Turismo excessivo leva a festival cancelado de flor de cerejeira no Monte Fuji após denúncias de turistas malcomportados.
O aumento descontrolado do fluxo turístico levou autoridades de Fujiyoshida, cidade japonesa próxima ao Monte Fuji, a anunciar o festival cancelado das tradicionais flores de primavera.
A decisão foi comunicada pelo governo municipal na terça-feira (3/2), após relatos de impactos severos à rotina local.
Segundo a prefeitura, tornou-se inviável administrar o volume de visitantes durante o auge da flor de cerejeira.
-
Vai viajar e deixar o pet sozinho? Cidade brasileira cria regra dura, mira abandono temporário e pode multar tutores de cães e gatos em até R$10 mil
-
Trânsito travado entre BH e Nova Lima pode ganhar um respiro e tanto com o Viaduto Ferradura, obra de R$ 48 milhões que promete conectar MG-30 e MGC-356 sem passar pelo trevo do Belvedere
-
Rio Pinheiros chama atenção de quem passa pela ciclovia com menos cheiro forte, mais capivaras e aves nas margens, queda de até 55% na matéria orgânica e retirada recorde de lixo em São Paulo
-
Metais pesados no mar, pescadores sem renda e moradores preocupados: contaminação química em São Tomé de Paripe leva Salvador a decretar emergência ambiental por 90 dias e mobilizar órgãos municipais
O evento era realizado há uma década no parque Arakurayama Sengen e atraía multidões interessadas na vista panorâmica do pagode com o Monte Fuji ao fundo.
Entretanto, o crescimento acelerado do turismo excessivo transformou o que era promoção cultural em fonte de tensão urbana.
A medida busca proteger moradores e preservar as condições de convivência.
Turistas malcomportados motivaram decisão inédita
De acordo com autoridades, o comportamento de parte dos visitantes foi determinante para o festival cancelado.
Moradores denunciaram episódios recorrentes de invasão de propriedades privadas e descarte irregular de lixo.
Relatos apontam que turistas chegavam a entrar em residências sem autorização.
Em situações mais graves, houve denúncias de que visitantes “invadiam, sujavam e defecavam em quintais particulares, criando alvoroço quando os moradores se queixavam”.
O prefeito Shigeru Horiuchi reconheceu o agravamento da situação.
“Temos uma forte sensação de crise”, afirmou. Ele acrescentou: “Para proteger a dignidade e as condições de moradia dos nossos cidadãos, decidimos suspender o festival, que era realizado há 10 anos”.
Flor de cerejeira e Monte Fuji impulsionaram explosão turística
O apelo visual da flor de cerejeira, conhecida como sakura, é um dos maiores símbolos culturais do Japão.
Durante a primavera, a paisagem de Fujiyoshida ganha projeção internacional, sobretudo pela composição com o Monte Fuji ao fundo.
Então esse cenário se tornou altamente compartilhável nas redes sociais.
O parque Arakurayama Sengen, aberto ao turismo na temporada de 2016, reúne mirantes considerados “instagramáveis”.
A estratégia inicial buscava criar uma “atmosfera dinâmica no local” e estimular a economia regional.
Contudo, o sucesso superou qualquer previsão logística.
Número de visitantes ultrapassou capacidade da cidade
Dados oficiais indicam que cerca de 10 mil pessoas visitam Fujiyoshida diariamente no pico da flor de cerejeira.
O volume é expressivo para uma cidade com aproximadamente 44 mil habitantes.
Segundo o governo municipal, o fluxo “aumentou exponencialmente, excedendo a capacidade da cidade de recebê-los e resultando em turismo excessivo, com sérios impactos para as condições de moradia dos habitantes locais”.
Então entre os fatores que impulsionaram a demanda estão o iene desvalorizado e a popularização global do destino nas redes sociais.
Mesmo com festival cancelado, cidade espera nova onda de turistas
Apesar do festival cancelado, a prefeitura já se prepara para novo aumento de visitantes entre abril e maio.
Assim, a expectativa é que turistas continuem viajando à região para ver a flor de cerejeira, mesmo sem programação oficial.
Assim, medidas operacionais e de controle de fluxo devem ser reforçadas para minimizar danos urbanos e ambientais.
Japão já adotou barreiras contra turistas malcomportados
O caso de Fujiyoshida não é isolado.
Em 2024, autoridades de Fujikawaguchiko instalaram uma barreira escura para bloquear a vista de um dos pontos fotográficos mais procurados do Monte Fuji.
Então a ação visava conter turistas malcomportados que geravam lixo, estacionavam ilegalmente e desrespeitavam propriedades privadas em busca da imagem perfeita.
Assim, a iniciativa ganhou repercussão internacional e evidenciou o desafio de equilibrar promoção turística e qualidade de vida.
Turismo excessivo também pressiona destinos europeus
O fenômeno não se restringe ao Japão.
Na Itália, autoridades passaram a cobrar taxa de acesso à área de observação da Fontana di Trevi, em Roma.
Assim, a tarifa de 2 euros busca limitar aglomerações e financiar a manutenção do patrimônio histórico.
Já em Veneza, visitantes de um dia pagarão entre 5 e 10 euros, conforme antecedência da reserva, em datas específicas da alta temporada.
Então essas medidas refletem uma tendência global: destinos icônicos enfrentam dificuldades para gerir o turismo excessivo sem comprometer infraestrutura e moradores.
Desafio global: preservar atrações sem sacrificar moradores
O festival cancelado em Fujiyoshida simboliza um dilema crescente do setor turístico.
Por um lado, há benefícios econômicos e visibilidade internacional.
Por outro, surgem pressões urbanas, ambientais e sociais.
Então o caso reforça a necessidade de políticas de capacidade de carga turística — conceito que define o limite sustentável de visitantes em um destino.
Enquanto isso, a imagem do Monte Fuji cercado pela flor de cerejeira continua atraindo o mundo.
Porém, agora, sob regras mais rígidas para proteger quem vive ali o ano inteiro.
Veja mais em: Japão: cidade cancela festival das cerejeiras em flor devido ao mau comportamento dos visitantes – BBC News Brasil
