Pesquisadores brasileiros transformam pele de peixe em biotecido capaz de acelerar a recuperação visual de animais com úlceras e danos profundos
As pesquisas conduzidas na Universidade Federal do Ceará revelaram que a pele da tilápia-do-nilo passou a ser usada como base para um biotecido destinado à regeneração da córnea de cães, conforme divulgado pela Revista Pesquisa Fapesp. Além disso, esse material vem sendo testado em úlceras e lesões oculares graves, assegurando resultados expressivos na recuperação da visão.
Uso da pele de tilápia como ferramenta biotecnológica
Os estudos desenvolvidos pelo Núcleo de Produção e Desenvolvimento de Medicamentos da Faculdade de Medicina da UFC (NPDM-UFC) mostraram que a membrana retirada da pele do peixe é rica em colágeno, funcionando como enxerto no curativo pós-cirúrgico. Consequentemente, essa membrana auxilia na regeneração da córnea de forma acelerada e controlada.
Processo laboratorial e criação do biotecido
Os pesquisadores explicaram que o procedimento começa com a remoção completa de escamas e células. Dessa forma, somente o colágeno permanece disponível para uso clínico. O biotecido resultante estimula a reepitelização da córnea, protege a região lesionada e libera colágeno absorvido pelo organismo, como relatou a veterinária Mirza Melo em entrevista à Fapesp. Além disso, nos últimos quatro anos, mais de 400 cães tiveram a saúde ocular restaurada com a técnica.
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Diferenças entre o material de tilápia e membranas importadas
Segundo os pesquisadores, embora existam membranas biológicas bovinas e suínas disponíveis no mercado, todas são importadas. Por isso, a pele de tilápia se destaca por permitir a produção nacional de membranas mais acessíveis, o que reduz custos e amplia a oferta de tratamentos especializados. Ainda assim, a pesquisadora lembra que cada aplicação exige avaliação clínica rigorosa.
Aplicação clínica e vantagens observadas nos tratamentos
A técnica vem sendo aplicada principalmente em casos de úlceras profundas e lesões extensas. Assim, a membrana atua como estrutura de suporte. Ela protege a superfície ocular, estimula a cicatrização e garante a regeneração do tecido. O método permite maior controle e acompanhamento da evolução dos quadros clínicos, prática considerada decisiva pelos profissionais que adotaram o protocolo.
Resultados observados após quatro anos de uso contínuo
De acordo com a coordenadora da pesquisa, os tratamentos realizados entre 2020 e 2024 confirmaram que a regeneração ocorre mais rapidamente com o biotecido, mantendo a integridade da córnea durante todo o processo cirúrgico. Além disso, a absorção gradual do colágeno contribui para resultados duradouros e seguros.
Efeitos do novo biotecido sobre a prática veterinária no Brasil
Como consequência dos resultados obtidos, clínicas e pesquisadores passaram a avaliar a ampliação do uso do biotecido em outros tipos de lesões oculares. Ainda assim, cada caso exige acompanhamento técnico. Entretanto, o avanço representa uma alternativa acessível para profissionais que antes dependiam exclusivamente de materiais importados.
Impactos para a pesquisa nacional e perspectivas futuras
Os estudos conduzidos no Ceará indicam que, com o uso contínuo e monitorado do biotecido, mais tratamentos poderão ser padronizados nacionalmente, fortalecendo a produção científica brasileira. Além disso, a técnica reforça o papel da pesquisa veterinária na criação de soluções inovadoras, economicamente viáveis e alinhadas à realidade do país.
