Com obras antecipadas para março e investimento total de R$ 16,85 bilhões, o Trem Intercidades que vai ligar São Paulo a Campinas em pouco mais de uma hora promete transformar a mobilidade no interior paulista e entrar em operação até 2031, reunindo tecnologia chinesa e gestão brasileira.
As obras do Trem Intercidades Eixo Norte, que ligará Campinas a São Paulo em cerca de uma hora e quatro minutos com velocidade máxima de 140 km/h, foram antecipadas e tiveram início em março, conforme confirmou Pedro Moro, presidente da TIC Trens, concessionária responsável pelo projeto, durante a 250ª Reunião Ordinária do Conselho da Região Metropolitana de Campinas.
O cronograma original previa o início das obras para maio, mas a antecipação foi possível porque a empresa conseguiu apresentar os projetos necessários e obter as licenças ambientais e de obra antes do prazo, de acordo com a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo, a Artesp.
O projeto contempla cerca de 100 quilômetros de extensão total, incluindo o Trem Intercidades expresso entre São Paulo e Campinas, o Trem Intermetropolitano com paradas intermediárias em Louveira, Vinhedo e Valinhos, e a modernização completa da Linha 7-Rubi, que liga a estação Água Branca, em São Paulo, a Jundiaí, servindo como espinha dorsal do sistema.
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A previsão é de que o Trem Intercidades inicie sua operação comercial em 2031, com passagens previstas para R$ 64,00 na ligação direta entre a estação Água Branca e Campinas, enquanto o Trem Intermetropolitano, mais lento e com paradas intermediárias, deve operar com tarifa de R$ 14,05 na ligação entre Jundiaí e Campinas.
Início das obras pela base da ferrovia
Os primeiros trabalhos das obras concentram-se na preparação da base da ferrovia, etapa que precede a instalação dos trilhos e envolve a remoção de interferências como trilhos antigos e tubulações sem uso, a execução de sistemas de drenagem e a terraplanagem das áreas onde a nova via será implantada ao longo do percurso entre as cidades.
No trecho entre Jundiaí e Campinas, a concessionária identificou nove pontos ao longo dos 40 quilômetros onde esses serviços iniciais serão executados de forma simultânea, estratégia que permite otimizar o cronograma de obras ao distribuir as frentes de trabalho ao longo do percurso em vez de avançar sequencialmente de um ponto ao outro da linha.
Somente após a conclusão da terraplanagem e da preparação do terreno em cada trecho será possível iniciar a instalação dos dormentes, trilhos e demais componentes que compõem a estrutura da via permanente, etapa que exige precisão milimétrica de nivelamento e alinhamento para garantir a segurança e o conforto dos passageiros na velocidade de operação prevista.
O trecho mais complexo: Linha 7-Rubi

O segmento mais complexo de todo o projeto é a Linha 7-Rubi, que liga a estação Água Branca a Jundiaí ao longo de 60 quilômetros onde convivem atualmente dois tipos de tráfego distintos: os trens de passageiros da CPTM, com 400 mil passageiros por dia e intervalos de cinco minutos e meio no horário de pico, e os trens de carga operados pela MRS Logística.
Para resolver esse conflito operacional, a renovação antecipada da concessão da MRS prevê a construção de uma via segregada exclusiva para o transporte de cargas ao longo desse trecho, o que permitirá reorganizar toda a operação e liberar as vias existentes para a implantação definitiva do Trem Intercidades e do Trem Intermetropolitano sem interferência do tráfego de carga.
A segregação das operações de passageiros e cargas na Linha 7-Rubi é considerada pré-condição para o funcionamento do Trem Intercidades nesse trecho, pois um trem expresso a 140 km/h não pode compartilhar a mesma via com composições de carga lentas sem comprometer gravemente a regularidade dos horários e a segurança de todo o sistema ferroviário integrado.
Veículos de manutenção e tecnologia chinesa
A concessionária TIC Trens já recebeu no Brasil sete dos nove veículos de manutenção adquiridos da China, todos chegando pelo Porto de Santos, incluindo uma socadora para correção de nivelamento da via, duas locomotivas, três vagões tipo hopper para transporte de materiais e um vagão prancha com proteção lateral, equipamentos atualmente em uso na Linha 7-Rubi.
Os dois veículos restantes — uma nova socadora e um equipamento de manutenção de rede aérea — estavam previstos para chegar em março, completando o conjunto inicial de máquinas especializadas que serão utilizadas tanto na preparação da Linha 7-Rubi quanto na futura manutenção do trecho novo entre Jundiaí e Campinas após a conclusão das obras.
A TIC Trens é a concessionária criada a partir do consórcio vencedor do leilão realizado em fevereiro de 2024, composto pela CRRC Hong Kong, fabricante chinesa de material rodante com 40% de participação, considerada a maior fabricante mundial do setor, e pelo Grupo Comporte, holding brasileira da família Constantino com 60%, responsável pela gestão operacional do projeto.

Investimento bilionário e prazo de 30 anos
O contrato de concessão tem duração de 30 anos e prevê investimento total de R$ 16,85 bilhões no Trem Intercidades Eixo Norte, sendo R$ 9,5 bilhões correspondentes a aportes diretos do Governo do Estado de São Paulo, com o restante sendo financiado e gerido pela concessionária ao longo da vigência do contrato de exploração da linha.
O projeto representa a maior aposta do governo estadual paulista na modernização do transporte coletivo de média e longa distância nas últimas décadas, consolidando uma ligação ferroviária que havia sido planejada e adiada múltiplas vezes desde os anos 1990, quando as primeiras discussões sobre um trem de alta velocidade entre as duas maiores cidades do interior paulista começaram a ganhar forma.
Além do impacto direto na mobilidade dos usuários que hoje fazem o trajeto entre São Paulo e Campinas de carro ou ônibus, o projeto tem potencial de reorganizar o desenvolvimento urbano ao longo do eixo norte da Região Metropolitana de Campinas, estimulando novos polos de desenvolvimento nas cidades intermediárias que serão atendidas pelo Trem Intermetropolitano.

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