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Três estudantes da Paraíba usam argila e amido da batata-doce e criam membrana que retém microplásticos invisíveis na água, leva prêmio na Febrace e mira estações de tratamento no Brasil

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 05/06/2026 às 23:31
Atualizado em 05/06/2026 às 23:37
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Estudantes da Paraíba criam membrana com argila e amido da batata-doce para reter microplásticos na água.
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Estudantes de Campina Grande desenvolveram uma membrana experimental com argila montmorilonita e amido da batata-doce para reter microplásticos na água, em projeto premiado na Febrace e ainda em fase de testes antes de possível aplicação em sistemas de tratamento.

Três alunas da Escola SESI Unidade Prata, em Campina Grande, na Paraíba, desenvolveram uma membrana experimental de microfiltração para reter microplásticos presentes na água, usando argila montmorilonita e amido, inclusive amido extraído da batata-doce.

Chamado M-Plasfil, o projeto foi finalista da Febrace 2023 e recebeu premiação na categoria Engenharia, com proposta voltada à filtragem de partículas plásticas pequenas demais para serem vistas a olho nu.

A pesquisa foi realizada por Maria Helena Dantas de Lima, Maria Luiza Souza Dantas e Maria Gabriely Félix de Siqueira, sob orientação de Eduardo Adelino Ferreira e Fabiana Medeiros do Nascimento Silva.

Na página oficial da Febrace, o trabalho aparece na área de Engenharia, subcategoria de Materiais e Metalúrgica, vinculado à Escola SESI Unidade Prata.

O objetivo central foi produzir uma membrana capaz de testar a retenção de microplásticos e avaliar a viabilidade filtrante do material em condições experimentais.

A proposta usou insumos ligados ao contexto regional, como a argila montmorilonita chocolate B e agentes porogênicos oriundos da Paraíba, combinados a dois tipos de amido usados nas formulações.

Membrana com argila e amido da batata-doce

O M-Plasfil foi construído a partir de diferentes formulações, o que permitiu às estudantes comparar o comportamento das amostras e buscar ajustes no desempenho do material.

Essa variação de composição fez parte do método adotado para aperfeiçoar a membrana antes dos testes de filtragem com fluxo sintético contendo microplásticos.

Após a fabricação, as membranas passaram por avaliações de resistência, utilidade, seletividade e permeabilidade, etapas usadas para observar o comportamento do material durante a passagem da água.

Nos ensaios, o protótipo recebeu um fluxo sintético com microplásticos, condição adotada pelas estudantes para simular a presença dos micropoluentes durante a avaliação do sistema de filtragem.

Estudantes da Paraíba criam membrana com argila e amido da batata-doce para reter microplásticos na água.
Estudantes da Paraíba criam membrana com argila e amido da batata-doce para reter microplásticos na água.

A validação experimental ocorreu depois da passagem desse fluxo pelas membranas, com observações microscópicas feitas para verificar a retenção das partículas no material desenvolvido.

Esse procedimento foi descrito no resumo apresentado à Febrace como parte da comprovação inicial do funcionamento do protótipo em ambiente laboratorial.

De acordo com a descrição oficial do projeto, as membranas apresentaram alta resistência à água em diferentes temperaturas e validaram a ação de reter os micropoluentes durante os ensaios.

A tecnologia, porém, permanece em fase laboratorial e ainda depende de novas etapas de caracterização e testes antes de qualquer uso em larga escala.

Microplásticos na água e desafio para o saneamento

Microplásticos são fragmentos muito pequenos de materiais plásticos, formados pela degradação de resíduos maiores ou liberados por atividades industriais e domésticas.

Por causa do tamanho reduzido, essas partículas podem circular em ambientes aquáticos e criar desafios adicionais para processos de tratamento de água.

A preocupação está relacionada também à interação dessas partículas com outras substâncias presentes no ambiente, conforme descrito pelas estudantes no resumo do projeto.

Na apresentação da pesquisa, as autoras informam que compostos nocivos podem aderir aos microplásticos em meios aquáticos, o que amplia a relevância de estudos sobre retenção desses resíduos.

