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Toneladas de restos de comida que iriam para aterros agora viram adubo em Campinas e ajudam a reduzir metano, chorume, desperdício e emissões do efeito estufa

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 30/06/2026 às 13:42 Atualizado em 30/06/2026 às 13:44
Infográfico mostra como restos de alimentos viram adubo na compostagem, com etapas do processo, controle de temperatura, umidade, oxigênio e ação de bactérias.
Infográfico explica como a compostagem transforma alimentos descartados em adubo, reduz o desperdício e ajuda a diminuir emissões e impactos ambientais.
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Alimentos descartados na Ceasa passam por compostagem, abastecem áreas verdes e ajudam a diminuir impactos ambientais causados pelo desperdício

Alimentos estragados na Ceasa de Campinas ganharam um destino sustentável antes de chegarem aos aterros sanitários.

Os resíduos seguem para a Usina Verde de Campinas, onde passam pela compostagem e se transformam em fertilizante orgânico.

O adubo produzido abastece hortas urbanas, parques e canteiros públicos do município paulista.

A iniciativa também reduz custos de manutenção, evita o descarte inadequado e devolve nutrientes importantes ao solo.

Desperdício de alimentos provoca impactos ambientais e econômicos

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente divulgou, em 27 de março de 2024, o Índice de Desperdício de Alimentos.

O levantamento estimou que aproximadamente 1,05 bilhão de toneladas de comida foram desperdiçadas no mundo durante 2022.

O descarte provoca prejuízos financeiros, aumenta a poluição, pressiona os preços e agrava a insegurança alimentar.

A decomposição dos resíduos orgânicos nos aterros libera metano, um dos gases associados ao efeito estufa.

O processo também produz chorume, líquido capaz de alcançar o solo e contaminar os lençóis freáticos.

Dados do Pnuma indicam que as perdas e o desperdício respondem por 8% a 10% das emissões globais de gases do efeito estufa.

Infográfico explica como a perda de alimentos ocorre antes do consumo, na colheita, no armazenamento e no transporte, enquanto o desperdício acontece no varejo, em restaurantes e nas residências.
Infográfico apresenta a diferença entre perda e desperdício de alimentos, destacando problemas na colheita, no armazenamento, no transporte, no varejo, nos restaurantes e nos domicílios.

Compostagem transforma resíduos orgânicos em fertilizante

A Usina Verde recebe os alimentos estragados provenientes da Ceasa de Campinas.

Os resíduos passam inicialmente por uma separação conforme as condições de cada produto.

O material orgânico segue depois para as etapas de compostagem e deixa de ocupar espaço nos aterros.

O processo permite que os restos retornem à terra como adubo, fechando um ciclo sustentável de reaproveitamento.

A cidade consegue, dessa forma, reduzir a formação de chorume, diminuir emissões e recuperar nutrientes presentes nos alimentos.

Bancos de alimentos ajudam a combater fome e desperdício

Quase 7 milhões de brasileiros ainda enfrentam a fome, conforme os dados apresentados no levantamento.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística registrou 18,9 milhões de domicílios com algum grau de insegurança alimentar em 2024.

Os bancos de alimentos recolhem excedentes de lavouras, supermercados, feiras e centrais de abastecimento.

Cada produto passa por uma triagem antes da distribuição às organizações sociais.

Somente os alimentos considerados adequados para consumo chegam às famílias atendidas.

O Instituto de Solidariedade para Programas de Alimentação funciona dentro da Ceasa de Campinas e recebe apoio dos permissionários.

O Sesc Mesa Brasil também coleta produtos em supermercados e diretamente nas lavouras de diferentes regiões do país.

O governo federal destinou, desde 2023, R$ 25 milhões para modernizar bancos de alimentos, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social.

O Pacto Contra a Fome aponta, porém, que apenas 1% das pessoas em insegurança alimentar recebem produtos redistribuídos.

Tecnologia e manejo reduzem perdas nas lavouras

A redução do desperdício também depende de técnicas aplicadas durante a produção agrícola.

A Alfacitrus utiliza colheita manual para identificar o momento adequado de retirar laranjas, limões e tangerinas dos pés.

As caixas plásticas diminuem riscos de contaminação e danos durante o transporte.

As frutas adequadas são higienizadas e vendidas frescas.

Os produtos com manchas ou tamanhos fora do padrão seguem para a produção de sucos quando continuam próprios para consumo.

As frutas estragadas passam pela compostagem e retornam às lavouras como fertilizante.

Um sistema de inteligência artificial registra cerca de 30 imagens de cada fruta durante a triagem.

A tecnologia avalia as condições de cada unidade e ajuda a definir o destino mais apropriado.

Pragas, doenças, geadas e secas permanecem entre as principais causas de perdas na produção agrícola.

A compostagem e os bancos de alimentos deveriam receber mais investimentos para reduzir o desperdício e a fome no Brasil? Deixe sua opinião.

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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