Relatos apresentados desde 2024 expõem sobrecarga, cortes e falhas de fiscalização envolvendo trabalhadores terceirizados em diversas bases da Transpetro
Uma sequência de denúncias trabalhistas ganhou força entre 2024 e 2025 e, assim, voltou a colocar a terceirização da Transpetro sob atenção nacional. Embora a subsidiária da Petrobrás busque metas financeiras, trabalhadores relatam sobrecarga, desgaste e insegurança, especialmente em turnos noturnos com equipes reduzidas.
Durante a greve de advertência de 24 horas realizada em março de 2025, terceirizados foram convocados às cinco da manhã, mesmo após atrasos salariais e falta de vale-refeição no fim de 2024. Conforme trabalhadores, nenhum gestor procurou informações durante o Natal de 2024, o que ampliou a insatisfação.
Investigação interna revela rotina de acúmulo e precarização
Relatos de várias regiões mostram que, desde o fim de 2024, vigilantes, equipes de limpeza e motoristas enfrentam jornadas extensas, equipes reduzidas e cortes de benefícios. Em agosto de 2025, vigilantes da MIB em Uberaba (MG) denunciaram jornadas sem folga, restrições de horas extras e desvio de função, embora o volume operacional permanecesse alto.
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Ao mesmo tempo, bases como OSBRA, em Senador Canedo (GO), registram apenas dois trabalhadores para toda a limpeza, mesmo com aumento de demanda após a pandemia. Consequentemente, faltam equipamentos e reforço, o que aumenta o desgaste físico.

Impactos sociais e trabalhistas atingem grupos essenciais
Motoristas vinculados ao contrato transferido para a VIX, em agosto de 2025, relatam redução de horas extras, uso de táxis como substitutos e convocações de madrugada sem remuneração adicional, o que reduz renda e previsibilidade.
Além disso, empresas terceirizadas realizaram cortes de benefícios, como a Eleva in Haus, que comunicou reduções a partir de 1º de dezembro de 2024, conforme trabalhadores. Esses cortes ampliaram tensões internas.
Posicionamento dos sindicatos e alerta para riscos operacionais
O diretor do Sindipetro Unificado, Rodrigo Araújo, afirma que os acidentes mais graves do Sistema Petrobrás envolvem terceirizados, o que evidencia riscos significativos. Ele explica que a pressão por redução de custos compromete a segurança.
Da mesma forma, o diretor da FUP, Reinaldo Alves, afirma que o modelo de licitação baseado apenas no menor preço seleciona empresas sem capacidade técnica adequada, o que inclui casos como o da Sudamin, que deixou pendências no Rio de Janeiro e em São Paulo. Ele também lembra que, em 2023, houve retorno do plano de saúde para dependentes, considerado essencial após anos de perdas.
A responsabilidade da Transpetro segundo especialistas do setor
O dirigente Vereníssimo Barsante afirma que a responsabilidade pelos problemas recai sobre a própria Transpetro, que deveria garantir fiscalização rigorosa dos contratos. Conforme ele, empresas visam lucro, porém uma estatal precisa assegurar condições dignas aos trabalhadores.
Respostas Oficiais Das Empresas Citadas E Avanços Recentes
A MIB negou irregularidades e afirmou que jornadas longas ocorreram apenas em “demandas emergenciais”. A VIX declarou atuar conforme a legislação e pagar horas extras e adicional noturno, além de negar a substituição de motoristas por táxis.
O que o futuro reserva para os trabalhadores da Transpetro?
O conjunto de denúncias reforça a necessidade de fiscalização intensiva, revisão dos contratos e fortalecimento da segurança operacional. Entretanto, permanece a questão essencial: como garantir condições dignas aos trabalhadores que sustentam a base energética do país?
