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Três irmãos criaram barreiras, limparam 2.000 toneladas de lixo tudo à mão e agora transformam sandálias e sacolas descartadas em chinelos e móveis enquanto pressionam governos contra plástico descartável diariamente

Publicado em 14/02/2026 às 14:56
Atualizado em 14/02/2026 às 15:02
Assista o vídeolixo dos rios em Bali e Java: três irmãos usam barreiras e reciclagem para retirar resíduos e pressionar políticas contra descartáveis.
lixo dos rios em Bali e Java: três irmãos usam barreiras e reciclagem para retirar resíduos e pressionar políticas contra descartáveis.
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Em quatro anos, uma operação criada por três irmãos retirou mais de 2.000 toneladas de lixo dos rios em Bali e Java, combinando barreiras, coleta manual e triagem diária, enquanto parte do plástico vira novos produtos e outra parte expõe limites da reciclagem e cobra políticas públicas mais firmes urgentes.

O lixo dos rios deixou de ser apenas um retrato do descarte cotidiano em Bali e Java e passou a funcionar como termômetro de gestão ambiental. Desde 2020, os irmãos Gary, Sam e Kelly Bencheghib lideram uma operação contínua que já retirou mais de 2.000 toneladas de resíduos em quatro anos.

Com barreiras flutuantes, coleta manual, triagem em escala e parcerias industriais, a iniciativa combina ação emergencial e estratégia de longo prazo. O avanço é concreto, mas o desafio é maior que a limpeza diária: impedir que o plástico retorne ao leito dos rios exige mudança estrutural, financiamento estável e redução efetiva do descartável.

De onde veio a operação e por que ela começou justamente em Bali

A organização nasceu depois de uma transformação visível no território. Os três irmãos, que vivem em Bali desde a infância, afirmam ter acompanhado a ilha migrar de cartão-postal para paisagem marcada por resíduos plásticos em áreas urbanas, canais e trechos de rio.

Em 2020, criaram a Sungai Watch e passaram a tratar o lixo dos rios como prioridade operacional, não como ação pontual.

Essa decisão ocorreu num contexto contraditório: Bali proibiu plásticos de uso único, como sacolas e canudos, em 2019, mas a produção de resíduos plásticos permaneceu elevada.

O problema não se resume ao consumo final; ele envolve cadeia de embalagens, descarte irregular e cultura de itens descartáveis de uso rápido. Quando a infraestrutura de gestão não acompanha o volume gerado, o rio vira corredor de transporte do lixo até o mar.

Como funciona a limpeza manual quando cada chuva muda a escala do problema

A rotina começa com monitoramento de campo e resposta rápida. Em um dos casos relatados, um morador enviou vídeo de um rio com acúmulo crítico de resíduos; a equipe foi mobilizada imediatamente porque a próxima chuva poderia arrastar o material para o oceano, tornando a recuperação muito mais difícil. Em cerca de três horas, o grupo removeu aproximadamente duas toneladas de resíduos.

Para reduzir esse efeito “corrida contra o tempo”, foram instaladas 170 barreiras flutuantes em Bali e Java Oriental. Elas concentram o material em pontos de captura, mas exigem manutenção diária para evitar transbordamento e risco de enchente.

O trabalho envolve 132 pessoas distribuídas entre barreiras, pontos de descarte e centrais de separação. Não há intervalo operacional real: limpa-se hoje sabendo que amanhã haverá novo acúmulo.

O que acontece depois da coleta: triagem, dados e limite da reciclagem

Retirar o lixo dos rios é apenas a primeira etapa. O material segue para nove instalações de triagem, que processam cerca de 3.000 quilos por dia.

A separação é manual e detalhada, em aproximadamente 30 categorias por tipo de material, cor e qualidade.

Parte dos recicláveis é compactada em fardos para facilitar transporte e comercialização, como no caso de garrafas plásticas prensadas em blocos.

Esse nível de detalhamento gera duas saídas simultâneas: destinação e inteligência operacional. Os itens com maior reciclabilidade seguem para recicladores externos, mas somente cerca de um terço do volume coletado encontra essa rota.

