aspecto mais sensível dessa mudança é simbólico e operacional ao mesmo tempo. Durante grande parte da guerra, a Rússia foi quem teve a capacidade de lançar bombas planadoras sobre posições ucranianas com impacto devastador.

Agora, a Ucrânia passa a ter ao menos um começo de resposta equivalente. Ainda não na mesma escala, mas com potencial para atingir áreas russas vulneráveis na frente e logo atrás dela. Isso significa que uma vantagem antes quase exclusiva de Moscou começa a ser contestada.

Se as brechas nas defesas aéreas russas realmente estiverem crescendo na linha de frente, como sugere a base, essa capacidade pode se tornar ainda mais relevante.

O efeito não está apenas no dano direto, mas no custo operacional imposto à Rússia, que pode ser forçada a dispersar estoques, recuar pontos logísticos e rever concentrações de tropas.

Ucrânia ainda enfrenta limites sérios para ampliar esse impacto

Apesar do potencial, a própria base deixa claro que a Ucrânia ainda enfrenta dois obstáculos grandes. O primeiro é o tamanho da frota. A Rússia pode lançar bombas com vários tipos de aeronaves, enquanto Kiev trabalha com algumas dezenas de F-16 e um número muito menor de Mirage 2000.

Esse limite afeta diretamente a tática. Como os caças ocidentais também têm papel defensivo importante, a Ucrânia tende a ser mais cautelosa ao empregá-los perto da linha de frente. O alcance do AASM Hammer ajuda, mas não elimina o risco de exposição às defesas russas.

O segundo obstáculo é a quantidade de bombas disponível. A base mostra que a produção francesa da AASM Hammer cresceu muito desde 2022, mas ainda assim permanece muito abaixo do volume russo. Em 2024, o parlamento francês comprometeu o governo a realizar entregas regulares de 600 bombas por ano para a Ucrânia. Isso ajuda, mas está longe de criar paridade com a escala industrial russa.

A disputa agora também é industrial

A comparação com a produção russa é dura. Segundo a base, Moscou estaria produzindo cerca de 3.500 bombas planadoras por mês, enquanto a oferta ocidental para a Ucrânia segue muito mais limitada, inclusive por causa da concorrência internacional por munições semelhantes.

O texto cita ainda a disputa por GBU-39B, que teoricamente poderiam ampliar a capacidade ofensiva ucraniana, mas cuja demanda também envolve outros países e outros conflitos. Isso reduz a margem de manobra de Kiev no curto prazo.

Por isso, a solução mais sólida talvez passe por produção própria. A própria base sugere que a Ucrânia pode acabar tentando desenvolver e fabricar suas próprias bombas planadoras, repetindo o padrão de inovação que já demonstrou em outras áreas da guerra. Se isso acontecer, o impacto sobre a dinâmica do conflito poderá ser ainda maior.

Putin vê a vantagem aérea começar a ser questionada

No quadro geral, o mais importante é que a Rússia já não aparece sozinha nesse tipo de ataque. A Ucrânia não alcançou equivalência plena, mas mostrou que consegue usar caças ocidentais e bombas de precisão para atingir alvos que antes estavam mais protegidos.

Isso mexe com um dos pilares da pressão russa na frente de batalha. Ao levar os Mirage 2000 para a ofensiva com AASM Hammer, a Ucrânia começa a atacar a lógica que sustentou boa parte da vantagem russa nos últimos anos, baseada em volume, alcance e custo relativamente baixo das bombas planadoras.

Ainda há limitações evidentes de frota, risco e escala. Mas o simples fato de a Ucrânia ter colocado essa capacidade em operação já muda a equação psicológica e militar da guerra.

E, para Putin, esse tipo de mudança pode ser especialmente difícil de neutralizar se vier acompanhado de mais entregas, mais brechas na defesa russa e mais adaptação ucraniana.

Você acha que a Ucrânia conseguirá transformar os Mirage 2000 e as AASM Hammer em uma resposta real às bombas planadoras russas?

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Carla Teles

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