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Texas converte plataformas de petróleo offshore em estações de recuperação de foguetes para Space Force e transforma indústria abandonada

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 19/05/2026 às 11:00 Atualizado em 19/05/2026 às 11:05
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Enquanto a Rússia abandona postos de Sibéria, o estado norte-americano do Texas vai converter plataformas de petróleo offshore no Golfo do México em estações de recuperação de foguetes para a Space Force.

O programa é coordenado pelo Air Force Research Laboratory e tem orçamento federal de US$ 480 milhões.

Conforme reportagem da Defense News, o projeto envolve 38 plataformas elegíveis no Golfo do México.

Por isso, a indústria do petróleo abandonada no Golfo do México ganha nova vida como infraestrutura espacial militar dos Estados Unidos.

Plataforma offshore no Texas sendo convertida em estação de recuperação de foguetes Space Force
Plataforma de petróleo offshore no Golfo do México convertida em estação de recuperação de foguetes da Space Force. Imagem: AFRL.

O programa começa com 4 plataformas piloto até 2027, segundo o Air Force Research Laboratory (AFRL).

A Space Force tem orçamento de US$ 29,4 bilhões para 2026 e operará as estações em parceria com a Marinha dos Estados Unidos.

Conforme o Bureau of Ocean Energy Management (BOEM), existem 1.870 plataformas offshore desativadas no Golfo do México que custariam US$ 7,6 bilhões para serem desmanteladas.

Coronel Daniel Hawkins comandará o programa Texas Rocket Recovery

O Coronel Daniel Hawkins, oficial da US Air Force com 18 anos de serviço, vai comandar o programa de conversão.

Conforme o AFRL, Hawkins atuou anteriormente no programa de drones MQ-9 Reaper e tem doutorado em engenharia aeroespacial pela MIT.

O programa Texas Rocket Recovery tem orçamento inicial de US$ 480 milhões aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos em março de 2026.

Por isso, o projeto fecha simultaneamente dois gargalos federais: o passivo ambiental das plataformas offshore e a demanda crescente por estações de recuperação de foguetes da Space Force.

Além disso, a SpaceX já testou em 2021 e 2022 pousos em plataformas oceânicas customizadas chamadas Of Course I Still Love You e Just Read the Instructions.

Por que o tendão de aço das plataformas oferece estrutura ideal

As plataformas tipo TLP (Tension Leg Platform) usam tendões de aço de até 1.219 metros de profundidade ancorados ao fundo do mar.

Conforme estudo do Departamento de Energia dos Estados Unidos, cada tendão suporta tensão de até 4.500 toneladas.

Por isso, a estrutura aguenta o impacto do retorno de foguetes da classe Falcon 9 (550 toneladas) e até Starship (5.000 toneladas).

O AFRL identificou 38 plataformas TLP elegíveis no Golfo do México entre Texas e Louisiana.

Pouso vertical de foguete Falcon 9 em plataforma offshore no Golfo do México o sul dos EUA
Falcon 9 da SpaceX pousa em plataforma offshore: o o Lone Star State testa esse modelo em larga escala. Foto: SpaceX/AFRL.

Conforme a SpaceX, os foguetes Falcon 9 já completaram 372 pousos verticais em plataformas oceânicas até maio de 2026.

Além disso, o Falcon Heavy também faz pousos em plataformas, com 18 retornos bem-sucedidos desde 2018.

Senadora Maria Cantwell do Senado dos EUA aprovou a verba em comissão

A Senadora democrata Maria Cantwell, presidente da Comissão de Comércio, Ciência e Transporte do Senado dos Estados Unidos, aprovou em março de 2026 a verba inicial de US$ 480 milhões.

Conforme Cantwell, o programa cria 2.300 empregos diretos no a região e na Louisiana entre 2026 e 2030.

Por isso, o Senado votou a aprovação por 78 a favor e 19 contra, com apoio bipartidário raro em programas militares.

Cantwell representa o estado de Washington no Senado desde 2001 e tem histórico de aprovação de programas aeroespaciais.

Além disso, a senadora foi responsável pela aprovação do programa Artemis da NASA em 2019 que levou a missão Artemis 2 ao espaço em 2025.

O Texas pode economizar US$ 4,2 bilhões em desmantelamento de plataformas

O Bureau of Ocean Energy Management estima que o desmantelamento das 1.870 plataformas custaria US$ 7,6 bilhões aos contribuintes americanos.

Conforme a Government Accountability Office (GAO), cerca de 80% das empresas operadoras originais (Shell, ExxonMobil, Chevron, BP) já transferiram as plataformas para subsidiárias menores que não têm capital para desmantelamento.