A iniciativa paraibana aborda esse problema ambiental a partir de uma solução desenvolvida dentro da educação básica, com materiais avaliados em testes experimentais.

Em vez de partir de uma estrutura industrial, a pesquisa trabalha com materiais acessíveis e com potencial de adaptação a estudos aplicados em saneamento.

O recorte escolhido relaciona a investigação científica a uma demanda concreta da população: a qualidade da água consumida em residências.

Estudantes da Paraíba criam membrana com argila e amido da batata-doce para reter microplásticos na água.
Estudantes da Paraíba criam membrana com argila e amido da batata-doce para reter microplásticos na água.

Segundo a descrição do projeto, a membrana foi pensada para reter microplásticos presentes na água utilizada no abastecimento de casas em Campina Grande.

Projeto da Escola SESI ganhou projeção nacional

Além da etapa escolar, o M-Plasfil contou com desenvolvimento no Laboratório de Iniciação Científica da Escola SESI e no Laboratório de Novos Materiais da Universidade Federal de Campina Grande.

A informação foi divulgada pela Federação das Indústrias do Estado da Paraíba e indica participação de estrutura acadêmica no desenvolvimento do trabalho.

Na Febrace, o projeto ficou em 3º lugar na categoria Engenharia e recebeu reconhecimentos de mostras afiliadas, como a Mostra Científica de Inovação, Tecnologia e Engenharia e a Feira de Ciências do Semiárido Potiguar.

Com esse resultado, o trabalho passou a integrar o conjunto de iniciativas premiadas da Escola SESI da Paraíba na edição de 2023 da feira.

A Febrace registrou o projeto como finalista sob o código ENG-1852, com o título “M-Plasfil: desenvolvimento de membrana para microfiltração e retenção de microplásticos”.

A listagem oficial também confirma a autoria, a orientação, a instituição de ensino e a classificação na área de Engenharia de Materiais e Metalúrgica.

A premiação não transforma a membrana em produto pronto para estações de tratamento, mas confirma que o protótipo passou por uma primeira etapa de validação experimental.

Projetos científicos escolares podem apresentar resultados iniciais promissores, desde que as limitações laboratoriais sejam mantidas na descrição pública da pesquisa.

Testes em bancada antes de chegar às estações de tratamento

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O resumo apresentado à Febrace informa que as próximas fases incluem o uso do método Freire de análise por FTIR e a validação do protótipo em escala de bancada.

Essas etapas são previstas para ampliar a caracterização do material e testar o desempenho em condições mais controladas antes de uma eventual implantação.

A técnica de FTIR, sigla em inglês para espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier, é citada no projeto como parte da continuidade da análise.

No caso do M-Plasfil, esse procedimento aparece como etapa futura, e não como resultado já concluído na documentação disponível sobre a pesquisa.

A aplicação em estações de tratamento, portanto, permanece como objetivo posterior e depende de novas verificações técnicas em escala de bancada.

Até o momento, o que há de forma confirmada é uma membrana experimental testada com fluxo sintético contendo microplásticos, observação microscópica das partículas retidas e premiação em feira científica.

A escolha por argila e amido da batata-doce insere o projeto em estudos sobre tecnologias ambientais feitas com materiais de origem regional.

Ao utilizar insumos disponíveis e de menor complexidade industrial, a pesquisa avalia uma alternativa de filtragem em fase inicial, ainda restrita a testes conduzidos em laboratório.

No campo educacional, o M-Plasfil representa um exemplo de investigação científica desenvolvida na educação básica com orientação docente, experimentação e apresentação pública dos resultados.

A experiência das estudantes de Campina Grande reúne saneamento, ciência de materiais e inovação escolar em torno de um tema que ainda exige pesquisa contínua.

O projeto permanece em fase de desenvolvimento, sem registro de aplicação comercial ou uso operacional em sistemas públicos de tratamento de água.

A etapa confirmada é a validação inicial em protótipo, com previsão de novos testes em bancada antes de qualquer avanço rumo a uma escala mais ampla.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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