Em torno de 40% vai para aterro por degradação ou baixa viabilidade técnica. O dado mais estratégico não é apenas “quanto foi recolhido”, e sim “o que volta ao rio, de onde vem e com que frequência”, porque isso orienta pressão regulatória sobre marcas, embalagens e políticas públicas.

Quando o resíduo vira produto: de chinelos descartados a móveis

Entre os resíduos mais recorrentes aparecem chinelos descartados. A operação já reuniu mais de 200 mil unidades, cerca de 3% do total coletado. Em parceria com a Indosole, esse material é triturado, aquecido, moldado e convertido em novos componentes de calçado.

Resíduos são prensados para fabricação de chinelo, ficando em repouso por cerca de 12 horas.

O processo combina reaproveitamento de base reciclada com outros insumos para formar um produto final utilizável.

A lógica se expandiu em 2024 com a Sungai Design, voltada ao uso de sacolas plásticas na fabricação de mobiliário. Um dos primeiros produtos, uma cadeira tipo lounge, utiliza aproximadamente 2.000 sacolas coletadas em rios da Indonésia.

É uma resposta industrial ao passivo ambiental, mas sem maquiar o limite central: transformar resíduos em produto ajuda, porém não substitui redução na origem nem sistema robusto de coleta e tratamento.

O que o caso revela sobre política pública, financiamento e escala

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No plano nacional, o cenário amplia a dimensão do problema. A Indonésia produz quase 7 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos por ano, e mais da metade é mal gerida.

Parte desse volume termina em margens de estrada, lixões irregulares e aterros sem controle adequado, que funcionam como fonte permanente de contaminação dos cursos d’água.

O contexto internacional também pressionou o sistema local. Após 2017, quando a China interrompeu a importação de resíduos de outros países, houve aumento de entrada de plástico em países da região, incluindo a Indonésia em 2018.

Paralelamente, o governo definiu meta ambiciosa de reduzir em 70% o plástico marinho até 2025, mas a execução enfrenta gargalos conhecidos: estações de triagem que abrem e fecham por falta de verba e operação contínua.

Mesmo assim, há sinais de impacto mensurável. Em Denpasar, um rio foi considerado limpo o suficiente para retirada de barreiras e reintrodução de peixes pela comunidade.

A organização também mantém oficinas com juventude e mulheres sobre separação de resíduos, publica relatório anual e leva dados para debate institucional. O ponto decisivo é transformar limpeza em política de Estado, não em exceção sustentada por esforço voluntário.

O caso de Bali e Java mostra que enfrentar o lixo dos rios depende de uma equação completa: captura eficiente, triagem qualificada, reaproveitamento viável, financiamento público contínuo e redução real do plástico descartável.

A limpeza manual prova que é possível recuperar áreas críticas, mas também evidencia que o fluxo de resíduos só diminui quando a origem do problema é enfrentada com consistência.

Na sua cidade, qual ponto de descarte você vê repetidamente perto de córregos, canais ou rios e por que ele continua ativo? Se fosse preciso escolher uma prioridade imediata, você apostaria em mais barreiras de captura, fiscalização de descarte irregular ou restrição forte a embalagens de uso único? Quero ler experiências concretas e soluções que você considera aplicáveis no seu bairro.

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José Ferreira
José Ferreira
15/02/2026 15:25

A melhor notícia que vi desde o nascimento de meu filho, em1999.
Que a humanidade multiplique essas ações, que pessoas tenham milhões de ideias transformadoras, o mundo está esperando pessoas que cuidam e valorizam a vida.
Nas redes sociais depositem, compartilhem soluções ambientais, e critiquem menos.
Substituam palavras por atitudes concretas.
KELLY, SAM, GARY CONGRATULATION…

Edna
Edna
15/02/2026 13:09

Restrição de embalagens por que o povo não tem consciência

Daisy Assis da Silva
Daisy Assis da Silva
15/02/2026 12:15

O correto seria as indústrias fabricarem algum material que fosse biodegradável e que substituísse o plástico, principalmente sacolas plásticas. Deveria ser proibido produzir sacolas plásticas. Já encontraram plástico em todos os lugares, até na chuva, no sangue humano e dentro dos animais marinhos. O plástico está destruindo a natureza. Por que as indústrias não investem na criação de uma solução para isso?

Fonte
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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