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Trecho crítico da BR-101 pode ser triplicado com investimento de R$ 1,5 bilhão

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 28/01/2026 às 22:39
investimento bilionário viabiliza triplicação da BR-101 com túnel do Morro dos Cavalos, licença ambiental no Ibama e ligação ao Contorno Viário da Grande Florianópolis
investimento bilionário viabiliza triplicação da BR-101 com túnel do Morro dos Cavalos, licença ambiental no Ibama e ligação ao Contorno Viário da Grande Florianópolis
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Um investimento de R$ 1,5 bilhão está no centro de um termo aditivo que deve viabilizar a triplicação da BR-101 até o trecho norte do Contorno Viário da Grande Florianópolis. O plano moderniza o projeto licenciado no Ibama para três faixas, mas ainda não tem cronograma final fechado.

O investimento de R$ 1,5 bilhão entrou na conta para viabilizar a triplicação da BR-101 entre o Contorno Viário da Grande Florianópolis e o Morro dos Cavalos, em Palhoça, por meio de um termo aditivo no contrato de execução da obra do túnel. A proposta é integrar 67 km a outra concessionária, num movimento que pode mudar o desenho da rodovia em um dos pontos mais críticos de mobilidade em Santa Catarina.

Apesar do valor bilionário e do avanço institucional, o investimento ainda esbarra em limitações técnicas e ambientais que impedem um cronograma detalhado de execução. Por enquanto, não há prazo final definido para a conclusão da triplicação, mesmo com a sinalização de modernização do projeto já licenciado no Ibama, que previa duas faixas e está sendo atualizado para três faixas.

O que está sendo preparado: termo aditivo e integração de 67 km

O caminho para tirar a obra do papel passa pela redação de um termo aditivo no contrato do túnel do Morro dos Cavalos. Esse aditivo é apontado como a peça que amarra a triplicação da BR-101 até o trecho norte do Contorno Viário, criando as condições contratuais para o novo desenho da rodovia.

A lógica do investimento aparece ligada a essa reorganização: a proposta envolve a integração de 67 km a outra concessionária, com a perspectiva de reorganizar responsabilidades e permitir que a ampliação de capacidade aconteça junto de uma intervenção considerada estratégica para reduzir gargalos e congestionamentos.

O prazo político imediato: marco de 8 de março e autorização do TCU

Existe um marco de curto prazo citado para o andamento do processo. Até 8 de março, está prevista a supressão da autorização do TCU, o Tribunal de Contas da União, e a formalização do contrato aditivo de integração dos 67 km a outra concessionária.

Esse ponto é crucial porque, sem essa transição, o investimento permanece no campo das intenções e dos anúncios. É a etapa em que o projeto sai do debate e começa a virar obrigação contratual, com responsabilidades mais claras para quem executa, fiscaliza e financia a ampliação.

Projeto licenciado no Ibama: de duas para três faixas

Um dos detalhes mais relevantes é que já existe licença ambiental no Ibama para o projeto original, que previa duas faixas de rolamento. Agora, a proposta é modernizar esse desenho para três faixas, o que conversa diretamente com o objetivo de triplicação.

Esse ajuste não é apenas “pintar mais uma faixa” no papel. Ele muda o dimensionamento da intervenção, mexe com o impacto esperado e influencia o planejamento de obra. Por isso, mesmo com o investimento no radar, questões técnicas e ambientais seguem como fatores que podem alongar etapas e dificultar a definição de prazos fechados.

Túnel do Morro dos Cavalos: obra anunciada e custo maior no pacote

Em paralelo ao debate sobre triplicação, houve o anúncio federal da construção de um túnel no Morro dos Cavalos, na BR-101, em Palhoça. A promessa é que a intervenção ataque os congestionamentos recorrentes desse trecho, que é considerado crítico na mobilidade.

A obra do túnel foi apresentada com orçamento de R$ 2,5 bilhões, e o projeto prevê dois túneis, um para cada sentido, com três pistas em cada túnel. Dentro desse contexto, a triplicação de 67 km foi colocada como algo que ocorreria cerca de um ano após a abertura da estrutura, conectando a ampliação de capacidade ao funcionamento do túnel.

Quem toca a obra e como entra o dinheiro: pedágio e mudança de responsabilidade

A responsabilidade pelas obras foi transferida para a empresa CCR Motiva por decisão da ANTT, a Agência Nacional de Transportes Terrestres. O formato é de obra privada, custeada com recursos dos pedágios, o que define como o dinheiro entra e como o investimento é sustentado ao longo do contrato.

Segundo o Ministério dos Transportes, o prazo para conclusão do túnel é de até três anos. Isso cria uma referência temporal para o componente principal do pacote, mesmo que a triplicação ainda não tenha cronograma detalhado e permaneça sem prazo final formalmente estabelecido.

Por que virou um drama de mais de 15 anos: licenças, contrato e travas

O histórico do Morro dos Cavalos ajuda a explicar a cautela com promessas. Segundo a Fiesc, o túnel estava previsto para ser construído há mais de 15 anos, ainda no período em que a duplicação do trecho sul da BR-101 avançava e foi concluída em 2010.

Mesmo com licenças ambientais obtidas entre 2013 e 2014, a obra nunca começou. O conjunto de travas citadas passa por burocracia, questões financeiras e pelo prazo do contrato com a Arteris Litoral Sul, que se encerra em 2033. Esse cenário reforça por que o investimento precisa vir acompanhado de arranjos contratuais sólidos para não virar mais um capítulo de atraso.

O papel do Contorno Viário e por que ele muda o jogo

Após a entrega do Contorno Viário da Grande Florianópolis, em agosto de 2024, a concessionária vigente não previa novas grandes obras estruturais. Esse detalhe ajuda a entender por que a responsabilidade foi transferida: era necessário um novo arranjo para viabilizar um pacote maior de intervenções.

Na prática, o Contorno Viário muda fluxos, redistribui tráfego e cria um novo ponto de referência para obras de capacidade na BR-101. A triplicação entre o Contorno e o Morro dos Cavalos, sustentada por investimento bilionário, entra como resposta direta a um trecho que continua sendo gargalo mesmo com a entrega de uma nova rota.

O que ainda está indefinido e o que está no radar imediato

O retrato atual mistura avanço e incerteza. De um lado, o investimento de R$ 1,5 bilhão aparece associado a um termo aditivo que precisa ser redigido para viabilizar a triplicação, com integração de 67 km e modernização de faixas no projeto licenciado no Ibama. De outro, as próprias condições técnicas e ambientais impedem que exista um cronograma detalhado e uma data final definida para a obra de triplicação.

No curto prazo, o que ganha peso é o marco de 8 de março, com a supressão da autorização do TCU e a formalização do aditivo. É esse passo que tende a definir se o investimento sai do discurso e vira obrigação de contrato, com execução, fiscalização e prazos cada vez mais amarrados.

Você acha que esse investimento bilionário finalmente destrava o Morro dos Cavalos ou a BR-101 vai continuar presa em promessas e congestionamentos por mais anos?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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