A agência espacial chinesa CAST revelou em maio o plano para dobrar a estação espacial Tiangong, passando de 70 para 198 toneladas com seis módulos em formato de cruz e 15 anos de operação garantidos, enquanto a Estação Espacial Internacional caminha para a desorbitação em 2030.
A estação espacial Tiangong hoje tem três módulos em formato de T e abriga rotineiramente três astronautas, com capacidade para seis durante rendições de tripulação.
Segundo a South China Morning Post, a expansão começa em 2027 e amplia a Tiangong para um arranjo cruciforme.
Conforme a CAST (China Academy of Space Technology), o novo módulo multifuncional vai ter seis portas de atracação.
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De acordo com o anúncio, o objetivo é receber missões internacionais e dobrar a capacidade científica em órbita.
Em outras palavras, a China prepara a Tiangong para ser a única estação permanente em órbita após a aposentadoria da ISS em 2030.
Por outro lado, o primeiro voo não tripulado da nova espaçonave Mengzhou já está marcado para o fim de 2026.
A Tiangong vai passar de três para seis módulos com 198 toneladas e 15 anos de operação
Os três módulos atuais somam 70 toneladas: Tianhe (núcleo), Wentian (laboratório principal) e Mengtian (laboratório secundário).
Em comparação com a ISS, que pesa 420 toneladas, a Tiangong ainda é seis vezes menor.
Conforme a CAST, o novo módulo multifuncional será adicionado em 2027 como porta central.
De acordo com o cronograma, mais dois módulos científicos serão acoplados até 2030.
Por isso, a estação vai chegar a 198 toneladas de massa total e ocupar 24 metros entre as pontas dos painéis solares.
Como reportou a Xinhua, a expansão usa o foguete Longa Marcha 5B, com capacidade de levar 25 toneladas à órbita baixa.

A NASA já contratou a SpaceX para desorbitar a Estação Espacial Internacional em 2030
A NASA assinou em 2024 contrato de US$ 843 milhões com a SpaceX para desenvolver o U.S. Deorbit Vehicle.
De acordo com a NASA, a ISS vai ser empurrada para reentrada controlada no Oceano Pacífico em 2030.
Em comparação, a CSS (Tiangong) acabou de receber autorização do governo chinês para operar até 2042.
Conforme a Agência Espacial Europeia, a maior parte dos parceiros da ISS já estuda colaboração futura com a Tiangong.
Por outro lado, os Estados Unidos têm restrições legais (a Wolf Amendment, de 2011) que proíbem cooperação direta entre NASA e CAST.
Como reportou a Bloomberg, esse vácuo abre espaço para a Rússia, a Índia e o Paquistão se aproximarem da estação chinesa.
A estação espacial Tiangong já recebe candidatos do Paquistão, de Hong Kong e de Macau
Em outubro de 2024, a CAST anunciou seleção de astronautas estrangeiros para missões a partir de 2026.
De acordo com o programa, os primeiros candidatos são do Paquistão, Hong Kong e Macau.
Conforme a Reuters, a inscrição da Tailândia, Bielorrússia e Indonésia também já foi recebida.
Em primeiro lugar, os candidatos passam por 11 etapas de seleção em hospitais militares chineses.
Em segundo lugar, o treinamento ocorre em Pequim e dura 18 meses.
Posteriormente, cada astronauta estrangeiro vai permanecer entre 30 e 60 dias em órbita.
- Módulos atuais: Tianhe, Wentian, Mengtian (70 ton total)
- Módulo novo: multifuncional com seis portas de atracação
- Massa total alvo: 198 toneladas até 2030
- Vida útil estimada: 15 anos a partir de 2027
- Astronautas estrangeiros: seleção iniciada com Paquistão, Hong Kong, Macau

O Brasil acompanha a corrida espacial chinesa pela Agência Espacial Brasileira
Conforme a Agência Espacial Brasileira (AEB), o país tem acordo de cooperação com a CAST desde 1988.
Em outras palavras, a parceria CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite) já entregou seis satélites de monitoramento.
De acordo com a AEB, há discussão em aberto sobre incluir um astronauta brasileiro em missão da Tiangong.
Por isso, o Centro de Lançamento de Alcântara segue como ativo estratégico para a SpaceX e para acordo bilateral com EUA.
Como reportou a CGTN, China e Brasil avaliam ainda fabricação conjunta de satélites geoestacionários.
Da mesma forma, o INPE estuda parceria para experimentos biológicos a bordo da Tiangong.
O custo do programa Tiangong é menor que o da ISS e abre caminho para uso comercial
Conforme estimativas do Center for Strategic and International Studies, a Tiangong custou cerca de US$ 8 bilhões.
Em comparação, a ISS já consumiu US$ 150 bilhões entre EUA, Rússia, Europa, Canadá e Japão desde 1998.
Em outras palavras, a China construiu sua estação por 5% do orçamento da ISS.
De acordo com a CAST, a Tiangong já abre frente comercial para experimentos farmacêuticos privados.
Posteriormente, a empresa Galactic Energy negocia voos turísticos para até quatro civis a bordo da estação chinesa.
Por outro lado, a SpaceX e a Axiom Space planejam estações privadas que vão herdar parte do mercado.

O acervo do CPG cobre a corrida espacial entre China, EUA e empresas privadas
O CPG publicou recentemente sobre a expansão da SpaceX no Brasil, no acervo do site.
Posteriormente, o site publicou também análise da missão Tianwen-2 da China, dedicada a coleta de amostras de asteroides.
Em outras palavras, a corrida espacial não é mais um duelo EUA-Rússia mas inclui China, Índia e Emirados Árabes.
Por outro lado, ainda há quem aponte que a vantagem técnica americana persiste no segmento de lançadores reutilizáveis.
Próximos passos da CAST e o cronograma até a configuração final em cruz
Em primeiro lugar, a CAST vai lançar o módulo multifuncional no fim de 2027 com o foguete Longa Marcha 5B.
Em seguida, dois módulos científicos serão acoplados em 2028 e 2029.
Por fim, em 2030 a estação atinge configuração final cruciforme com 198 toneladas.
Porém, há quem questione se o cronograma vai aguentar pressão orçamentária.
No entanto, a CAST defende que o programa Tiangong é prioridade nacional. Ainda assim, a expansão vai virar o ponteiro do jogo espacial mundial.

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