Alimentos descartados na Ceasa passam por compostagem, abastecem áreas verdes e ajudam a diminuir impactos ambientais causados pelo desperdício
Os resíduos seguem para a Usina Verde de Campinas, onde passam pela compostagem e se transformam em fertilizante orgânico.
O adubo produzido abastece hortas urbanas, parques e canteiros públicos do município paulista.
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A iniciativa também reduz custos de manutenção, evita o descarte inadequado e devolve nutrientes importantes ao solo.
Desperdício de alimentos provoca impactos ambientais e econômicos
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente divulgou, em 27 de março de 2024, o Índice de Desperdício de Alimentos.
O levantamento estimou que aproximadamente 1,05 bilhão de toneladas de comida foram desperdiçadas no mundo durante 2022.
O descarte provoca prejuízos financeiros, aumenta a poluição, pressiona os preços e agrava a insegurança alimentar.
A decomposição dos resíduos orgânicos nos aterros libera metano, um dos gases associados ao efeito estufa.
O processo também produz chorume, líquido capaz de alcançar o solo e contaminar os lençóis freáticos.
Dados do Pnuma indicam que as perdas e o desperdício respondem por 8% a 10% das emissões globais de gases do efeito estufa.

Compostagem transforma resíduos orgânicos em fertilizante
A Usina Verde recebe os alimentos estragados provenientes da Ceasa de Campinas.
Os resíduos passam inicialmente por uma separação conforme as condições de cada produto.
O material orgânico segue depois para as etapas de compostagem e deixa de ocupar espaço nos aterros.
O processo permite que os restos retornem à terra como adubo, fechando um ciclo sustentável de reaproveitamento.
A cidade consegue, dessa forma, reduzir a formação de chorume, diminuir emissões e recuperar nutrientes presentes nos alimentos.
Bancos de alimentos ajudam a combater fome e desperdício
Quase 7 milhões de brasileiros ainda enfrentam a fome, conforme os dados apresentados no levantamento.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística registrou 18,9 milhões de domicílios com algum grau de insegurança alimentar em 2024.
Os bancos de alimentos recolhem excedentes de lavouras, supermercados, feiras e centrais de abastecimento.
Cada produto passa por uma triagem antes da distribuição às organizações sociais.
Somente os alimentos considerados adequados para consumo chegam às famílias atendidas.
O Instituto de Solidariedade para Programas de Alimentação funciona dentro da Ceasa de Campinas e recebe apoio dos permissionários.
O Sesc Mesa Brasil também coleta produtos em supermercados e diretamente nas lavouras de diferentes regiões do país.
O governo federal destinou, desde 2023, R$ 25 milhões para modernizar bancos de alimentos, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social.
O Pacto Contra a Fome aponta, porém, que apenas 1% das pessoas em insegurança alimentar recebem produtos redistribuídos.
Tecnologia e manejo reduzem perdas nas lavouras
A redução do desperdício também depende de técnicas aplicadas durante a produção agrícola.
A Alfacitrus utiliza colheita manual para identificar o momento adequado de retirar laranjas, limões e tangerinas dos pés.
As caixas plásticas diminuem riscos de contaminação e danos durante o transporte.
As frutas adequadas são higienizadas e vendidas frescas.
Os produtos com manchas ou tamanhos fora do padrão seguem para a produção de sucos quando continuam próprios para consumo.
As frutas estragadas passam pela compostagem e retornam às lavouras como fertilizante.
Um sistema de inteligência artificial registra cerca de 30 imagens de cada fruta durante a triagem.
A tecnologia avalia as condições de cada unidade e ajuda a definir o destino mais apropriado.
Pragas, doenças, geadas e secas permanecem entre as principais causas de perdas na produção agrícola.
A compostagem e os bancos de alimentos deveriam receber mais investimentos para reduzir o desperdício e a fome no Brasil? Deixe sua opinião.
