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Tomografia em múmias revela que dores nas costas já atormentavam humanos há milênios

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Escrito por Andriely Medeiros de Araújo Publicado em 06/02/2026 às 08:58 Atualizado em 06/02/2026 às 09:00
Estudo com tomografia em múmias egípcias indica que sacerdotes do Egito Antigo já sofriam com dores crônicas, envelhecimento e limitações físicas.
Estudo com tomografia em múmias egípcias indica que sacerdotes do Egito Antigo já sofriam com dores crônicas, envelhecimento e limitações físicas. Foto: Ricardo Carrasco III
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Estudo com tomografia em múmias egípcias indica que sacerdotes do Egito Antigo já sofriam com dores crônicas, envelhecimento e limitações físicas.

Dores persistentes nas costas, dificuldade para caminhar e desgaste nas articulações não são exclusividades da vida moderna. Exames de tomografia realizados em múmias egípcias revelam que esses problemas já afetavam pessoas que viveram há mais de dois mil anos.

As descobertas mostram que o envelhecimento do corpo humano segue padrões semelhantes ao longo do tempo, independentemente da época ou do avanço tecnológico.

Limitações físicas marcavam o fim da vida desses sacerdotes

As análises indicam que os dois homens estudados conviveram com dores crônicas por anos.

Um deles apresentava lesões na região lombar da coluna, compatíveis com desconforto constante nas costas.

O outro tinha um desgaste severo no quadril, condição que provavelmente dificultava até tarefas básicas do cotidiano.

Além disso, problemas dentários e sinais de envelhecimento avançado reforçam que ambos enfrentaram um processo físico marcado por limitações progressivas.

Para os pesquisadores, esses dados ajudam a reconstruir como era envelhecer no Egito Antigo.

Traumas antigos e possíveis intervenções médicas

Em uma das múmias, os exames também identificaram fraturas antigas na região torácica que haviam cicatrizado antes da morte.

Isso sugere que o indivíduo sofreu um trauma significativo, mas conseguiu sobreviver por um longo período após o acidente.

Os cientistas ainda observaram perfurações na coluna vertebral que podem indicar algum tipo de procedimento médico rudimentar.

Essa possibilidade, considerada rara para o período, ainda está sendo analisada com cautela pelos especialistas.

Quem eram as múmias analisadas?

Somente após a identificação dos problemas físicos os pesquisadores cruzaram os dados com registros históricos.

As múmias pertencem a Nes-Min, que viveu por volta de 330 a.C., e Nes-Hor, datado de cerca de 190 a.C. Ambos eram sacerdotes, o que explica os cuidados funerários e os adornos encontrados junto aos corpos.

Em Nes-Min, por exemplo, foi identificada uma vestimenta ritual em rede, decorada com contas coloridas e colares, sinal de posição social elevada e importância religiosa.

Foto: Keck Medicine da USC

A tomografia computadorizada permitiu observar não apenas ossos e articulações, mas também tecidos moles preservados, algo incomum em estudos arqueológicos.

Os exames revelaram contornos faciais como pálpebras, lábios e orelhas, ajudando a reconstruir a aparência dos indivíduos.

Cada corpo foi escaneado ainda acomodado na base original do sarcófago, que pesa cerca de 90 quilos. Todo o processo foi feito sem remover bandagens ou causar qualquer dano às múmias.

Tomografias em múmias: Tecnologia moderna aplicada a corpos milenares

O estudo foi conduzido por radiologistas da Keck Medicine, braço médico da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos.

Apesar da idade das múmias, os especialistas adotaram protocolos semelhantes aos usados em hospitais hoje.

Segundo a equipe, a evolução da tomografia torna essencial revisar análises feitas no passado com equipamentos menos precisos.

“Quando observamos essas imagens, fica claro que muitas das doenças enfrentadas por essas pessoas continuam presentes hoje”, afirma Summer Decker, diretora do Centro de Inovação em Visualização Médica da USC.

Modelos 3D ajudam a preservar e divulgar o conhecimento

A partir dos dados obtidos, os pesquisadores criaram modelos digitais tridimensionais completos.

Esses arquivos deram origem a impressões 3D de crânios, colunas, quadris e até de objetos funerários encontrados junto às múmias.

Essa abordagem permite que cientistas e o público tenham contato com réplicas exatas, sem risco aos materiais originais, além de ampliar o alcance educacional das descobertas.

Os resultados do projeto serão apresentados na exposição “Múmias do Mundo”, no California Science Center.

Foto: Keck Medicine da USC

Para a antropóloga Diane Perlov, vice-presidente sênior de projetos especiais do centro, a tecnologia ajuda a enxergar essas figuras históricas de outra forma.

“Quando conseguimos identificar a origem da dor nas costas ou no quadril, essas múmias deixam de ser objetos distantes e passam a ser reconhecidas como pessoas reais”, destaca.

Ao inverter a lógica tradicional do estudo arqueológico, a combinação entre tomografia e análise histórica mostra que, apesar da distância temporal, o corpo humano continua enfrentando desafios muito semelhantes aos de hoje.

Com informações da Revista Galileu

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Andriely Medeiros de Araújo

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