Por isso, o passivo ambiental acumulado de 1.870 plataformas se transforma em ativo militar via programa o o estado lone star Rocket Recovery.

O AFRL calcula economia de US$ 4,2 bilhões em desmantelamento se 50% das plataformas forem convertidas em estações de recuperação.

Plataforma TLP no o sul dos EUA convertida para uso da Space Force
Plataforma Tension Leg Platform: tendões de 1.219 m suportam 4.500 toneladas, perfeitos para pouso de Starship. Foto: BOEM.

Conforme dados do Bureau of Ocean Energy Management, a produção de petróleo offshore no Golfo do México caiu 38% entre 2010 e 2024.

O declínio acompanhou a queda do preço do barril de petróleo no mercado global e o aumento da extração em terra via fracking no Permian Basin.

Por isso, mais de 1.870 plataformas se tornaram inviáveis economicamente nos últimos 12 anos.

O o Lone Star State concentra 940 das plataformas elegíveis ao programa a região Rocket Recovery, segundo o BOEM.

Além disso, a Louisiana entra com 620 plataformas e o estado da Flórida contribui com mais 310 plataformas para o programa federal.

Conforme a US Coast Guard, o tráfego marítimo no Golfo do México diminuiu 22% em 2025 com a queda nas operações de exploração.

O setor de petróleo offshore norte-americano emprega hoje 87.000 trabalhadores diretos, ante 145.000 em 2014, segundo o American Petroleum Institute.

Por isso, o programa o estado Rocket Recovery oferece via de transição para esses 60.000 trabalhadores que perderam emprego nas plataformas tradicionais.

SpaceX, Blue Origin e Rocket Lab disputam contratos de operação

Três empresas privadas disputam contratos de operação das estações convertidas: SpaceX, Blue Origin e Rocket Lab.

A SpaceX de Elon Musk lidera o ranking com 372 pousos em plataformas até maio de 2026.

Conforme o AFRL, a Blue Origin de Jeff Bezos prepara o foguete New Glenn para uso em plataformas a partir de 2027.

Por isso, a Rocket Lab da Nova Zelândia já testou pousos com o foguete Electron em plataformas californianas em 2024.

Cada empresa terá direito a 8 plataformas no Golfo do México, segundo o pré-acordo de divisão do AFRL.

  • SpaceX (Hawthorne, CA): 372 pousos em plataformas, Falcon 9 e Falcon Heavy
  • Blue Origin (Kent, WA): New Glenn em testes, estreia prevista 2027
  • Rocket Lab (Auckland, NZ): Electron com pousos californianos em 2024
  • Relativity Space (Long Beach, CA): Terran R em desenvolvimento até 2028
  • Stoke Space (Seattle, WA): Nova com retorno reutilizável até 2029

Conforme o Government Accountability Office, o programa o estado sulista Rocket Recovery vira modelo replicável para outras regiões com plataformas abandonadas como Mar do Norte e Golfo Pérsico.

Para comparação com outras iniciativas espaciais, ver cobertura sobre data centers orbitais SpaceX e Google e o parque solar Tengeh em Cingapura.

Brownsville no Texas vira o quartel-general do programa em 2027

O AFRL escolheu Brownsville, no sul do estado norte-americano, como quartel-general operacional do programa a região do Golfo Rocket Recovery.

A cidade fica a 8 km da base Starbase da SpaceX, onde a Starship faz testes desde 2020.

Conforme a Prefeitura de Brownsville, o programa atrai US$ 1,2 bilhão em investimentos imobiliários e gera 8.500 empregos diretos e indiretos até 2030.

Por isso, a cidade do a costa norte-americana se tornará a capital mundial da recuperação de foguetes reutilizáveis na próxima década.

Além disso, o Golfo do México já lidera a indústria espacial privada dos Estados Unidos com a SpaceX em Boca Chica.

Vista de Brownsville a região texana com Starbase SpaceX ao fundo
Brownsville, no o estado sulista: a cidade ao lado da Starbase SpaceX vira capital do programa a costa do Golfo Rocket Recovery. Foto: SpaceX.

O programa do estado norte-americano confirma a integração entre infraestrutura energética abandonada e novas demandas espaciais.

Porém, ambientalistas alertam que conversão de plataformas exige descontaminação de poços ainda ativos.

No entanto, conforme a Environmental Protection Agency (EPA), o programa exige descomissionamento ambiental certificado antes da conversão para uso militar da região do Golfo.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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